Ministro José Jorge afirma que a meta de economia de luz será menor, no verão. Novas metas saem em outubro
BRASÍLIA -
O percentual de redução do consumo de energia elétrica deverá ser inferior aos 20% atuais, a partir de dezembro. Foi o que anunciou ontem o ministro de Minas e Energia, José Jorge. Mas a definição sobre os novos patamares de consumo somente ocorrerá no dia 15 de outubro, em reunião da Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica (GCE). ''Certamente a meta do racionamento será diferente em dezembro'', disse o ministro. São duas as razões para a mudança de patamar na redução do gasto de energia: altas temperaturas no verão e melhora nos níveis dos reservatórios das hidrelétricas, no Sudeste e no Centro-Oeste.
Existem duas alternativas sendo avaliadas: adoção de um percentual progressivo para a redução do consumo de energia, para toda as regiões em racionamento, ou, então, dar ao Sudeste e ao Centro-Oeste tratamento diferenciado em relação ao Nordeste, cujos níveis dos reservatórios das hidrelétricas ainda são precários.
Plano B - O ministro garantiu que, se forem mantidos os atuais níveis dos reservatórios, o plano B dos apagões e feriados não será adotado. ''Não tem sentido plano B para o período molhado'', disse, referindo-se ao período de chuvas, no final de novembro. A base de cálculo para a fixação da redução do consumo será mantida em maio, junho e julho do ano passado.
Em relação às chuvas, o quadro é mais favorável que o previsto pelo governo no início do racionamento. A média de precipitações, nas três regiões afetadas pelo racionamento, está melhor que as estimativas feitas pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
Chuva - No Sudeste e Centro-Oeste, a previsão era contar com pelo menos 75% das chuvas dos últimos 70 anos. Na última semana, o nível de precipitações nessas regiões estava em 82%. No Nordeste, a média de chuvas melhorou, mas ainda é insuficiente. A estimativa era contar com 56% da média histórica e, até agora, tem se mantido em 65%.
Com base nestes índices, o ministro José Jorge admitiu que as cotas do racionamento poderão ser diferentes nas regiões atingidas pelo racionamento. Contra o Nordeste também conta os piores índices desde o início do racionamento e o nível dos reservatórios, que está apenas 1,4 ponto percentual acima do previsto pelo ONS. A redução do consumo no Nordeste, até ontem, foi de apenas 16,3%.
Seguro - No Sudeste e Centro-Oeste a situação é mais confortável em relação ao nível dos reservatórios, que estão com folga de 3,86 ponto percentual. A economia continua abaixo da meta, registrando apenas 18,6%. A nova meta do racionamento também poderá ser reduzida, progressivamente, até abril, quando termina o período de chuvas. Seria uma estratégia para armazenar água nos reservatórios, um espécie de seguro para enfrentar o novo período seco.
A GCE também determinou que os condomínios residenciais serão tratados como comércios. Não seguirão as regras de pagamento de sobretaxa de até 200% adotadas para residências. Pela nova regra, a sobretaxa para os condomínios será paga pelo valor médio dos leilões de energia da Bovespa, no último mês. O valor vigente é de R$ 245,00 por MW.