Domingo, 23 de Setembro de 2001
Bush: economia vai se recompor breve

O presidente americano George Bush assegurou, ontem, que a economia americana é ''fundamentalmente forte'' e conseguirá se recompor. Fazendo pressão em todas as frentes - militar, diplomática e econômica -, Bush teve um encontro com consultores para discutir novas estratégias contra o terrorismo.

Bush conversou longamente com o presidente russo, Vladimir Putin, para acordos mútuos de combate ao terrorismo. Em sua terceira conversa com Putin, Bush agradeceu o apoio de Moscou.

Nos EUA, Bush se prepara para anular essas atividades com a assinatura de uma ordem executiva nacional, que chamou de ''organizações terroristas e terroristas específicos''. Espera-se que essa ordem seja assinada amanhã. O documento tem a intenção de fechar as atividades desses terroristas nos Estados Unidos e impedir que a eles seja dado apoio financeiro.

''Os terroristas que atacaram os Estados Unidos em 11 de setembro atingiram tanto nossa economia, quanto nosso povo. Derrubaram um símbolo da prosperidade americana, mas não puderam tocar na fonte dessa prosperidade'', disse o presidente.

Os choques posteriores aos ataques abalaram a economia na última semana. Um número cada vez maior de analistas acredita que os Estados Unidos entraram em recessão.

O medo de que a guerra seja inevitável, aumentado depois de o Afeganistão não ter cumprido o ultimato dos Estados Unidos para entregar o saudita Osama bin Laden - principal suspeito dos atentados -, levou as ações blue chips (mais cotadas na Bolsa de Nova York) à maior queda em uma semana, desde a Grande Crise de 1929.

O índice industrial das 30 companhias blue-chip (mais cotadas) do Dow Jones - as jóias da coroa da economia americana - caiu 140 pontos na sexta-feira passada, trazendo as perdas da última semana para 14.2% - menores apenas quando comparadas às do verão de 1933, que chegaram a 15,5%. ''Nossa economia sofreu um choque'', disse Bush, mencionando o aumento de desemprego, principalmente nas companhias aéreas, indústrias hoteleiras, restaurantes e empresas de turismo.

''Muitos americanos também viram cair o valor de seus estoques. Ainda assim, diante de todos esses desafios, a economia americana é fundamentalmente forte'', enfatizou Bush. O presidente americano também discutiu com o Congresso a liberação de US$ 15 bilhões em ajuda emergencial para as companhias aéreas americanas. O Senado e a Câmara dos Deputados aprovaram a lei na sexta-feira.

O presidente dos Estados Unidos assegurou que o Congresso e a Casa Branca estão coordenando esforços para ''colocar a economia se movendo de novo''. O presidente do Banco Central Americano, Alan Greenspan, e o secretário do Tesouro Nacional, Paul ONeill, pediram cautela aos senadores e aos deputados na hora de definir as medidas de estímulo econômico, até que os impactos dos ataques estejam claros. Entre as opções consideradas, está o corte de impostos em capital ganho na venda de ações. ONeill sugeriu que as decisões sejam dosadas para ''que se tenha certeza de que, ao tentar fazer o certo, não se acabe causando maiores danos''. Bush previu que o corte de US$ 1,35 trilhão nos impostos, redução nos juros e nos preços de energia iriam estimular a economia e promover um ''clima de melhora nos negócios''.

Há algumas semanas, o presidente republicano estava partindo para disputas com os democratas sobre corte nos impostos, orçamento e prioridades nos gastos. Mas a crise nacional depois dos ataques terroristas uniu o Congresso e o país.

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