Quinta-feira, 13 de Setembro de 2001
Bate-boca no Congresso

GILSON LUIZ EUZÉBIO

BRASÍLIA - Uma audiência para explicar aos deputados o novo acordo do Brasil com o Fundo Monetário Internacional (FMI) acabou em bate-boca entre o ministro da Fazenda, Pedro Malan, e os representantes do PT. Malan atacou o PT e recebeu o troco em tom duro dos deputados Ricardo Berzoini e Aloísio Mercadante, ambos do PT de São Paulo.

Malan chamou Mercadante de mentiroso e o deputado responsabilizou Malan pelo aumento da dívida pública, pelo desequilíbrio das contas externas. Malan disse que o prazo médio da dívida externa, de US$ 206 bilhões, é de 14 anos e, por isso, não é problema. E classificou de ïïfrouxo'' o discurso da esquerda contra o pagamento da dívida. Berzoini lembrou que a dívida interna era de R$ 60 bilhões em 1994 e hoje já atingiu R$ 641 bilhões, impondo um custo de R$ 121 bilhões por ano em pagamento de juros.

Dívida - Malan diz que o aumento deveu-se ao reconhecimento de dívidas não assumidas por governos anteriores. Mercadante entrou na briga e pediu que o ministro fosse menos arrogante e passasse menos tempo no site do PT e se dedicasse à releitura do que escreveu contra o FMI e o monetarismo antes de ser ministro. Com cópias de artigos e um exemplar do livro ïïFMI e o Brasil: a Armadilha da Recessão'', Mercadante enumerou diversos pontos para mostrar que Malan ïïmudou de lado''.

ïïÉ verdade. Eu escrevi e não me arrependo e me sinto honrado por o senhor tem se debruçado sobre textos meus de 20 anos atrás'', retrucou Malan. O ministro argumentou que o mundo mudou e é preciso lidar com os problemas do século XXI. Malan disse que não perderia tempo lendo o que Mercadante escreveu há muitos anos e que só acessa o site do PT na Internet quando lhe dizem que lá ïïhá coisas mentirosas''.

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