Domingo, 9 de Setembro de 2001
Título de capitalização briga por mercado da poupança

Oferecendo prêmios, mas com menor rendimento, setor cresceu 96% desde 95

Um misto de investimento e aposta. Aplicar dinheiro em uma poupança programada com a possibilidade de concorrer a prêmios que podem chegar a R$ 1 milhão. Essas são algumas das iscas do negócio que, desde 1995, acumula crescimento de 96% e, só no primeiro semestre deste ano, movimentou R$ 2,3 bilhões. É o mercado dos títulos de capitalização, produto aprovado por uns e contestado por outros.

''Quando o cliente compra um título de capitalização, ele não adquire uma dívida e sim guarda dinheiro pelo menos por um ano com a possibilidade de ser sorteado'', diz a presidente da Comissão de Capitalização da Federação Nacional das Empresas de Seguros (Fenaseg) e diretora de Capitalização da Real Seguros, Rita Batista.

No tipo de capitalização mais comum, o investidor deposita uma quantia por mês durante um ano, concorre a prêmios de diferentes valores e, caso não seja sorteado, recebe o dinheiro que investiu de volta corrigido pela TR (Taxa Referencial), sem os 6% de juros pagos pela poupança. Caso saque antes do prazo mínimo de um ano, perde parte do que foi investido.

Contas - O vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel José Ribeiro de Oliveira, alerta que, como investimento, a compra dos títulos de capitalização não é um bom negócio. ''Uma aplicação de R$ 100 na poupança resultará no fim de um ano em R$ 108,73, com juros de 6% ao ano'', diz ele. E compara: ''Já na capitalização, supondo que o cliente tenha optado pelo pagamento único do título, como o da Telesena, por exemplo, em 12 meses ganha R$ 53,00, o equivalente a 50% do valor depositado corrigido pela TR. Não compensa.''

Rita Batista rebate a crítica. ''Não dá para comparar poupança e títulos de capitalização. São produtos diferentes. Quem aplica nesses papéis abre mão dos juros para concorrer aos sorteios.'' É que nos títulos de capitalização, as empresas se valem dos juros que deixam de ser pagos ao aplicador para custear os sorteios. O lucro resulta do spread (diferença) entre o rendimento da poupança e o das aplicações em que os valores são realmente investidos.

A Sul América Capitalização, empresa mais antiga no ramo, foi além dos títulos tradicionais (pagamento único ou mensal em até 60 meses) e abriu o leque de opções. Automóveis, motos, computadores, eletrodomésticos entre outros já podem ser adquiridos através da capitalização. ''Com isso, o cliente pode programar a compra da geladeira e do carro tão sonhado com a possibilidade de ser sorteado e levar o valor do produto'', diz Sergio Diuana, vice-presidente da companhia.

Diuana explica que, nesse negócio, o cliente pode obter o bem sem ter que passar por uma consulta prévia nos serviços de proteção ao crédito, como ocorre nos financiamentos. ''É um investimento que beneficia principalmente a baixa renda'', diz. É bom lembrar, que nesse caso, o consumidor não estará recebendo crédito. Ao contrário, vai pagar pelo produto antecipadamente, por isso a consulta prévia não é necessária.

Outra nova opção é a poupança premiada da Caixa Econômica Federal. O produto combina os rendimentos e a liquidez da poupança com os sorteios dos títulos de capitalização. O superintendente da Caixa Capitalização, Rivo Matias Pirez dos Santos, acredita que o investimento não exclui os títulos de capitalização, existentes na própria empresa. ''Foi uma boa idéia, mas existe produto para todos'', considera.

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