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Projeções de trimestre perdido
Analistas não esperam uma recuperação imediata da economia
VERA BATISTA
O terceiro trimestre ainda não terminou, mas as expectativas para os resultados econômicos no período não são animadoras, de acordo com a análise de economistas e empresários. Os três últimos meses do ano, apesar da tendência sazonal de crescimento, por conta da expansão das vendas de fim de ano, também não são motivo de alegria para o conjunto das indústrias.
''Na verdade, o segundo trimestre foi o pior, o que não significa que o terceiro vai ser uma maravilha'', ironizou o economista José Márcio Camargo, da Consultoria Tendências. Ele mantém sua projeção de crescimento econômico de 2% este ano e não está otimista em relação a uma possível queda dos juros. ''Com a pressão da crise argentina, que dá a impressão de que a possibilidade de calote das dívidas interna e externa continua, os juros devem ser mantidos no atual patamar de 19%'', afirmou.
Reformas - Para Camargo, o grande problema é que o país tem déficit fiscal de 6% do Produto Interno Bruto (PIB), apesar de ter registrado superávit primário nas contas públicas. Para reverter este quadro, disse, o Brasil precisa fazer uma série de reformas, que tornem os mercados eficientes e em condições de atrair os investidores estrangeiros. Os problemas, segundo ele, estão localizados nas áreas de energia elétrica, água, legislação trabalhista e Previdência.
Carlos Antônio Magalhães, assessor de investimentos da Sirotsky e Associados, diz que está esperando crescimento zero no terceiro trimestre e recessão no início do ano que vem. As taxas de juros devem permanecer nos atuais níveis e o câmbio fecha o ano com cotação entre R$ 2,45 e R$ 2,50. Ele lembra que os resultados das empresas (principalmente nos setores de construção civil, agricultura, plástico, petroquímico e siderúrgico) já estavam em queda no primeiro semestre, sinalizando o que pode acontecer.
''Vamos voltar ao início da década de 90. Só os bancos devem continuar com o bom desempenho, que é de cinco vezes acima dos outros setores, acentuando a diferença em relação às outras empresas. Vamos também manter uma das características do Plano Real: os pobres ficaram mais pobres, e os ricos, mais ricos. As grandes empresas continuam competitivas lá fora'', disparou Magalhães. O economista da Sirotsky lembra que o racionamento de energia trouxe sérios prejuízos ao país, já em compasso de espera dos investimentos estrangeiros diretos depois que se constatou a queda do crescimento econômico mundial.
Metalurgia - No setor de metalurgia, as expectativas para o ano dependem de como é direcionada a produção da empresa: para o mercado interno ou para o externo. No primeiro caso, os impactos da desaceleração provocada pelas crises energética, da Argentina e da desvalorização cambial foram mais sentidos. No segundo, a previsão é de pequeno crescimento, mas com perspectivas de expansão para novos mercados. A desvalorização do real trouxe benefícios.
A Metalúrgica Mangels Industrial S/A (fabricante de rodas para automóveis e autopeças de aço estampado), com 80% da produção voltada para o mercado interno, prevê queda no faturamento de 2% no terceiro trimestre deste ano em relação ao anterior (quando as vendas cresceram 18% no confronto com o primeiro trimestre de 2001). Na análise de Adelmo Felizati, diretor de relações com investidores, a situação deve mudar no fim do ano.
A expectativa é de recuperação nas vendas a partir de outubro, porque a tendência é de aumento nos estoques do comércio. Mesmo assim, como 50% da produção é voltada para o setor automobilístico, que está encolhendo também por conta das crises interna e externa, a Mangels deve fechar o ano com crescimento nas vendas de 7%. ''Poderia ter sido de 10% sem esses entraves'', assinalou Felizati. Ele espera que o racionamento de energia acabe em abril de 2002. Se isto não acontecer, ''não haverá crescimento de receita. As vendas devem se igualar às de 2001''.
Situação diferente vive a Metalúrgica Metisa, fabricante de peças para tratores e implementos agrícolas. Exporta 25% da produção e não tem endividamento em dólar. Por isso, se beneficiou com a alta da taxa de câmbio. Também não chegou a registrar perdas com a crise argentina. ''A Argentina representa apenas 10% das nossas exportações. Agora estamos procurando novos mercados para compensar esta lacuna'', contou Osvaldo Trisotto, diretor de relações com investidores.
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