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Mercosul: FH quer retomar o diálogo
SONIA CARNEIRO
LAJEADO, TO -
O presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem, ao participar da inauguração de uma hidrelétrica em Tocantins, que está disposto a retomar o diálogo com o governo argentino. Para que as conversações sejam efetivamente retomadas, o presidente prometeu manter contatos com o seu colega Fernando De La Rúa, presidente da Argentina. Numa tentativa de amenizar as divergências comerciais entre os dois países, Fernando Henrique disse que conversa ''sempre com o presidente De La Rúa''. ''É claro que vou continuar conversando. Ainda não conversei mas se tiver tempo conversarei'', destacou.
Mas a posição do governo brasileiro de suspender as negociações sobre 14 itens da pauta das trocas comerciais entre os dois países foi considerada como ïïum alerta'' pelo presidente da República. O presidente admitiu ainda a influência da crise econômica e política na Argentina na nova alta do dólar no Brasil. ïïÉ claro que afeta. Se não afetasse, não tinha esse problema'', disse.
''Assim não dá'' - Fernando Henrique disse que o Brasil continua disposto a ajudar a Argentina a superar seus problemas, mas acabou fazendo nova crítica ao país. ïïAssim não dá. Não se resolve problema próprio criando problemas para terceiros'', protestou o presidente, referindo-se às últimas medidas argentinas que prejudicaram as exportações brasileiras. O presidente evitou falar mais sobre a desvalorização do real. ïïIsso quem explica é o Banco Central'', afirmou.
Durante o vôo, Fernando Henrique manifestou preocupação com a situação da Argentina e sua relação com a alta do dólar aos ministros de Estado e ao líder do governo no Congresso, deputado Artur Virgílio (PSDB-AM). ïïO presidente está preocupado. Mas ainda tem esperanças de que tudo possa acabar bem'', disse o líder. Porém, nas conversas, Fernando Henrique teria admitido ainda que durante algum tempo o país continuará tendo ïïmuitos problemas'' para estabilizar a moeda brasileira. ïïO problema é que a crise de lá está se refletindo aqui'', afirmou Virgílio. ïïEnquanto tiver turbulências no país acreditamos que não vamos escapar de turbulências aqui também'', acrescentou o deputado.
Aliados - No impasse diplomático que colocou novamente em lados opostos brasileiros e argentinos, os demais componentes do Mercosul tendem a apoiar as medidas tomadas pelo Brasil. Não se trata de solidariedade. Paraguai e Uruguai, assim como o próprio governo brasileiro, pregam a manutenção das decisões tomadas em grupo. ''Os acordos estão aí para serem respeitados. Se temos coisas acordadas não se pode mudar'', afirma o ministro conselheiro da Embaixada do Uruguai, Gustavo Vanério.
O conselheiro da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), Mauro Laviola, diz que o comportamento adotado pelos dois países mais fragilizados do Mercosul se justifica. ''Eles são como mariscos: levam lambadas das ondas do mar e das pedras.''
Colaborou Luciano Pires, de Brasília
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