Sábado, 7 de Julho de 2001
BC conta com sorte para deter dólar

Depois de atingir R$ 2,56, moeda recua para R$ 2,435 graças à venda da Caixa Seguros. Valorização na semana é de 5,2%

CESAR BAIMA

O mercado financeiro brasileiro viveu um dia de boatos e forte especulação ontem. No câmbio, o dólar comercial atingiu a cotação recorde histórica de R$ 2,56 durante a manhã para depois ceder e fechar a R$ 2,435, em queda de 1,42%. Apesar disso, a moeda americana acumulou uma valorização de 5,27% frente ao real na semana. Além de uma intervenção do Banco Central, cujo volume não foi divulgado, colaborou para o recuo da moeda americana uma entrada de divisas atribuída ora à conclusão da compra do controle da Caixa Seguros pela seguradora francesa CNP Assurances ora a recursos trazidos pela Petrobras.

No final da tarde, o mistério foi solucionado com a confirmação por parte da CNP da finalização do negócio, de cerca de US$ 459 milhões, para adquirir uma participação de 50,75% na antiga Sasse. ''Esse dinheiro entrou no dia certo. O mercado melhorou e é isso que importa'', avalia Hermann Miranda, diretor de Câmbio da corretora Liquidez.

Sinais e boatos - Na noite de quinta-feira, as negociações no after-market do câmbio sinalizavam uma forte alta do dólar para ontem por conta do receio dos investidores de uma ruptura dos acordos comerciais do Brasil com a Argentina. ''Ontem (quinta-feira), esse mercado chegou a um clima extremo com as declarações e decisões de Cavallo (Domingo Cavallo, ministro da Economia argentino)'', considera Miranda. Turbinado com boatos de demissões na cúpula do BC, o dólar disparou.

Segundo Miranda, com a cotação num patamar considerado por elas próprias exagerado, tesourarias de diversas instituições financeiras aproveitaram para realizar lucros antes que o BC interviesse no mercado e deram início a uma ''euforia de venda'', que forçou a queda da moeda americana. ''O investidor que comprou dólares por um valor mais baixo viu a cotação chegar alta e entrou na ponta de venda'', concorda Alexandre Marchetti, analista financeiro do InvestShop.

No início da tarde, com o dólar estacionado em R$ 2,497, o BC vendeu papel-moeda, ao mesmo tempo em que o mercado era abastecido com as divisas referentes à venda da Caixa Seguros. ''O BC entrou e derrubou bem o dólar. Não tenho idéia do volume (da intervenção), mas ela assustou os especuladores e fez a cotação recuar'', diz Marchetti. De acordo com Miranda, o BC fez várias pequenas intervenções de US$ 10 milhões e ultrapassou um pouco a cota diária de cerca de US$ 50 milhões calculada a partir do anúncio de que a instituição colocaria no mercado nem mais nem menos que US$ 6 bilhões até o fim do ano. Para alguns operadores, porém, foi o fluxo de dólares da venda da Caixa Seguros que salvou o Banco Central de ter que abandonar a nova determinação de intervenções diárias e lineares no câmbio para controlar a alta do dólar.

Efeito-dominó - As moedas de outros países latino-americanos também estão sofrendo com as crises na Argentina e no Brasil. Ontem, o dólar fechou valendo recordes 4.150 guaranis paraguaios, que acumula uma desvalorização de 15,45% este ano frente à moeda americana. Já no Chile, o peso local ficou estável um dia depois de o banco central do país intervir no mercado para conter a alta do dólar, que já ultrapassou 12% em 2001.

Acompanhando o nervosismo cambial, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) chegou a cair 1,84%. À tarde, com o recuo do dólar, a Bovespa recuperou parte das perdas e terminou o pregão em queda de 1%, com um volume negociado de R$ 523 milhões. Nos Estados Unidos, as bolsas tiveram um dia de forte queda. As advertências de várias empresas de que seus resultados no trimestre serão piores do que os previstos, somadas à alta na taxa de desemprego, fizeram com que a Bolsa de Nova Iorque fechasse em baixa de 2,17%, enquanto a Nasdaq recuava 3,65%.

Cheque de R$ 1,065 bi

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