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Corte destrói projeto arquitetônico
Arquiteto e decoradora terão que cortar 82% do consumo da casa que criaram para viver apenas de energia elétrica
O elegante banheiro da casa da decoradora Elza Maria Victor no Cosme Velho tem sauna, duas cubas, clarabóia no teto, que é rebaixado em gesso para abrigar 14 focos de luz, e um buraco. Ali ficaria a jacuzzi. Quando leu a primeira notícia de como seria o racionamento de energia, Elza olhou a conta de luz do mês de abril e percebeu que a banheira, se comprada, nunca poderia ser ligada. Preferiu ficar com o buraco. ''Não posso ter mais nada elétrico'', lamentou.
As frustrações da decoradora não ficam por aí. Ela, o marido - o arquiteto Anor Passeri - e o casal de filhos, de 19 e 18 anos, têm pela frente a difícil tarefa de reduzir o consumo médio de energia da casa que, em abril, bateu os 2.100 kWh. Será um corte de 20% sobre o consumo médio dos meses de maio, junho e julho do ano passado. O problema é que, nesse período, o relógio da casa não passou dos 450 kWh. ''Por essa regra eu vou ter que ficar nos 360 kWh'', espanta-se. E o corte, na prática, será de 82%.
Iluminação- A matemática acima tem explicação. O casal empregou os últimos meses, depois de quatro anos de obras, em valorizar a construção. E tudo, absolutamente tudo, passou a contar com uma iluminação própria e especial. Só no jardim, de menos de 200 metros quadrados, existem 50 pontos de luz. O caminho do portão da rua à porta principal tem luzes embutidas no meio fio, os arbustos até três spots e as laterais da construção também são iluminadas. Dentro da casa, apenas os quartos dos filhos tem duas luzes. Todos os outros ambientes contam com, no mínimo, oito focos equipados com lâmpadas dicróica, que devoram energia.
Além de bem iluminada, a casa de Elza também é muito bem equipada. O ar-condicionado da suíte do casal - onde existem 16 focos de luz - é uma possante máquina de 24 mil BTUs. O aquecimento da casa é garantido por um boiler igualmente potente. E na cozinha, além de equipamentos convencionais - multiprocessador, batedeira, espremedor, torradeira e faca elétrica - há ainda um belo fogão elétrico, numa bancada central. Só ele, segundo as contas das concessionárias de energia pode devorar 1.094 kWh, se usado quatro horas por dia.
''Vou ter que racionar tudo'', desespera-se a decoradora. E os cortes já começaram. Luzes, que eram acesas de dia, nem pensar. E os spots ligados à noite também já foram cortados. O banheiro, por exemplo, vive na penumbra. Das 14 luzes, apenas duas podem ser ligadas. O ar-condicionado do quarto será substituído por um ventilador. Mas a cozinha não tem jeito. ''Ela foi toda construída em torno de um fogão que não ocupa espaço praticamente nenhum. É uma bancada, com gaveteiro para panelas em baixo'', explica. A solução será radical e Elza e o marido arquiteto sofrem só de pensar: vão mandar fazer um puxadinho ao lado da casa e montar ali uma cozinha convencional, com fogão a gás.
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