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Domingo, 3 de Junho de 2001
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O custo Califórnia
Colapso de energia elevou preços que afetam o Brasil
VALDEREZ CAETANO
BRASÍLIA -
A crise de energia da Califórnia bate no bolso do brasileiro. Em pouco mais de um ano, quando aconteceu o colapso de abastecimento no estado americano, as tarifas de energia gerada por petróleo e gás aumentaram 230%. Por tabela, a demanda americana aqueceu os preços internacionais, e o barril de petróleo Brent, para entrega em julho, é negociado hoje a US$ 29. Esse desarranjo nos preços internacionais, somado à desvalorização do real, ameaça provocar alta da gasolina já em julho no Brasil.
Entre opiniões divididas, um trabalho de técnicos do BNDES tenta demarcar uma posição entre os que atribuem a crise americana à desregulamentação parcial e não integral do setor. Há especialistas brasileiros que, devido à crise americana, defendem a interrupção da desregulamentação e das privatizações no Brasil.
Na Califórnia, o modelo começou em 98 para criar um ambiente competitivo na comercialização (os consumidores podiam escolher a distribuidora) e na geração, mas falhou porque dividiu geradoras, que tiveram preços liberados, e geradoras, que tiveram preços congelados e acumularam prejuízos de US$ 13 bilhões em um ano.
Estrangulamento - Lembra o professor da UFRJ Adriano Pires que uma lei ambiental e o rigor americano com essa questão fazem com com que cada projeto de nova indústria demore até sete anos para ser viabilizado. Outro fator de estrangulamento na Califórnia foi a regulamentação do comércio de energia. As distribuidoras não tinham o direito de adquiri-la das geradoras, mas só no mercado à vista. Os preços foram à Lua, e as grandes distribuidoras Edison e Pacific Gas enfrentaram pesadas perdas.
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