O presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem que o país poderá estar totalmente livre da febre aftosa até 2002. ''A meta inicial era 2005, mas acho que esse objetivo possa ser cumprido mais cedo. Talvez, até o fim de meu mandato'', afirmou, durante discurso de encerramento do XII Fórum Interamericano de ministros da Saúde e da Agricultura, que aconteceu na capital paulista.
FH lembrou que atualmente 60% do rebanho da América do Sul estão em áreas consideradas livres da doença. ''O rebanho sul-americano é dos mais saudáveis, mas isso não quer dizer que podemos deixar de tomar medidas para erradicar totalmente o problema'', disse, referindo-se ao acordo assinado entre os países do Mercosul, da Bolívia e do Chile, para uma ação conjunta de vacinação do gado. ''Esse é um esforço elogiável'', frisou.
Em conjunto - Esse foi o principal resultado do Fórum, que durou seis dias e contou com a presença de diversas autoridades do hemisfério. O acordo, que foi assinado na quinta-feira, prevê a cooperação de todos os países do continente no combate à febre aftosa.
O Brasil, inclusive, doará cerca de 1 milhão de vacinas ao Uruguai, que já contém mais de 90 focos da doença. ''A disseminação da febre é muito rápida e precisamos combatê-la de maneira eficaz'', disse o ministro da Agricultura e Abastecimento, Marcus Vinicius Pratini de Moraes. Na Argentina, o número já atinge a marca de 300 focos em todo o país.
Protecionismo - O presidente Fernando Henrique Cardoso criticou ainda o protecionismo de países desenvolvidos contra produtos brasileiros. ''São inúmeros os produtos do Brasil que sofrem injustificadas restrições. Além de discriminatório, é um entrave dos mais antigos ao desenvolvimento do país''. A crítica foi uma referência as barreiras tarifárias impostas por países desenvolvidos, entre eles os Estados Unidos, ao aço e ao suco de frutas brasileiros.
O presidente fez questão de defender o livre comércio mundial. ''As minhas palavras não devem ser entendidas como sendo contra o livre comércio, mas quando se fala em livre comércio é necessário que seja de mão dupla, beneficiando ricos e pobres'', declarou. ''É inaceitável que continuemos sendo punidos pelo fato de sermos competitivos, por contarmos com uma agricultura e uma pecuária de qualidade'', elogiou.
O presidente voltou a afirmar que o governo continuará a atuar com rigor na questão das patentes de remédios. A posição do governo brasileiro tem sido a de autorizar a produção interna de medicamentos cujos laboratórios internacionais não negociam redução de preços. FH foi aplaudido por um auditório lotado quando disse que os detentores de patentes têm que produzir pensando na saúde do povo. ''O governo brasileiro vai atuar sempre para beneficiar a saúde da população'', disse, em resposta ao governo americano que vem criticando a Lei de Patentes do Brasil. ''Na própria legislação americana existem dispositivos semelhantes''.
Após o encontro, o presidente seguiu para Ribeirão Preto, onde participou da 8ª Feira Internacional de Tecnologia Agrícola (Agrishow 2001). No evento Fernando Henrique Cardoso falou que ''as coisas'' no setor agrícola estão se encaminhando, graças a novas tecnologias.