Segunda-feira, 29 de Janeiro de 2001
Internet gratuita apesar do prejuízo

JORGE HENRIQUE CORDEIRO

SÃO PAULO - O anúncio feito nos últimos dias pelo iG e BOL de lançar serviços pagos a seus usuários não assusta o BRFree, precursor dos provedores gratuitos no Brasil. Apesar de estar há 40 dias com serviço de acesso pago, Leonardo Malta Leonel, presidente do provedor com sede em Belo Horizonte, diz que o foco principal estará sempre na internet gratuita e que é perfeitamente viável manter o serviço no mercado brasileiro, contando apenas com a publicidade. ''Em março ou abril estarei chegando ao ponto de equilíbrio nas contas. A partir daí, é lucro'', afirma Leonel, que em 2000 teve prejuízo de US$ 2,8 milhões. O balanço financeiro da empresa está sendo auditado pela consultoria Price Waterhouse.

Leonel admite que acabou a febre com a internet no Brasil, em especial em relação ao acesso gratuito à rede mundial de computadores, mas assinala que o modelo não se esgotou. ''A internet gratuita é até necessária, para expandir a rede.'' Segundo Leonel, não é a gratuidade que está em xeque, com a desistência de algumas empresas como Super11, NetGratuita e outros. ''O que está em xeque são as empresas pontocom que não tiveram um plano de negócio.'' Leonel critica a UOL, empresa que sempre combateu o modelo da internet gratuita, por considerá-lo inviável. ''Eles combateram, mas lançaram a NetGratuita, que após três meses fechou. Isso foi só para depreciar o mercado, não tenho dúvida.''

Segundo Leonel, o fato de a BRFree, que tem cerca de 310 mil usuários cadastrados, ter lançado um serviço pago há pouco mais de um mês não mostra o enfraquecimento do modelo que adotou. O acesso pago foi pedido pelos usuários, diz. ''Só lancei o serviço porque muitos não gostavam do nosso miniportal, que é fundamental para obter a receita publicitária''. O miniportal fica na tela passando anúncios aos usuários do serviço gratuito.

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