Segunda-feira, 29 de Janeiro de 2001
Preço salgado

Endividamento prejudicou leilão da Anatel

GABRIELA LEAL E LUIZ GUSTAVO RABELO*

BRASÍLIA - Os preços mínimos estabelecidos pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para as nove licenças das bandas C, D e E da telefonia móvel podem ter contribuído para afastar investidores externos da disputa, diante do alto nível de endividamento das empresas no mercado internacional.

''Alguns possíveis interessados manifestaram como razão para não participar do leilão os elevados preços mínimos'', declarou o conselheiro da Anatel, Antônio Carlos Valente da Silva. Os preços mínimos variam de R$ 540 milhões a R$ 1,01 bilhão.

Negócio difícil - O conselheiro informou que o nível de endividamento das empresas junto a bancos externos subiu de 13% para 38%, de acordo com estudos internacionais, devido à participação dessas empresas nos leilões da terceira geração da telefonia na Europa.

''Dentro desse novo contexto de custos financeiros mais elevados, talvez os preços mínimos tenham sido também um componente que tornou os planos de negócios mais difíceis de serem viabilizados, em função da dificuldade de captação no mercado internacional'', afirmou o conselheiro Valente. Ele também apontou como motivo do afastamento dos investidores internacionais a queda das ações das empresas de tecnologia nos últimos meses.

Valente ressaltou ainda que a demora no processo de licitação pode ser prejudicial aos investidores do novo negócio, uma vez que 600 mil novas habilitações de celulares são feitas no país por mês, restando parcela cada vez menor de clientes a serem captados.

* Agência JB

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