E-mails e telefones
Shopping JB Online
Home
Tempo Real

Colunistas
Coisas da Política
O espectador engajado

Tostão
Teoria e prática

Wilson Figueiredo
Terapia de grupo

Informe JB
Lembra a ditadura?

Cartas
Bingos

Horóscopo

Contos Mínimos
Na feira

Gente
Maravilhado

Charge Online

Marcia Peltier
Efeito Brahma

Emir Sader
O artigo de Emir Sader será publicado amanhã

Fritz Utzeri
O Corão contra o Copom. Juros, a porta do inferno

Augusto Nunes
A gafieira ameaça o minueto

Nas Páginas da História
21 de Março no JB

Informe Econômico
América na mira

Boechat
Sabor da Paraíba

Gilberto Amaral
Na berlinda

Estilo Iesa
Saldo assinado

Antonia
Se liga

Paulo Blank
Mea Culpa

Domingo Listas
Dez programas que incomodaram a Globo

 


Terapia de grupo


Quando o Brasil não ia tão bem como fazia crer, nem tão mal como merecia, o governo podia não governar mas fazia de conta. A oposição não se opunha, mas gesticulava. Não era necessário mais do que isso. A maioria dos cidadãos se dava por satisfeita. Minoria não pesa.

Não tem a assinatura do autor, mas, é fora de dúvida, encenamos o Pirandelo possível. Como nas peças dele, ''assim é se nos parece''. Mas não precisa ser. Hoje, no Brasil, é governo de um lado, oposição de outro, mas com papéis trocados. Na posse de novo ministro, o presidente de um partido que vive à sombra de governos, não cresce nas urnas, mas aumenta a bancada entre uma eleição e outra, pediu a cabeça do ministro da Fazenda e do presidente do Banco Central.

Pirandelo à parte, foi assim mesmo. A solenidade oficial no Planalto reuniu só gente de cima. Quem não era presidente da República era presidente de partido ou de comissão. Gente conectada no que o governo tem de melhor, qual seja, cargos bem situados. A oposição saiu em defesa do ministro da Fazenda, que entrou em cena por uma porta enquanto o chefe da Casa Civil saía por outra. Mera coincidência? Talvez não houvesse essa relação entre entrar e sair, mas assim é, se assim parece.

Lamentavelmente o Brasil chegou a uma situação em que, por falta de oposição eufórica, os ataques ficaram por conta dos que não nasceram para o trabalho pesado. Um presidente (de partido), em plena solenidade de posse de um ministro, estraçalha o ministro da Fazenda e o presidente do Banco Central, as torres gêmeas da famosa política econômica do governo Lula. Se assim não foi, pareceu. O presidente propriamente dito, leia-se Lula, levou o desaforo para casa, mas nem assim. Além do noticiário, nada aconteceu. O Brasil civiliza-se.

O passo seguinte foi a oposição, ainda em convalescença do mal de ter perdido o governo, despachar emissário de paz à tribuna do Senado com a missão de outorgar ao ministro da Fazenda o alto título republicano de salvador da economia. Tasso Jereissati parecia senador paulista da República Velha. A dupla Palloci-Meireles manteve a cabeça sobre os ombros e continua solfejando o estribilho da estabilidade que o governo FH comprou e Lula até hoje cobra dos brasileiros. É o espetáculo franciscano dos 15 meses do governo Lula. O Brasil apura traços democráticos com a assinatura de Luigi Pirandelo.

Era solenidade de posse, não terapia de grupo. Quem não era presidente de alguma coisa, fazia papel de vice. A última impressão, se não ocorrer outra melhor, é de que o Brasil andou perto de um buraco que nada tem a ver com o abismo que desempenhou papel importante nas crises passadas. Contribuía para golpes e contragolpes. Ponto para o Brasil.

Dessa vez o abismo ficou longe. Se não é, parece que Lula aprendeu a ouvir sem responder na bucha. Já leva desaforo para casa. Vai acabar providenciando uma escultura com figuras de destaque na oposição que não disse a que veio. Assim é porque parece.

O presidente Lula não se abalou com a rachadura na base de sustentação. Era previsível. O PL, que cresce por fora das urnas, provou que a palavra é livre. Qualquer um pode pedir substituição de ministro. Gente da base de sustentação é paga com nomeação. É o que o PMDB espera, mas demora. Os juros não descem ao nível do chão e as eleições municipais estão longe. Como não podia deixar de ser, ou pelo menos parecer, a técnica de discordar contagiou toda a base aliada. Se o PT pode, por que não? É assim mesmo, e não apenas parece.

O também presidente (ainda que do PL), Valdemar Costa Neto, pediu mudança da política econômica e insistiu na troca do ministro da Fazenda ''por alguém que tenha competência''. Motivo? Nem tudo que é bom para Ribeirão Preto é satisfatório para o Brasil. Mas o PL é a legenda do vice-presidente, função ornamental que encerra hipóteses a considerar com respeito. Nomeações demoradas, como se sabe, não têm boa digestão. O vice José Alencar já percebeu que a vice presidência ficou mais longe da Presidência: pelo contrato de campanha feito com Lula, ele indicaria o ministro dos Transportes. A seu ver, a cláusula valia também para o substituto. Mas Lula nomeou outro. Não se sabe se Alencar perdeu pontos com a cruzada contra os juros ou pela natureza esdrúxula do cargo do qual emana eterna suspeita. Falta conferir, mas parece que a peça mudou com Pirandelo. Entra Palloci em cena e José Dirceu sai sem ser notado. À francesa, como se dizia.


Aumentar letras Versão para imprimir Diminuir letras Enviar matéria

[21/MAR/2004]


   Home > Colunas > Wilson Figueiredo

Tempo Real | Brasil | Economia | Esportes | Rio | Internacional | Colunas
Internet | Caderno B | Domingo | Programa | Musicalidade | Viagem | Acelera
Idéias | Horóscopo | Especiais | Opinião | Editorial | Charge | Cartas