BRISTOL, EUA -
O futebol europeu vai bem. O futebol europeu vai mal. As duas conclusões são válidas se olharmos o que se passa no mundo financeiro com o inglês Manchester United, em particular, e os clubes italianos, em geral.
A renda líquida do Manchester United, no ano passado, chegou a US$ 55 milhões e, neste ano, já está em US$ 67 milhões. As ações, cotadas a duas libras e dez centavos (a libra vale US$ 1,70), renderam 17 centavos de dólar a seus investidores no último exercício.
O magnata russo Roman Abramovich recentemente adquiriu o controle acionário do Chelsea. Dizem que há interessados em fazer o mesmo com o Manchester United, ao custo de US$ 1 bilhão. Um deles poderia ser o americano Malcolm Glazer, proprietário do Tampa Bay Buccaneers, atual campeão do Super Bowl, que já é o quinto maior acionista do Manchester.
Na Velha Bota, os dirigentes parecem copiar o modelo brasileiro. Ou nossos cartolas copiam o modelo italiano. Será que existe na herança genética algo que torna os anglo-saxões competentes em finanças e os latinos desastrados?
Na Liga dos Campeões, os times italianos lideram seus grupos, com Internazionale, Juventus, Milan e Lazio. Mas, nas arquibancadas da Série A, impera a violência e a caixa dos clubes está deficitária. A Segunda Divisão este ano começou com dez dias de atraso, depois de lances rocambolescos no tapetão. O Roma esteve ameaçado de ficar fora da Série A por ter dado falsas garantias bancárias.
A Fiorentina de Cecchi Gori e o Lazio de Sergio Cragnotti faliram espetacularmente. O governo italiano precisou intervir em fevereiro com um decreto apelidado Salvação do Calcio, no momento sob investigação da União Européia, por ser um subsídio do Estado. Todos os clubes italianos lançaram mão do decreto, com exceção do Juventus, amparado pela Fiat, embora ela mesma esteja em crise.
Mesmo assim, o Milan só subsiste com uma subvenção anual do Grupo Finninvest, de Sílvio Berlusconi, que é também proprietário do clube e primeiro-ministro da Itália. O vice-presidente do Milan e braço direito de Berlusconi, Adriano Galliani, é também o presidente da Federação Italiana.
Tudo parece funcionar ao melhor estilo do Exército Brancaleone. Os clubes ganham títulos, compram jogadores, perdem dinheiro, ganham mais títulos, compram mais jogadores, perdem mais dinheiro. O edifício balança, balança e só não caiu por causa do socorro do governo, num relacionamento promíscuo em que não se sabe até onde Sílvio Berlusconi é primeiro-ministro da Itália e onde começa a ser cartola esportivo.
Mas poderá cair na próxima temporada, se depender do australiano-americano Rupert Murdoch. Com a fusão da Stream e da Telepiu, ele passou a monopolizar a televisão por satélite na península e poderá impor suas condições para as transmissões das partidas no campeonato 2004-2005.
Calma no Brasil
Vocês conhecem Kevin Kuranyi? Nasceu no Rio, jogava no Serrano, de Petrópolis, foi para a Alemanha aos 14 anos e agora é convocado pela terceira vez para a Seleção do país. Fez 15 gols em 32 jogos, no ano passado na Bundesliga, pelo Stuttgart. Tem três passaportes: brasileiro, alemão e panamenho.
Um dos encantos na língua italiana é o número de palavras idênticas ao português, não apenas parecidas, e foi por pressa na digitação que sábado passado aqui saiu viento na letra do Rigoletto, em vez de vento. Mas, em napolitano, diz-se viento e em barletano vient. Talvez haja na península mais dialetos do que queijos e vinhos. Giuseppe Verdi falava um dialeto parecido com o francês, mas a letra da ópera, de Francesco Maria Piave, é em italiano mesmo.
Alguns leitores divertiram-se com o washlet. Informo que os americanos descobriram o bidê, não o inventaram, pois você não pode inventar algo que já existia, embora a maioria da população daqui nunca o tenha entendido.