BRISTOL, EUA- Por razões longas de explicar, achei-me entre o mar e o rochedo. Sem tempo e sem inspiração. Para fazer jus ao salário, julguei de bom alvitre fustigar o Bei de Túnis de nosso esporte, o venturoso empresário Ricardo Teixeira.
Mas meu coração abrandou-se com o passar dos anos e vejo tantas pessoas nele atirando pedras que, em vez de um acesso de raiva, tive um ataque de riso. Dizem-me que o campeonato vai continuar. Como asseverava o velho samba, foi uma história banal, um capítulo a mais na ópera-bufa a toda hora posta em cena por nossos cartolas.
Se sobrevivermos a tais solavancos, chegarmos ao fim do ano com um ganhador não contestado nos tribunais e diminuirmos o número de participantes no Brasileirão de 24 para 20, ainda teremos um campeonato de verdade em nossas mãos.
Ah, parece também que querem aumentar o preço dos ingressos. Acho justo, até certo ponto. Se aumentarem demais, serão punidos pelas leis do mercado, pois o limite está no interesse do público e em seu poder aquisitivo.
É um pouco como as reclamações que volta e meia leio na imprensa brasileira contra as emissoras de televisão por assinatura. Elas são uma indústria que cresce no mundo inteiro e a realidade brasileira não pode ser dessemelhante. Quem quer assistir a um produto esportivo diferenciado mais cedo ou mais tarde compreenderá que nem sempre conseguirá encontrá-lo nos canais abertos.
Adam Smith já explicava, há mais de 200 anos, mesmo sem ver televisão.
Em perigo
Mais do que em Héctor Cúper, a raiva da torcida do Internazionale Milano Football Club (e assim o chamo para mostrar que pertence ao gênero masculino) parece concentrada no uruguaio Álvaro Recoba, El Chino, depois de mais uma temporada em que o time fracassa em sua tentativa de chegar ao título italiano e sobra também na Liga dos Campeões.
O Inter está no momento empenhado em disputar o vice-campeonato da Série A com o Milan. A situação é fascinante, porque, se o Milan ganhar nesta última rodada e o Inter perder, os dois terão que se enfrentar em um playoff para decidir o segundo lugar.
O interesse nada tem de acadêmico. Está na balança uma vaga automática para a próxima Liga dos Campeões. Se o Juventus Football Club (reparem que também é masculino) for o ganhador em Manchester e o Milan ficar na segunda colocação na Itália, o Inter terá que se contentar em disputar as eliminatórias para a próxima Liga.
O Milan, mesmo em terceiro na Itália, está na verdade numa situação mais tranqüila, pois uma vitória em Old Trafford lhe garantirá um lugar como defensor de seu título na próxima Champions League, sem precisar de eliminatórias.
Quanto ao Inter, é tão difícil o time se livrar do Recoba quanto do Cúper. O uruguaio ganha quase cinco milhões de dólares por ano e, com o aperto da maioria dos clubes italianos, ninguém parece disposto a assumir o seu contrato.
O técnico já ganhou na Bota o apelido de ''Galinha'' Cúper, por suas táticas defensivas.
A inspiração
É possível que Gustavo Kuerten reencontre seu jogo e tenha boa atuação em Roland Garros. Seu adversário de estréia, o grandalhão suíço Marc Rosset, não é dos mais temíveis. Mas também é verdade que o contrário vem acontecendo: os adversários deixaram de temer Guga.
Um que finalmente poderá estourar em torneio de Grand Slam é o também suíço Roger Federer. Já André Agassi, aos 33 anos, conhece o gosto da vitória e é uma inspiração para Guga, que poderá ter ainda anos produtivos pela frente, se estiver aberto a novas idéias e novos conselheiros.
Entre as mulheres, Kim Clijsters é a segunda cabeça-de-chave. A belga vem melhorando a cada temporada, tem grande potência nos golpes e pode quebrar a série de vitórias de Serena em torneios de Grand Slam.