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Domingo, 1 de Julho de 2001

O paciente não é um consumidor qualquer


O Rio de Janeiro vem vivendo tempos de investimento privado na saúde. Hospitais modernos e bem equipados têm sido inaugurados e estão contribuir para melhorar a qualidade do atendimento médico à população. Vieram somar-se aos já tradicionais Pró Cardíaco, Clínica São Vicente, Samaritano, São Vicente de Paulo, Casa de Saúde São José etc e outros da qualidade da Rede DOr (Barra e Copa).

É bom ver crescer todos os seguimentos dos cuidados à saúde. Saúde pública e privada se complementam e têm papéis importantes para todos os cidadãos, de qualquer classe social. Todos estamos sujeitos a dengue, gripe ou acidente. Portanto, políticas sanitárias e de emergência eficientes beneficiam a todos, mesmo àqueles que têm posses ou opções.

Hospitais de emergência como Miguel Couto e Souza Aguiar são a melhor opção para o primeiro atendimento de um acidentado. Apesar de algumas carências, estão treinados 24 horas, 7 dias na semana. Nestes anos, adquiriram agilidade e precisão neste tipo de atendimento e também em boa parte dos casos agudos de um modo geral.

O maior serviço de cardiologia do estado do Rio de Janeiro continua sendo o Instituto Nacional de Cardiologia, antigo Hospital de Cardiologia de Laranjeiras, unidade de referência do Ministério da Saúde. Sua produção cirúrgica saiu da média de 250 ao ano até 1995, para alcançar o expressivo número de 948 em 2000. Destas, mais de 400 foram em crianças, fazendo com que a unidade seja responsável sozinha por 80% deste tipo de cirurgia no estado.

Ou seja, como num todo, a cardiologia do Rio vai bem. Ganhou a confiança da população que já não recorre, com a mesma freqüência, à ponte aérea para São Paulo. Os Hospitais Universitários Pedro Ernesto da UERJ e Clementino Fraga da UFRJ cumprem um importante papel na pesquisa básica. Contamos com profissionais e equipamentos do mais alto nível. Estamos voltando aos velhos tempos, aonde cirurgiões como os professores Zerbini e Jatene vinham aprender as técnicas de cirurgia cardíaca em nossa cidade.

É preciso dizer que também a cardiologia nacional teve seus primeiros passos dados por aqui. Apesar de bem-vindos, não precisamos ''importar'' profissionais de outros estados, pois só isto não lhes confere eficiência. É preciso valorizar o que de bom nós temos. Não basta dinheiro para se cuidar bem da saúde. É preciso experiência, técnica, conhecimento, humildade e às vezes comprometimento com seu local de trabalho.

Belas campanhas de marketing enchem os olhos, mas as vezes, como em alguns hotéis, as fotos são melhores do que a realidade. A saúde pode até ser um bom negócio, tanto que investidores de outras praças têm aterrizado por aqui, mas o paciente não é um consumidor qualquer e precisa estar informado adequadamente sobre o ''artigo'' que ele compra. Cada instituição deve fornecer informações corretas e detalhadas sobre seu potencial, tradição, equipamentos e treinamento de todo seu pessoal.

É preciso estar atento. Hospitais já foram lançados no passado, alavancados por forte campanha publicitária e, passado algum tempo, verificou-se uma fraca capacidade de desempenharem seu papel. Não se pode admitir que um grupo venha instalar-se na nossa cidade, vendendo a informação equivocada de ser o maior serviço de cardiologia.

A população é carente e ávida por informação, o que permite que alguns forneçam matéria enganosa ou em meias verdades. Medicina é feita no dia-a-dia e não no discurso. As informações médicas veiculadas com o único sentido de vender serviços, remédios ou qualquer outra coisa devem ser reguladas por órgãos competentes. Caso contrário, a população fica sujeita a inverdades, com o único sentido de fazer dinheiro.

viver@jb.com.br

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