Duas vaidades

[29/JAN/2005]

A vaidade é própria do ser humano, independentemente de ser homem ou mulher, adulto ou criança. Observamos que as pessoas vaidosas estão identificadas com seu ego, com a sua personalidade.

A vaidade tem muitas gradações. Desde a mais tenra e simples até aquela que é capaz de destruir a própria pessoa. A vaidade faz com que a pessoa acredite que o que ela pensa, sabe ou sente é a conclusão final de tudo o que existe em relação a tal assunto. Torna-se crítica e desdenhosa em relação a tudo que desconhece, e nem sequer percebe a sua própria ignorância. Aliás, ela não se admite ignorante, porque para ela nada existe além de seus conhecimentos.

A pessoa vaidosa usa da rispidez para se defender de qualquer possível questionamento quanto às suas convicções. Tanto no aspecto intelectual, quanto afetivo-emocional, material ou espiritual. Sua vaidade não lhe permite ser humilde para aprender mais, nem ser flexível para admitir outras possibilidades, novos caminhos. O sentimento de posse de seus dotes intelectuais, do fascínio que exerce sobre outras pessoas, de seus conhecimentos espirituais ou de seus bens materiais faz com que a pessoa vaidosa acredite que é a dona da verdade. Porque, possuindo um acúmulo de coisas ou fatos, se crê detentora de um grande poder. O poder de olhar para os outros como ''inferiores'', de cima para baixo. Essa é a vaidade que mata, que destrói, que faz do vaidoso, ao final de algum tempo, vítima de si mesmo. Pensando que pode tudo sozinho se esquece de olhar que o outro é fundamental para a nossa existência.

Mas existe também aquela vaidade amena e criativa que faz com que tenhamos cuidado com nosso corpo, com nossa roupa. Que cultivemos a satisfação de querer saber mais. De sair de um estado ignorante para um estado de conhecimento. A vaidade amena nos enche de prazer ao olharmos a harmonia de cores combinadas, de espaços integrados, de oferecer o melhor, de receber com largueza. Essa é a vaidade da satisfação, do prazer.

Na vaidade da soberba, a pessoa fica tão identificada com a sua atuação que acaba se enamorando de si mesma. Acreditando que é insuperável, no máximo, encontrará poucos iguais, nunca superiores. É aquela que diz ''não sou rei mas sou amigo do rei'', e trata a todos como súditos. Ou ainda, aquela que realmente acredita que é rei e quer ser reconhecida na sua majestade. Essa vaidade é filha do egoísmo, daquele que não vê o outro. É a vaidade de quem, ganhando mais dinheiro, reivindica para si a autoridade e a atenção. Sente prazer na notoriedade. É a mesma vaidade que, ligando-se a valores superficiais, faz com que a pessoa queira se comparar e competir com atores de novelas e cinema, cantores e pessoas que se destaquem, gastando tempo e energia e esquecendo-se que somos incomparáveis. Cada alma tem características próprias e individuais, e o sucesso de cada um se encontra na sua interioridade. Todos nós possuímos, em essência, os componentes para sermos criativos, originais e bem-sucedidos.

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