Há poucos dias, cientistas anunciaram a descoberta de um novo planeta, a 150 anos-luz da Terra. O responsável pela façanha, Maciej Konacki, se empolgou, não segurou a imaginação, deixou a seriedade de lado e declarou que o tal planeta deve ser como Tatooine, já que orbita ao redor de três sóis. A comparação não fez muito sentido para meio mundo, pois ninguém tem a obrigação de conhecer um dos planetas mais famosos da ficção, onde nasceu Luke Skywalker, herói da série Guerra nas estrelas, de George Lucas, na qual o universo é mostrado como um grande condomínio, cheio de vizinhos estranhos. Nesses filmes, muitos dos planetas têm habitantes que não se parecem com a gente. Nesse ponto Lucas concorda com os cientistas, como revela o documentário
Missão espacial, exibido quarta-feira pelo Discovery Channel.
O programa descreve como seria nossa chegada a um planeta com vida, tão distante que só seria possível conhecê-lo através de sondas com inteligência mais ou menos equivalente à de uma modelo transformada em apresentadora de TV. A produção colhe o depoimento de cientistas para explicar as situações descritas. O que mais chama a atenção é a variedade de formas dos animais que habitariam o planeta. A possibilidade de surgir formas semelhantes às que conhecemos é remotíssima. Os caminhos da evolução são inúmeros e nem um banqueiro da zooloteria saberia dizer que bicho vai dar em cada planeta.
Cada vez que os produtores de cinema e TV criam um extraterrestre bonzinho com feições diferentes das nossas estão não apenas sendo coerentes, mas prestando um serviço para a paz intergalática no futuro. Quando um belo dia fizermos contato com outra forma de vida inteligente e dermos de cara com um ser esquisito, nossa reação vai depender do tipo de ficção que a humanidade produziu até então. David Spielberg poderá ser considerado uma espécie de Gandhi, pois conseguiu fazer com que os terráqueos se afeiçoassem a criaturas horrendas como a do E.T. do filme. Vamos lá, admita que o E.T. é feio demais, com aquele pescoço fálico e aquele dedão de meter medo em próstatas. No entanto, todo mundo o acha bonitinho - como um jogador de futebol que fica milionário e vira sex-symbol.
Nossa simpatia pelo E.T., pelo Alf, pelo Yoda, pelos Klingons e tantos outros pode nos ajudar a não fazer com os extraterrestres o que já fizemos na Terra com gente muito menos diferente: detoná-los. Já imaginaram o que faremos se em nossas pesquisas descobrirmos vida em outro planeta? Vamos agir como a Europa agiu com a América indígena. É claro que, agora que progredimos, para subjugar os novos vizinhos usaremos uma bela justificativa. ''Eles têm armas de destruição em massa'', por exemplo. Será que é uma boa vasculhar tanto o cosmos? O que será que motiva a Casa Branca a gastar milhões de dólares nessas pesquisas? O que seria melhor, descobrir ou ser descoberto? Talvez fosse mais jogo esperar o contato dos outros planetas. Deixa que eles liguem pra gente. Eles devem ser mais humanos...