A televisão já fez mal a muita gente, seja através de programas alienantes, atrações que estimulam a sexualidade de crianças, edições de debates que derrubam candidatos à Presidência, produções que exploram a miséria alheia etc, etc, etc. Mas ninguém foi tão vilipendiado, aviltado e esculachado pela TV quanto o Batman. Em tempos de Batmania, promovida pelo filme
Batman begins - que respeita e vai fundo nas origens do mais sombrio dos heróis criados em toda a história da humanidade -, cabe um momento de reflexão sobre como o mascarado foi ridicularizado no fim dos anos 60 com a série de TV americana
Batman, estrelada por Adam West.
Se João Paulo II pediu perdão pela atitude da Igreja durante o Holocausto e se o presidente Lula pediu perdão pela escravidão dos africanos no Brasil, alguém deveria pedir formalmente desculpas pela série que arrasou o homem morcego. Infelizmente, o produtor do seriado, William Dozier (que também narrava as histórias), não pode fazer isso, pois morreu em 1991. Mas seria justo que a rede americana ABC, que criou a série, e todas as emissoras ao redor do mundo que a exibiram fizessem um comunicado oficial lamentando terem transformado Batman em um sujeito barrigudo de malha justa, capaz de dançar no meio de uma aventura e usar aparelhos esdrúxulos como o bat-analisador de sopa de letrinhas.
Sabemos que era apenas uma piada. Mas escolheram o personagem errado para mexer. Havia tantos super-heróis para se prestar a esse papel e pegaram logo o mais soturno deles. Por que não fizeram isso com os que têm inverossimilhanças em sua elaboração? Todos os outros personagens são altamente satirizáveis. Como o Super-Homem pode ficar irreconhecível quando usa um óculos, como a Mulher Maravilha acha o avião invisível, por que o Homem-Aranha não solta teia pelo traseiro (como as aranhas), como a calça do Hulk não rasga? Essas são apenas algumas das piada feitas sobre os heróis. Mas há algo mais preocupante sobre esses seres criados para nossa diversão. Será que daqui a milhares de anos, outras civilizações, ao estudar os restos de nossa era, vão achar que acreditávamos na existência desses super-heróis, da mesma forma que hoje dizemos que os antigos levavam a maior fé em medusas, esfinges, ícaros e minotauros? Santa ridicularização, Batman!