A internet é uma mão na roda para quem procura informações sobre qualquer coisa. Um site de busca é capaz de trazer informações sobre um determinado tema de forma mais rápida e com mais atualizações do que uma ida à biblioteca mais próxima. Não é à toa que professoras já andam reclamando que alunos chegam com trabalhos de casa com textos copiados na íntegra de alguma fonte da internet, sem ao menos se darem ao trabalho de lê-los. Mas toda essa conveniência e comodidade tem seu preço.
A internet é terreno fértil também para quem gosta de plantar notícias falsas, seja por pura molecagem ou para ensinar uma lição a quem confia cegamente no que lê por aí. Há até sites especializados em inventar reportagens, como ''chineses importarão carne canina do Brasil'', ''garoto-propaganda das Casas Bahia é demitido por sair do armário'' ou ''músicas inéditas acabarão em 15 anos''. A grande rede mundial de computadores é também o lugar ideal para lendas urbanas ganharem força, através de emails que contam histórias de gente que foi decepada por um ventilador de teto ou um homem que voou com balões de gás.
O curioso é que esses causos, tão vívidos no meio de comunicação que promete enterrar todos os outros (é, a internet), vêm sendo desmentidos pelo veículo mais criticado pela disseminação do idiotismo: a televisão. O programa Mythbusters - Caçadores de mitos, do Discovery Channel, derruba historinhas e crenças com origens das mais diversas, incluindo os quadrinhos e o cinema, através de experimentos da dupla formada por Adam Savage and Jamie Hyneman. Por mais de uma vez já presenciei grupinhos discutindo experiências do programa como quem conversa sobre novela.
Os apresentadores do Mythbusters reproduzem as situações descritas nos boatos e provam que celulares podem ser usados em postos de gasolina sem explodirem tudo em volta, que uma pessoa não morre se for pintada de tinta dourada, que cartas de baralho não podem ser usadas para degolar alguém, que Coca-Cola limpa sangue ou que carros revestidos de papel alumínio podem ser detectados por radares. A palavra dos Mythbusters é a verdade. A dupla do programa hoje deve ter um índice de credibilidade maior do que o de qualquer político, qualquer apresentador de telejornal, qualquer ídolo de rock fundador de ONG. Algum tempo atrás, os Mythbusters poderiam até provar que preservativos combatem a Aids. Mas não seria bom para a imagem deles. Afinal, quem são os Mythbusters para confrontarem algo que foi dito por João Paulo II?