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A vovó do sexo vem ao Brasil


É comum atores de seriados americanos da TV por assinatura serem trazidos ao Brasil para promoverem as produções de que fazem parte. Nesta semana, mais uma celebridade pinta por aqui para participar do mesmo esquema: entrevista para jornalistas, encontros com colegas brasileiros do mundo artístico e city-tour pelo Rio, posando para fotos em pontos turísticos. Mas desta vez a tal convidada não é nenhuma jovem beldade recém-revelada em uma atração com o único objetivo de entreter os telespectadores. A bola da vez é Sue Johanson, a educadora sexual que apresenta o programa Falando de Sexo com Sue Johanson, exibido no país pelo GNT. Sue chamou a atenção do público por ser uma vovozinha - ela não revela a idade, mas tem cara de que já fez 69, no bom sentido, é claro - que fala de sexo.

Normalmente, a TV só relaciona velhinho ao sexo se for para despertar risos. É o caso de Dercy Gonçalves, que até hoje desperta gargalhadas quando menciona partes íntimas ou ameaça mostrar as suas. Vale lembrar ainda uma antiga propaganda de microondas que trazia uma velhinha afirmando que o aparelho dava ao consumidor uma economia de tempo para fazer coisas mais agradáveis, ''como, por exemplo, sexo''. A senhora ficou famosa do dia para a noite e até chegou a dar entrevistas para jornais. Só por ter falado ''sexo'' numa propaganda.

Mas com Sue, o buraco é mais embaixo. Ninguém vê seu programa para rir. Bom, pelo menos, não para rir dela. É mais fácil achar graça das pessoas que fazem perguntas que demonstram total ignorância do assunto do que de Sue falando de órgãos genitais. Também é divertido ver como a vovó do sexo recebe com a maior naturalidade as perguntas mais bizarras dos telespectadores.

- Sue, não sei como dizer isso, mas eu acho que meu namorado e minha namorada pegaram uma doença venérea de um tamanduá que mora nos fundos da casa de swing que minha mãe freqüenta com meu tio. Posso continuar usando o mesmo chicote que eles?

- Não tem por que se envergonhar. Isso é muito natural. Qual é o nome do tamanduá?

É mais ou menos assim. A única parte em que realmente rimos de Sue é na hora do quadro no qual mostra vibradores e outros apetrechos. Mas riríamos de qualquer pessoa que aparecesse na tela com aqueles aparelhos que mais parecem instrumentos de tortura medieval. Ainda mais quando são acionados e insistem em pular da mão da apresentadora ou correr pela mesa, como se fossem mísseis guiados pelo calor. Rimos da cena, não do fato de ser uma velhinha. Mas não sabemos se é assim que pensam Marcelo Madureira e Arthur Dapieve, do quadro Sem controle, do programa Armazém 41, também do GNT. Os dois, que já entrevistaram Sue na TV, vão passear pelo Rio com a vovó. Sabe-se lá para onde vão levá-la. Gracejos não vão faltar, é claro, mas insisto que o riso, nesse caso, não é por ser Sue. É por ser sexo.

Sexo pode ser algo muito sério, capaz gerar vida, causar morte, mudar os rumos da história etc. Mas é irresistível brincar com o assunto, torná-lo algo mais engraçado. Até profissionais do setor fazem isso. Vejam o caso do For Man, canal lançado pela Globosat esta semana. Voltado para o público homossexual masculino, com filmes eróticos, causou o riso de muita gente já pelo nome, que tem mais jeito de canal de mulher pelada. Ouvi gente dizendo que devia ser um erro de digitação e que o canal deveria se chamar Former Man. Outros disseram que o canal tem tudo a ver com a TV a cabo. Mas a coisa ficou mais engraçada quando foi anunciado que o primeiro filme do canal, Duro como pedra, era um título da produtora Pau Brasil. Sue explica.


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[03/ABR/2005]


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