Que o julgamento de Michael Jackson, acusado de abusar sexualmente de um menino de 13 anos, é um espetáculo para o público, ninguém nunca questionou. Mas agora o caso é também um programa de televisão, com exibição em todo o mundo. É o que o E! Entertainment Television anunciou esta semana. Diariamente o canal, que pode ser visto no Brasil pela TVA e Directv, exibirá o
The Michael Jackson Trial, com uma edição especial no domingo, com o melhor dos últimos dias. Não se trata da simples transmissão do julgamento do réu, como acontece em outros casos, através da Court TV - canal que teve recordes de audiência quando exibiu o processo contra o ex-jogador de futebol americano e ator O. J. Simpson. Se fosse só uma câmera passando as imagens ao vivo do pop-star garantindo que não brincou de médico com seus amiguinhos, ainda poderiam argumentar que se tratava de jornalismo.
Só que não foi permitida a entrada de câmeras no julgamento de Michael Jackson. Para compensar, o E! então partiu para a reconstituição do evento, com atores interpretando o juiz, o réu, os advogados, o meirinho, o júri, o guarda que segura a Bíblia para o juramento e tudo mais que a gente vê nos filmes de tribunal. Para o papel de Michael Jackson, escalaram o já famoso Edward Moss, um sósia do cantor. É a cara de um, focinho do outro. E se não me engano o rapaz é branco (há muita maquiagem nas fotos, não dá para ter certeza). Também já estão sendo escolhidos os atores que interpretarão atores, já que Elizabeth Taylor e Jane Fonda devem testemunhar no julgamento. Também participarão do programa analistas jurídicos, entre nomes trazidos do Court TV, e até um advogado que ficou famoso quando participou da equipe de defesa de O. J. Simpson. Um show. Quase um reality show.
Digamos que Michael Jackson não tenha a sorte que teve seu colega O . J. Simpson e vá em cana. Não seria impossível que alguém tivesse a idéia de pagar companheiros de prisão de Michael para dizer o que tem acontecido com o pop-star lá dentro. Com as informações, quem sabe o próprio E! poderia produzir o Michael Jackson in prison, encenando o dia-a-dia do sujeito no presídio. Edward Moss de novo no papel principal. É claro que a censura teria que ser 18 anos, pois todos sabemos o que os vizinhos de cela do cantor fariam com alguém condenado por crime sexual. Michael nem precisaria fazer o moon-walk. Para ter mais público, poderiam fazer uma versão mais light do programa, pegando leve na crueldade da prisão. Talvez até um musical, com a celebridade cantando sucessos como Bad pelos corredores do presídio. Thriller também cairia bem no novo cenário.
Mas como a indústria do entretenimento é deveras complexa nos Estados Unidos, com o sistema judiciário negociando com canais de TV, poderíamos imaginar os promotores oferecendo uma proposta de abrandamento de pena para o astro.
- Senhor Jackson, temos uma proposta a lhe oferecer.
- Eu lhe dou um autógrafo, gravo uma mensagem cantando na secretária eletrônica do juiz e vocês me deixam cumprir a pena no meu rancho?
- Não. O senhor deixa uma equipe de TV transmitir seu dia-a-dia na prisão e reduziremos sua pena em cinco anos. Diremos à mídia que é uma campanha educativa para ensinar o público sobre o sistema penal.
- Ok. Fechado. Mas tem uma condição.
- Qual?
- Posso receber visita de crianças na cela?