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Público barrado no baile


O grande filé das transmissões de TV no carnaval sempre foi o desfile das escolas de samba do Rio. Milhões de reais são gastos pela Globo para acompanhar a evolução das alas pela Sapucaí, com dezenas de câmeras, efeitos mirabolantes, uma trupe de repórteres e 700 profissionais para dar suporte a toda essa parafernália. A Bandeirantes também torra uma grana preta para pular atrás dos trios elétricos de Salvador, numa maratona de 50 horas de transmissão ao vivo de axé (acreditem, o Ibope garante que há um bom público para isso). Mas tem gente que não está nem aí para esses megaeventos. Entre os que acompanham a festa de Momo da poltrona, existe um grupo que trocaria tudo isso por uma mísera câmera transmitindo os bailes de carnaval. E por mais de um motivo.

Um deles é o humor. Os bailes são um prato cheio para o telespectador que está a fim de rir. Tanto que uma das atrações mais esperadas este ano é a estréia do Repórter Vesgo e do Silvio Santos fake (os humoristas Rodrigo Scarpa e Ceará) no ramo. Os integrantes do Pânico na TV farão plantão, pela Rede TV!, na porta do Scala, no Rio, nesta terça, para acompanhar a chegada dos foliões do Gala G, famoso por contar com travestis, drag-queens e demais figuras bem humoradas. Vesgo e Silvio, craques de improviso, terão a missão de arrancar pérolas do pessoal, assim como Monique Evans, que também estará no local a serviço da emissora. Eles não têm permissão para entrar no salão, sabe-se bem por quê. É aí que está o motivo de muita gente ainda se lembrar dos velhos bailes transmitidos pela TV, e que hoje não aparecem mais na telinha.

Na década de 80, quando existia muito menos corpos nus na TV, muito menos insinuações de sexo em cenas de novela ou pegadinhas do João Kléber, os bailes eram a única chance de o telespectador ver alguma safadeza. Um par de seios, que fosse. A transmissão começava à noite, com câmeras mostrando gente ainda se animando. As horas corriam, o álcool subia e algumas mocinhas começam a despontar como favoritas dos câmeras. O telespectador fazia suas apostas. Aquela loura do lado do gringo com jeito de He-Man iria tirar o sutiã antes da morena fantasiada de oncinha. No finzinho da festa era um ''liberou geral'', um festival de fantasias jogadas pro alto, com cinegrafistas tendo que tomar cuidado para não registrar coisas chocantes para a TV daquele tempo, ainda que de madrugada.

Na verdade, mesmo as tentativas de não mostrar demais acabavam fazendo rir, como foi o já lendário caso do ''fecha na Prochaska!'', quando Otávio Mesquita pediu para o câmera dar um close em sua colega de apresentação, a atriz Cristina Prochaska. Mas o sujeito achou que se tratava de um novo apelido para a genitália feminina e focalizou a parte de baixo do biquíni de uma foliã. Quanto mais Otávio gritava ''fecha na Proschaska!'', mais close ganhavam as partes íntima da moça. O próprio Otávio Mesquita nasceu assim para o público, fazendo rir em bailes de carnaval, com perguntas engraçadinhas para quem pulava o apimentado carnaval dos clubes. Chegava a conferir implantes de silicone ou operações de mudança de sexo em travestis.

Hoje não é comum uma emissora transmitir um baile de carnaval de dentro do salão. Mas a proibição deve ser para criar uma aura de mistério em torno do evento. Duvido que seja para preservar o público de alguma cena imprópria, pois é difícil que apareça lá algo muito mais forte do que já vemos durante a programação normal...


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[06/FEV/2005]


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