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Não é só a altitude


Não há dúvidas de que a altitude prejudicou o Brasil. Isso é um fato. Outro são os crônicos problemas da Seleção. Repito, pela milésima vez, que nos últimos dois anos o time brasileiro só brilhou e ganhou com facilidade das fraquíssimas seleções de Bolívia, Venezuela e Hungria. Qualquer dificuldade é motivo para seleções medianas se igualarem ao Brasil.

Não foram também as ausências do Kaká e Juninho Pernambucano e a presença do Alex que fizeram o Brasil jogar tão mal contra a Colômbia. Discordo, ainda, de a Seleção viajar no dia do jogo para lugares altos. Isso diminui os efeitos da altitude, mas é pouco relevante. O problema mais importante é a bola, que corre demais e atrapalha aos jogadores. Por isso, é melhor chegar dois dias antes e treinar para se acostumar com a velocidade da bola.

A escalação do Kleberson, torto pela esquerda, e a entrada do Dudu Cearense no lugar do Juninho Pernambucano foram injustificáveis. Parreira não tinha dito que convocara o Julio Baptista para o lugar do Alex para aumentar a forca física do banco?

Nesses dois anos, Parreira teve méritos. Ele não fez excessivas mudanças no time e no elenco e escalou Juninho Pernambucano ao lado dos dois Ronaldinhos e do Kaká. Isso demorou para acontecer e era um antigo pedido da crônica esportiva.

Porém, Parreira tem sido muito repetitivo e óbvio. Além de bons conhecimentos técnicos, as suas grandes virtudes são a prudência, o equilíbrio e a racionalidade. Os seus grandes defeitos são o excesso de prudência, de equilíbrio e de racionalidade.

Após a Copa de 2002, o Brasil jogou com a mesma postura e desenho tático os 90 minutos de todas as partidas, sem uma única variação. Parreira não precisa ser o Mario Sergio, que muda o esquema tático e de jogadores em todos os jogos, nem precisa entrar para o livro dos recordes como o técnico mais repetitivo do mundo.

O Brasil atua sempre com três volantes (Parreira diz que são dois meias e um volante) e três no ataque. Kaká e Ronaldinho Gaúcho voltam para receber a bola, mas não são armadores. São meias atacantes. Os três volantes recuam demais para proteger os quatro defensores e marcam de longe. Quando recuperam a bola, estão muito distantes e não se misturam com os três da frente.

Isso dá tempo para o outro time se organizar na defesa e marcar os três atacantes. Por isso e pela incapacidade dos três volantes de darem passes rápidos e longos, raramente Ronaldo recebe um lançamento em velocidade, a sua principal jogada.

O volante ou o armador da direita (Juninho Pernambucano) e o da esquerda (Zé Roberto ou Edu ou Kleberson) nunca saem também de suas posições. É proibido passar para o outro lado. Tudo certinho. Parece time inglês ou de botão.

Além disso, o Brasil tem muitos bons jogadores para as três posições do meio-campo, contudo não tem um único excepcional. Já foram escalados uns 20 nesses dois anos. Todos são comuns. Juninho Pernambucano é o mais talentoso, porém joga mais de volante do que de meia. Sem falar no supercraque Zidane, faltam ao meio-campo do Brasil meias armadores, como Xavi, Deco, Beckham, e volantes, como Vieira, Veron (quando estava em forma), que não são também nenhuma maravilha. Não entram nessa avaliação meias atacantes, como Ronaldinho Gaúcho, Kaká, Totti e outros.

Parreira e muitas pessoas vão argumentar que o Brasil só vai brilhar quando tiver os 20 dias de treino antes da Copa. Aí os craques vão decidir, como em 2002. Não é sempre assim. As outras seleções têm quase os mesmos problemas e vão também treinar mais antes do Mundial de 2006. É preciso formar logo um bom conjunto.

Esperado e temido

Por causa da posição crítica de Flamengo e Botafogo, de ser um tradicional clássico estadual, da cultura de violência que se espalha por toda sociedade brasileira e das absurdas agressões entre torcedores e jogadores do Flamengo (é preciso colocar limites éticos e legais para punir e conter a insana agressividade humana), o jogo entre Flamengo e Botafogo é o mais esperado e temido da rodada.

Por causa da briga, da goleada sofrida para o Atlético-MG por 6 a 1, de ter a maior torcida do Brasil e de nunca ter participado da Segunda Divisão, os jogadores do Flamengo estão muito mais pressionados. Isso vai ajudar ou atrapalhar o time?


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[21/NOV/2004]


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