JB Online - Copa do Mundo 2002

















Direitos dos torcedores

O Ministério dos Esportes criou um grupo para elaborar um código de defesa dos direitos do torcedor. Será também uma ótima maneira de pressionar e ajudar na transformação do futebol brasileiro. Os estádios, federações e clubes vão precisar de tempo para se adaptar às mudanças.

Todo torcedor tem o direito de ser respeitado e tratado com carinho nos estádios de futebol.

Todo torcedor tem o direito de ser protegido contra violência, não enfrentar filas e tumultos nas bilheterias, ir e voltar em ônibus seguros, assistir aos jogos em lugares individuais e numerados, utilizar banheiros limpos e fazer pequenas refeições em locais adequados.

Todo torcedor tem o direito de estacionar o carro em lugar seguro, pago. Os estádios serão responsabilizados por quaisquer danos ao veículo.

Todo torcedor tem o direito de torcer, vaiar, xingar o técnico de burro e entrar no estádio com a camisa de seu clube - o que não significa participar de torcida organizada. O torcedor não pode é brigar, ofender e destruir os ônibus e instalações dos estádios. Os baderneiros perderão o direito de freqüentar os campos e serão responsabilizados criminalmente por seus atos.

Todo torcedor tem o direito de assistir a campeonatos organizados, comprar carnês das partidas de seu time para todo o ano. Os horários não podem ser mudados, nem os jogos cancelados, à exceção de casos especiais.

Todo torcedor tem o direito de escolher o canal de televisão (aberto ou fechado) para assistir às partidas da seleção. Não pode haver exclusividade.

Todo torcedor tem o direito de ter advogados públicos para defendê-los e para exigir o cumprimento das leis e de seus direitos. Todos os estádios são obrigados a ter delegacias para defender os direitos dos torcedores.

Todo torcedor tem o direito de ter assistência médica gratuita e eficiente nos estádios de futebol.

Todo torcedor tem o direito de ler nos jornais o balancete de seu clube. O sócio-torcedor deve receber em casa essas informações.

Nada disso é utopia, nem favor. É um direito do torcedor.

Pragmatismo

A revista inglesa World Soccer publicou, em sua última edição, uma entrevista com todos os técnicos das seleções que irão ao Mundial. Debaixo da foto do Scolari, estava escrito: ''Pragmático, como sempre''. No título, o destaque para a frase do treinador brasileiro: ''Se precisar jogar feio para ganhar, iremos jogar feio''.

Para as pessoas mais racionais, pragmáticas e apaixonadas pelo futebol de resultados, Felipão disse o óbvio. Para eles, é incompreensível alguém pensar diferente. Por outro lado, as pessoas mais sonhadoras, pensadores, que valorizam a subjetividade e a beleza do futebol, diriam que por trás do discurso do técnico há uma profunda insensibilidade e desconhecimento da dimensão do esporte.

Como sou um homem dividido, com um pé na realidade e outro no sonho, que tem o defeito de tentar ser equilibrado, procuro entender os dois lados. É preciso sonhar com os pés no chão.

Se o Brasil perder e jogar mal, serei duro nas críticas. A seleção não tem obrigação de ganhar o título, já que há boas equipes, no mesmo nível e até melhores, mas tem a obrigação de mostrar um bom futebol.

Se o Brasil perder e jogar bem, o técnico e os jogadores terão meu reconhecimento. Se jogar mal e vencer, ficarei numa alegria contida. Direi que o time foi eficiente.

Mas se o time ganhar e brilhar, ficarei radiante! Essa seleção se tornará eterna.

Detalhes do jogo

Na primeira partida o São Caetano foi melhor. Em vez de recuar, o time do ABC pressionou e não deixou os armadores do Corinthians trocarem passes.

Contra o São Paulo, no meio da semana, funcionou a manobra ofensiva do Corinthians, de recuar o Leandro, com ou sem a bola, para a entrada do Deivid em diagonal. Essa jogada não é melhor porque o Gil não faz o mesmo do outro lado e o Leandro limita-se a tocar a bola para os lados.

Muito mais importante do que esses detalhes técnicos é o Corinthians respeitar o São Caetano como time grande e a equipe do ABC se sentir pressionada e compromissada a ganhar um título.



[28/ABR/2002]

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