Saravá, Xangô
Integrantes do grupo Cordão do Boitatá, Cristiane Cotrim (cavaquinho) e Ricardo Cotrim (percussão) esquadrinham a vida e a obra do mestre de harmonia Xangô da Mangueira (Olivério Ferreira, 82 anos) em livro acompanhado de CD (o primeiro, já que sua última gravação foi um LP, em 1978), no projeto Recordações de um velho batuqueiro, patrocinado pela Petrobras. O livro, que será lançado dia 26 no Centro Cultural Carioca, arrola depoimentos de Xangô, Nadinho da Ilha, Tantinho da Mangueira, Helinho da Portela, Nelson Sargento, Waldemiro do Candomblé e apresentação de Nei Lopes. Entre as fotos, uma antológica da Velha Guarda do Samba, da década de 40, reúne, entre outros, Paulo da Portela, Cartola, Rubens Campos e Heitor dos Prazeres. O disco, com participação vocal de alguns dos entrevistados, teve direção musical de Paulão 7 Cordas. No repertório, Piso na barra da saia, Isso não são horas, Olha o partido, Coração em festa e O samba nasceu no morro.
Echo na Siberia
Banda ícone dos 80, Echo & The Bunnymen mira o retrovisor de glórias no décimo disco, Siberia, agendado para 19 de setembro. O single Parthenon drive remete a Heaven up here, de 1981, e o produtor é Hugh Jones, que trabalhou com a banda a partir de seu segundo álbum. ''A intenção não é captar o passado. A idéia é deixar fluir. Tentamos fazer algo menos estruturado nas composições'', admite Ian McCuloch, o líder. Algumas delas: Everything kills you, Make us blind, Scissors in the sand, What if we are?.
Samba flexe
Surge uma inesperada parceria musical entre o neochorão Henrique Cazes e seu Quarteto e o ás do sambalanço Orlan Divo, nascida nas altas libações do Bar Bracarense, no Leblon. O nome do disco já intriga, Samba flexe, manifesto da flexibilidade do projeto, que injeta bateria eletrônica no sambalanço. Todas as composições são de Orlan Divo (algumas com parceiros) e os arranjos de Cazes. No cardápio, além de antigos sucessos do sambista da chave (Tamanco no samba, Samba em paralelo, Bolinha de sabão, Palladium), entram inéditas como Eh, meu samba, Samba pra viola e Eu vendo um samba. A união mostra-se ao vivo, de 26 a 30 de julho, no Rio Scenarium. Dia 1º de agosto, começa a gravação do CD, produção de Cazes, a sair em outubro pela Deckdisc.
Groove 'n' bossa
Outro engate inusitado rola dia 26, na boate Nova Lounge, em Ipanema. A banda Groove 'n' Bossa, liderada por Marcos Vianna (autor de trilhas para TV e cinema, que já produziu Celso Blues Boy e Jorge Mautner), liga Jimi Hendrix, The Doors, B. B. King, Robert Plant a João Gilberto, Baden Powell e Tom Jobim. ''A essência das melodias é misturada e mixada numa só harmonia'', decupa. A banda nasceu em Itaipava há seis meses e alista ainda o baixo de Marcelo Cabral (Léo Jaime), o sax de Alberto Barreira (Emilio Santiago, Cauby Peixoto), além do DJ Ernani.
Bizarro Jackson
Alguém atura mais bizzaria? Que tal 680 páginas de Michael Jackson - a magia e a loucura, de J. Randy Taraborrelli (Editora Record)? Além de esmiuçar o trajeto do ídolo que despencou do cume do pop, o livro focaliza seus pés de barro. Entre revelações detalhadas do relacionamento dele com o garoto Jordie Chandler, de 13 anos, cujo caso foi abafado mediante o módico cala-boca de US$ 20 milhões, J. Randy viaja por outras esquisitices. Como a fixação de Jackson em manequins (não os de carne e osso, bem entendido). ''Quero que ganhem vida. Gosto de imaginar que estou falando com elas'', depõe ele, rebatido linhas a seguir pelo psiquiatra Paul Gabriel. ''As crianças são muito narcisistas, elas se enxergam em suas bonecas. Quando estão com 5 ou 6 anos, costumam parar com isso. Aparentemente, Jackson não parou'', analisa. Mas o regredido não foi nada bobo quando Paul McCartney contou-lhe num jantar que ganhava dinheiro comprando direitos autorais alheios. Após uma negociação de dez meses, MJ abocanhou o catálogo dos Beatles por US$ 47,5 milhões, para desgosto do ex-amigo.
Canto das lavadeiras
Bendito de origem medieval (Senhora Santana), modinha (Da sala pra varanda), cantiga de roda (Ao clarão da lua), batuque (Rala o coco bem-te-vi), afoxé e moçambique (Navio de guerra, Cessando areia) entram no CD livreto Aqua, de Carlos Farias (voz, violão, arranjos) A música das lavadeiras de Jequitinhonha. O lançamento é uma seqüência do projeto iniciado por ele no anterior Batukim brasileiro, ambos com as lavadeiras de Almenara, Minas Gerais. Elas são guardiãs da tradição oral de cantos de trabalho lúdicos e de louvação. O Coral das Lavadeiras foi criado em 1991, seis anos após o início da pesquisa. O disco conta com a participação de Rubinho do Vale (voz) e Pereira da Viola e pode ser encontrado com mais informações sobre a cultura do Vale em www.onhas.com.br
Estante musical
A Mangueira imemorial de uma madrugada de 1965, revirada na companhia de Nelson Cavaquinho, Geraldo Neves, o Brechó e Carlos Cachaça, abre em apoteose o livro de ''cronicontos'', do crítico musical e escritor catarinense Ilmar Carvalho, O bêbado azul do desterro (Editora Letradágua, 78 páginas). Há ainda um perfil de Albino Pinheiro, ''o prefeito espiritual do Rio'', criador do projeto Seis e Meia.
Na segunda edição, revista e ampliada, de Os sons que vêm da rua (Editora 34, 240 págs.), o historiador José Ramos Tinhorão inventaria dos pregões, vendedores de modinhas, realejos, cantores de bares e músicos de rua, até chegar aos salões do povo, das gafieiras aos forrós.
Tudo é jazz nº 4
Chega à quarta edição o festival Tudo é Jazz, que acontece em Ouro Preto, Minas Gerais, de 15 a 18 de setembro. O evento tem parceria com o Mistura Fina, que trará ao Rio alguns dos convidados para temporadas na casa, como o (quase) residente baixista americano Ron Carter, o (idem) pianista e compositor francês Michel Legrand, a pianista paulista radicada nos EUA Eliane Elias e o carioca Ivan Lins. Outras atrações do Tudo é Jazz são os grupos americanos New York Voices, Delfayo Marsalis, Jacob Fred Odissey, Taylor Eigsti & Julian Lage, a chilena Francesca Ancarola e os grupos E.S.T. (sueco) e o nativo Pau Brasil. Haverá oficinas, workshops e masterclasses com os convidados.
Excessos do INXS
A novela da escolha do sucessor de Michael Hutchence - que se suicidou em 1997 - pela banda australiana INXS virou reality show. Rock star: INXS percorreu 22 cidades em seis continentes (as últimas paradas foram na Inglaterra e Irlanda). O eleito grava o novo álbum do INXS e embarca numa turnê por 100 cidades para ampliar os 30 milhões de discos vendidos da banda, que já dura 25 anos e emplacou 23 hits no Reino Unido, 17 nos EUA e 33 na Austrália natal.
Dica de disco
Um engenhoso casamento de canto e poesia (declamada) liga a cantora sul-matogrossense Alzira Espíndola e a poeta paranaense Alice Ruiz (parceira de Itamar Assumpção, Chico Cesar e Zé Miguel Wisnik). Do disco Paralelas (Duncan Discos), formado por composições da dupla e poemas de Alice, participa o inconfundível grave monocromático de outro parceiro dela, Arnaldo Antunes (na ágil Reza em fá), além de Zélia Duncan na ácida É so começar (''ninguém precisa ter talento/ pra transformar caso em descaso'') e na sofismática Invisível (''como se pudessem chegar a algum lugar/ onde elas mesmas não estivessem''). Acompanhamento econômico e eventuais timbres menos usuais, como kalimba, marimba, steel drums, calçam a tapeçaria sensível das melodias (da toada ao pop ao samba) com o canto/fala de cortes exatos. Como em Overdose: ''Já notou que eu te amo/ ou você pensa/ que toda vez que eu ligo/ é por engano?''
TELEGRÁFICAS
Recém-formada em direito, aprovada com tese sobre a pirataria na indústria, a conselheira da Socinpro Sonia Delfino reaparece no Vinicius, em Ipanema, a partir do dia 28, no show Amor sincopado. Rebobina êxitos da bossa (como o do título, mais Você, O barquinho, Bolinha de sabão, Tristeza de nós dois) e ainda imita Alaíde Costa, acompanhada por Marcelo Lessa (violão), André Gonçalves (baixo) e Cesar Machado (bateria).
Em recente turnê européia (dois meses de viagem, 12 apresentações, 40 mil espectadores), Beth Carvalho gravou um DVD em Montreux com duas inéditas, Tem nada não (Jorge Aragão/ Almir Guineto) e Lenços brancos (Picolino). Hoje e amanhã, Beth canta no Tom Brasil, em Sampa.
Elton Medeiros mostra o disco novo, Bem que mereci, e comemora 75 anos no Estrela da Lapa, dia 27.
A Velha Guarda da Vila Isabel mostra seu CD Sou Velha Guarda, muito prazer..., produção de Marco Mazzola, com participação de Martinho da Vila, segunda-feira, na Modern Sound. No dia seguinte, Jorge Vercilo lança Signo de ar na mesma casa.
Dia 29, na Sala Cecília Meireles, na série MPB & Jazz, direção de Wagner Tiso, a Orquestra Petrobras Sinfônica traz os convidados Paulo Moura, Nivaldo Ornellas, Armandinho e Elione Medeiros.
Angela Rô Rô canta no Madame Vidal, em Botafogo, na terça-feira e em 2 de agosto.
Hoje Dulce Quental apresenta-se no Songbook Café, no Leblon.
Ramirez lança o primeiro CD, domingo, em Niterói, na festa da revista Mosh, no Arab's Café, ao lado das bandas The Feitos, Hill Valleys e Abaixo de Zero; e, segunda, no Teatro Odisséia, na Lapa. As bandas são Tantra, Binário, Brava, Fausto e emo, na festa da revista Laboratório Pop, que terá ainda a exposição dos quadrinhos do Dr. Pop (desenhoo abaixo), criação de Pedro de Luna. A obsessão do personagem é achar a fórmula do sucesso. Sua última ''fabricação'', a banda Dapolice, é integrada por policiais barra-pesada.
Hoje, na Casa de Cultura Julieta Serpa, tem Tárcio Cardo e, amanhã, Leila Maria, ambos acompanhados pelo Quarteto de Durval Ferreira.
Domingo, Rhana Abreu manda seu Rock brasileiro no restaurado teatro Higino, de Teresópolis, acompanhada por quarteto com direito a releituras de Cássia Eller.
Só para convivas, o Kid Abelha mostra o DVD Pega vida ao vivo, terça, no UCI do New York City Center.
De 26 a 31, rola no Quiosque Drink Café, na Lagoa, o V Festival de Jazz. Aberto por Miele, o desfile musical terá Dario Galante, Idris Boudrioua, Hamleto Stamato, Taryn Szpillman, Wanda Sá (num novo repertório dedicado ao jazz), Victor Biglione, Marcel Baden Powell, João de Aquino e a Estácio Rio Jazz Orchestra.
No Papo Show comandado por Jorge Salomão, no teatro Carlos Gomes, domingo, Hyldon, Mauro Santa Cecília e Miriam Cohen.
Fundado em 1985, no Leblon, e já com uma franquia na Barra, há cinco anos, o Centro Musical Antonio Adolfo inaugura segunda-feira um espaço na Tijuca, comandado pela pianista Maria Luiza Giffoni, professora e ex-aluna de Adolfo. O workshop inaugural é de Chico Batera: No passo da percussão.
[22/JUL/2005]
Home > Colunas
> Supersônicas
|