Piauí aqui
O projeto SolMúsica www.solmusica.com.br roda no Rio e arredores desde o dia 10, mostrando o trabalho dos piauienses Roraima, Teófilo Lima e o grupo Narguilé Hidromecânico. Terça-feira, eles podem ser vistos/ ouvidos no Estrela da Lapa. Cantor e compositor, Roraima (nascido no ex-território, mas radicado no Piauí) tem dois álbuns solo, já abriu shows para Chico Cesar, Djavan e Tom Zé e prepara um disco ( Entre pedras) e um DVD.
Ligado ao rock, Teófilo Lima está no segundo disco (Matulão). Também no segundo título, o Narguilé mescla reggae e forró.
Paraná de lá
Utilizando a nova tecnologia SMD (Semi Metalic Disc), que barateia os custos, a banda curitibana Terminal Guadalupe está vendendo seu disco Vc vai perder o chão por um preço à prova de pirataria (R$ 5). O disquinho de 11 faixas ainda vem acompanhado de um encarte revista com as letras e uma bio da banda formada em meados de 2002 pelo vocalista e letrista Dary Jr. (ex-Lorena Foi Embora...), o guitarrista e vocal Allan Yokohama (ex-Poléxia), o baixista Rubens K (ex-July et Joe) e o baterista Fabiano Ferronatto (ex-Iris). No repertório, O bêbado de Ullysses, Esquimó por acidente, Burocracia romântica, Bons meninos vão para o inferno, Por trás do fator Gallagher.
Pimentas ferventes
''Eu estava injetando coca há três dias seguidos com meu traficante mexicano, Mario, quando me lembrei do show no Arizona. (...) Mario usava óculos, por isso não parecia maldoso ou prepotente. Mas sempre que nos picávamos com coca ou heroína, ele fazia confissões: 'Precisei machucar alguém. Sou agente da máfia mexicana. Recebo um telefonema e nem quero saber os detalhes, apenas faço meu trabalho. Tiro a pessoa do ar e recebo muito dinheiro'. Nunca soube se o que ele dizia era verdade.'' Narrada na primeira pessoa, a biografia Scar tissue (Ediouro, 336 páginas), redigida por Larry Sloman, retrata A vida alucinada do vocalista dos Red Hot Chili Peppers, Anthony Kiedis. Ele não livra a própria cara, na vertigem de drogas e orgias vividas pela banda que melhor fundiu funk e metal, com atitude punk, incluindo nudez no palco e mais transgressões.
Adorei a mesinha
Cult do underground, a banda Zumbi do Mato (Löis Lancaster, voz e trombone; Zé Felipe, baixo; Henrique Ludgero, bateria; Ricardo Castro, teclados) chega aos 15 anos na ponta dos cascos com o CD Adorei a mesinha (Tamborete Entertainment). Alguns títulos: Finja que não está ouvindo isso, Deficiente emocional, Puxe o gatilho, Rui não sabe nada de cinema, Zezé c/ pôster e Odiei a mesinha. Algumas letras: ''No meu prédio não tem fraude/ todo mundo vai ficar pra semente/ e as dondocas entram nas faculdades/ de direito, alegremente.../ advocacia?/ ah, vou de calcinha'' (Campanha pela moralização das faculdades de direito). ''A reboque do estilo americano/ um janota com pinta de executivo/ arrancou os trilhos perfeitos das nossas ferrovias/ pra abrir as pernas do Brasil/ à indústria mundial automobilística'' (Aprenda a história com o Zumbi do Mato). ''Ele faz filme com o Andrucha/ eu tomo sopa em caldeirão de bruxa/ eu peço autógrafo prum cover da Xuxa'' (Primo pobre do Kassin).
Jazz de Joinville
Agendado entre 23 e 25 próximos o 3º Joinville Jazz Festival levará à cidade catarinense, entre outros, o veterano da bossa Zimbo Trio, o pianista Claudio Daulsberg, o violonista André Geraissati, a Banda Mantiqueira, de Nailor Proveta e o pianístico Duo Gisbranco, formado por Claudia Castelo Branco e Bianca (filha de Egberto) Gismonti. A atração internacional é o pianista de blues de Chicago Donny Nichilo, que já tocou com Buddy Guy. Além dos shows, haverá oficinas de instrumentos, um palco móvel, jam sessions e o Chorinho no Mercado com a banda de choro vanguardista Tira Poeira.
Blues do CCBB
Nas terças de julho nos horários de 12h30 e 18h30, rola no CCBB o projeto É Tempo de Blues. Do formato original com gaita (Márcio Figueiredo), vozes e violões (Big Joe Manfra, Ivo Pessoa), dia 5, à versão brasileira do Blues Power Trio, dia 12. E mais a conexão Nordeste do gaitista Jefferson Gonçalves, dia 19, e o blues original pela cantora do Mississipi Jamie Wood, acompanhada do gaitista Johnny Rover, dia 26.
Sumidade gaúcha
Desconhecido no eixo Rio- Sampa, o gaúcho Octávio Dutra (1884-1937) foi um ativista da MPB inaugural. Lecionou violão e bandolim, compunha para revistas musicais, fazia jingles, ensaiava e regia blocos carnavalescos (Os Batutas e Os Tigres) e foi pioneiro em gravações com seu grupo Terror dos Facões, em selos como o lendário Gaúcho de Savério Leonetti e Casa Edison, através da Casa Hartlieb, de Porto Alegre. Sua obra voltou a ser estudada e está no CD Espia só - as músicas de Octávio Dutra (Revivendo), pelo Duo Retrato Brasileiro, formado na ASSOVIO (Associação Gaúcha do Violão) no Bar Casa de Teatro, na Cidade Baixa, em Porto Alegre. Eles singram das polcas choros Mágoas do violão e Sai da frente aos tangos brasileiros Terror dos facões (''facão'' era o músico que tocava mal), Don Juan, Estudo do dedo polegar, os choros Michola comeu a isca e Mignon e as valsas Celina, Rosa e Sonâmbula.
Festa tripla belga
Influenciados por Kraftwerk a The Cure, Serge Gainbourg e Daft Punk , o grupo belga Vive La Fête, liderado pelo casal Danny Mommens e Els Pynoo, reaparece numa edição que recapitula sua trajetória, com os dois primeiros álbuns de seu electro-kitsch, Attaque surprise e Republique populaire. Completa o box set de tiragem limitada da ST2 Vive les remixes, álbum produzido especialmente para o Brasil (o grupo sacudiu o Abril Pro Rock dois anos atrás) com hits retrabalhados como Tokyo remix, Attaque reprise, Noir desir vivasulfer remix.
Nina sola
Crooner da orquestra Imperial,
Nina Becker alça vôo
solo às quintas, a partir de 14
de julho, no Salão Guarany do
Teatro Carlos Gomes, no
projeto Volte Sempre.
Enteada de Roberto (sobrinho
de Radamés) Gnattali, Nina
teve sua fase punk e depois foi
backing vocal de Zeca
Pagodinho, antes de ingressar
na orquestra e entrosar-se com
Kassin, Moreno e Domenico
Lancellotti, seu parceiro em
Pela janela, incluída no
cardápio das noites junto com
Sambajambo (Jorge Mautner/
Nelson Jacobina), Tô no fim
(Pedro Sá) e Meglio Stasera
(Henry Mancini).
Dica de disco
Entre baixos (subterrâneo cult) e altos (requinte harmônico) de um Leblon sombrio, desliza Canções dentro da noite escura (Independente), novo petardo de Lobão, o homem-bomba (sim, tem uma faixa com esse nome, rockão pesado, dos melhores) contra o conformismo do pop nativo. Num diálogo literal com os fantasmas que circularam na melhor fase do bairro, ele musicou um Cazuza mordaz em Seda (''agora que a seda transformada em trapos/ já não me atrapalha movimentos''). O iconoclasta Julio Barroso ressurge em Quente, com interseção do Orestes Barbosa de Chão de estrelas (''lua que fura e ilumina zinco quente'') e em Não quero o seu perdão, um dos raros momentos em que a voz do solista não trafega entre a convulsão e a embriaguez. Cássia Eller, evocada em Boa noite, Cinderela, escrita em 15 minutos no dia da morte da cantora, ganha uma leitura gutural, que remete à visceral homenageada. Sem fazer discurso político explícito, Canções dentro da noite escura cerze a trilha dessa nova era de trevas pseudo transparentes, onde uma névoa fina tinge o país coberto de escárnio.
TELE GRÁFICAS
Com concerto da Orquestra Petrobras Pró-Música, dia 24, na Sala Cecília Meireles, será lançado o Catálogo digital Radamés Gnattali, com discografia, áudios, imagens, biografia e obra do músico que brilhou entre eruditos e populares.
Nos dois dias seguintes, na mesma Sala, os Flautistas da Pró-Arte (40 estudantes de música do projeto da Petrobras) festejam outro sábio, o maestro Moacir Santos, aluno de Koellreuter e professor de Baden Powell, Paulo Moura e Eumir Deodato. No programa, as Coisas nº 1, 2, 5, 6, 8 e 10, mais Jequié, Oduduá, em arranjos de Zeca Assumpção, Carlos Malta, Mário Adnet e Raimundo Nicioli.
O Teatro Odisséia, da Lapa, celebra um ano numa vasta programação de shows. Hoje tem Banda Black Rio e convidados, mais Luciana Coló e Seis Na Linha (palco 2) e o DJ Zé Otávio. Amanhã, Lafayette & Os Tremendões com Moinho da Bahia (palco 2) e o DJ Janot.
Entre 20 e 25, com atrações como Roberto Silva, Luis Carlos da Vila, Áurea Martins (com D. Ivone Lara e Elton Medeiros), o Carioca da Gema festeja cinco: os mangueirenses Richah, Tantinho e Jurandir e os portelenses Mauro Diniz e Diogo (filho de João) Nogueira.
O percussionista e DJ Ricardo Imperatore, prêmio Tim de melhor disco eletrônico por Botecoeletro, está hoje no lounge da Motorola, no Fashion Rio. Manda duas inéditas, uma delas, Baden Power, com samples do violonista Baden Powell.
Renata Maria, inédita de Chico Buarque e Ivan Lins, Tiranizar, idem de Caetano Veloso e Cezar Mendes, e Hoje parceria dela com Renato Russo, estão no show único da cantora Leila Pinheiro, dia 23, no Canecão.
Hoje, com a série Música de Raiz, a ABI reabre os salões para a MPB. Recebe Moacyr Luz às 18h30 no auditório de sua sede, no Centro.
Hoje e amanhã, na Casa de Cultura da Estácio de Sá, na Barra, o show Roadhouse, com o repertório do disco homônimo da Verve da cantora americana Ruth Cameron.
Martinho da Vila foi a Portugal receber o disco de ouro por seu Brasilatinidade. Emenda com sete shows a partir de hoje em Valongo, Macedo de Cavaleiro, Évora, Porto e Lisboa.
A dupla Kiko Klaus (pernambucano) e Carlos Jaramillo (colombiano) mostra o CD Mesma lua, dia 21, na Modern Sound.
Novo violão do Época de Ouro, André Bellieny toca com Henrique Cazes às segundas na Cachaçaria Mangue Seco, na Rua do Lavradio.
Viúva de Nestor Tangerini (parceiro do compositor Aldo Cabral), Dinah Tangerini está internada em estado grave no Hospital Vital, no Engenho Novo.
A Jovem Guarda de Erasmo Carlos, Wanderléa, Golden Boys e The Fevers está hoje e amanhã no Canecão. Domingo, sobe a serra nos Sescs de Três Rios, Teresópolis, Petrópolis e Friburgo.
Até domingo, no Vinicius, a cantora Renata Arruda pontua 10 anos de carreira num show acústico, Por elas e outras.
[17/JUN/2005]
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