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Pixies são Fênix


No planetário pop, morrer dá lucro (vide Presley, Marley, Hendrix etc). Mas a ressurreição também paga bem, mesmo no mundinho cult. Extinto em 1992, o grupo americano Pixies reapareceu no ano passado numa turnê que passou por Curitiba com hiperlotação. O curto giro somou ao todo 185 mil espectadores e faturou US$ 6,5 milhões. Não chega a ser nenhum Rolling Stone, mas Frank Black, Kim Deal, Joey Santiago e David Lovering já pegaram a estrada de novo, agendados ontem e hoje para o Roseland Theater em Portland, no Oregon. Vão até dia 15 de junho, em Boston, e ainda lideram a noite de 23 de julho do festival Lollapalooza, em Chicago.

John e o gênio

O guitarrista John Scofield saltou na frente e já prepara para junho That's what I say, pela Verve, seu tributo à obra do gênio Ray Charles. O híbrido bluesman Dr. John adensa o medley Talkin' 'bout you/ I got a woman. Um dos lendários Neville Brothers, Aaron participa de You don't know me. E a cantora Mavis Staples reforça I can't stop loving you.

Avellar 30

Titular de sete CDs autorais e centenas de arranjos para ases da MPB como Djavan, Milton Nascimento, Fafá de Belém e Gal Costa, o pianista, arranjador e produtor Luiz Avellar completa 30 anos de carreira em 2005. Marca a data com três iniciativas. Grava o álbum Luiz Avellar cantado, lança o CD Coisas do cotidiano e inicia, na segunda, no Mistura Fina, a série de shows Luiz Avellar convida, ao lado de Ney Conceição (baixo) e Kiko Freitas (bateria). Os primeiros convocados são os músicos Idriss Boudrioua, Jessé Sadoc, Marcelo Martins e Chico Chagas.

Torto autoral

Irmã de Michael Legrand e fundadora dos Swingle Singers, a cantora Christiane Legrand teve seu Of smiles and tears (Universal), de 1975, relançado no mercado externo. Detalhe: a faixa Shirley sexy, composta pela dupla Fred Falcão e Arnoldo Medeiros para a trilha da novela O cafona (onde foi cantada por Marília Pêra), saiu no disco com autoria atribuída a ninguém menos que Elton Medeiros. Convenhamos: de Arnoldo para Elton, ambos Medeiros, vai uma grande distância de vogais e consoantes.

Focus na MPB

Guitarrista do grupo progressivo Focus, iniciado em 1970, o holandês Jan Dumée aproveita a turnê do grupo para lançar aqui seu solo com sotaque, Rio on the rocks, produzido pelo solista e gravado no final de 2003 nos estúdios do baixista Arthur Maia, em Niterói. Participam, além de Maia, Marcos Suzano, Márvio Ciribelli e Chico Batera, entre outros. Jan conheceu a MPB ouvindo João Gilberto numa rádio holandesa e, aos 21, começou a freqüentar um bar brasuca em Amsterdã. A partir de 1991, fascinado pelo choro do grupo Nó em Pingo D'Água, começou a freqüentar regularmente o país, evocado em faixas como Sambinha pra ela, Ventos solitários, O amor natural, Marockatu e outras. O disco será mostrado nas Quartas Instrumentais, em junho, dias 1º e 8 no Centro Cultural, e dia 7 na Modern Sound.

Forró no Fórum

Pela quinta vez, Aracaju debate a música nordestina no Fórum de Forró, que acontece na capital antes da intensa programação junina. Em anos anteriores, o Fórum esquadrinhou as obras de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Marinês, Clemilda & Genival Lacerda. Agora enfoca a extensa trajetória do Trio Nordestino, aos 45 anos de carreira, de 1º a 3 de junho, com abertura do prefeito Marcelo Déda. Entre os palestrantes, estão o compositor Onildo Almeida (autor do clássico, entre outros, A feira de Caruaru), os músicos Zé da Flauta e Genaro e o jornalista Assis Ângelo. No Forró Caju, que começa dia 17, atuam Targino Gondim (de Esperando na janela), Sivuca, Oswaldinho, Geraldo Azevedo, Cordel do Fogo Encantado, Forróçacana, Alceu Valença, Quinteto Violado, Dominguinhos, Zé Ramalho, Falamansa, Jorge de Altinho e muitos mais.

Motta no forno

Surpreendente parceria com Nei Lopes, Samba azul conta com Alcione como convidada. Laudir de Oliveira, que atuou num grupo basilar do rock americano dos 60/70, o Chicago (ex-Transit Authority) assina a percussão de A charada, letra de Ronaldo Bastos. São faixas de Aystelum, novo disco de Ed Motta, encaminhado para junho. Além de várias instrumentais, o CD traz alguns temas do ainda inédito 7 - O musical, que Ed escreveu com Claudio Botelho.

Afogado em números

A crise do mercado na boca do caixa ainda não podou o número de lançamentos. Pelo filtro do Prêmio Tim de Música, cuja festa de entrega será quarta, no Teatro Municipal, desde 2003 passaram mais 35,25% de concorrentes. De 675 CDs há dois anos a 913 na disputa de 2005.

  • Lançado em 2004 como vitrine para os músicos, o site Trama Virtual já soma 12.619 artistas e 32.922 músicas disponibilizadas gratuitamente em MP3. O site já tem 226.572 cadastrados e acabou materializando-se no selo homônimo. Trama virtual inicia seus trabalhos com o octeto paulista Cansei de Ser Sexy, que se apresentou no último Tim Festival.

  • Sete milhões de cópias vendidas no planeta, o disco Under my skin, de Avril Lavigne, já é platina no Brasil e vai motivar a vinda da cantora para shows aqui em setembro, em Porto Alegre, Curitiba, São Paulo e na Praça da Apoteose carioca, dia 24.

    Dica de disco

    Hilda Campos Soares da Silva ficou dois anos em cartaz em Las Vegas, gravou com a orquestra do maestro americano Neal Hefti, apareceu coast to coast no programa de TV Ed Sullivan Show e cantou no Olimpia de Paris. Pouco mais de 20 anos após sua morte, raros se lembram dessa santista que adotou o nome artístico de Leny Eversong (1920-1984). Apesar de ter alcançado alguns sucessos em português (Sereno, E ele não vem, Vidas iguais), ela marcou como intérprete poliglota. Mesmo sem conhecer os idiomas, era fluente em canções francesas, italianas, espanholas e, claro, na música americana, leito principal da coletânea A grande Leny Eversong (Revivendo), que cobre a primeira fase de sua carreira, entre 1942 e 1952. O vozeirão extenso comparável ao da exótica peruana Yma Sumac tanto podia exibir-se quase circense (do pirotécnico Jezebel ao brega My mammy) quanto contido, num abandono comparável a Billie Holiday (Candy, Blue and sentimental). Suingadíssima em Kalamazoo, I can't give you anything but love baby e Liza, a multiforme Leny ainda surfa na ondulante guitarra havaiana de Poly, terçando vozes com Cauby Peixoto em Blue guitar.

    TELE GRÁFICAS

  • Dinho ''Capital Inicial'' Ouro Preto, o ex-titã Nando Reis e Nasi do Ira fecharam o festival Coca-Cola Vibezone, em São Paulo, na primeira noite do fim de semana passado com Independência, do Capital. Quando o sol bater na janela do seu quarto, clássico de Renato Russo, uniu as vozes novas de Vanessa Krongold (Ludov), Badauí (CPM 22) e Tico Santa Cruz (Detonautas) na noite seguinte. Mais reuniões estão previstas dias 17 e 18 de junho no Vibezone, instalado aqui na Cidade do Rock: Dibob, CPM 22 & Ira; Leela, Pitty e Capital Inicial.

  • Aos 53 anos de carreira, o precursor Tito Madi apresenta-se de 2 a 5 próximos no Vinicius Piano Bar.

  • Os 70 de idade de Hermínio Bello de Carvalho serão comemorados no show Timoneiro, na Modern Sound, dia 31, por Zé Renato, Zezé Gonzaga, Áurea Martins e intervenções de Zélia Duncan, Mart'nália e Moska.

  • O lendário trompetista Julinho Barbosa (que tocou com Moacir Santos, Erlon Chaves, Sérgio Mendes, Raul de Souza, Eumir Deodato, Severino Araújo, Cipó), radicado há 40 anos na Alemanha, sopra de Baiãozinho a Caminhando, dia 2, no Cais do Oriente.

  • A banda cearense SoulZé chacoalha o Teatro Rival dia 1º com participação de Totonho (de Os Cabras).

  • O baixista uruguaio Daniel Spitalnik mostra Para visitantes, amigos e seus afins, dias 31 próximo e 7 de junho, no Madame Vidal, de Botafogo. Toca ainda violão e cuatro venezuelano.

  • Acompanhado do Balé Cultural de Pernambuco, o Quinteto Violado faz 16 shows (dois por dia) até 8 de junho na Feira Cultural de Nancy, no ano do Brasil na França. No repertório, os ciclos natalino (pastoril, bumba-meu-boi), carnaval (maracatu, frevo, caboclinho) e junino (quadrilha, xote, xaxado e baião), ilustrados pelo balé.

  • Também dentro das comemorações do ano do Brasil, a edição francesa da revista Vogue dedicada ao país trará encartado um CD em parceria com a gravadora Trama. Arrola faixas de Fernanda Porto, Max de Castro, Otto, Wilson Simoninha, Patrícia Marx, Nação Zumbi, Jair Oliveira, Totonho e Os Cabra, Rappin' Hood e mais.

  • Fora do mercado há anos, Nadinho da Ilha reaparece com um CD, na Rob Digital, em homenagem ao genial compositor Geraldo Pereira, produção de Henrique Cazes. Hoje e amanhã Nadinho dá uma palhinha do trabalho no Rio Scenarium.

  • Com mais de cem mil discos vendidos de forma independente, o grupo gaúcho Reação em Cadeia assinou com a Deckdisc. Sai este ano o terceiro CD da banda.

    Paris do Vale

    Da Rua da Golada, em Pedreiras, Maranhão, para o Champs Elysées, em Paris. Preterido pelo protegido de um figurão que tomou-lhe a vaga na escola pública, João do Vale (1934-1996) não precisou da educação formal para tornar-se um dos maiores criadores da música brasileira. Sua obra será festejada dia 8, no Latina Café, pela cantora e compositora conterrânea Anna Torres, radicada na França há dois anos e na ponte aérea há cinco. No cardápio, clássicas e obscuras: Carcará, Na asa do vento, Pisa na fulô, Coroné Antonio Bento, A voz do povo, O canto da ema, Estrela miúda (seu primeiro sucesso, gravado por Marlene), Pé do lajeiro, Minha história e a famosa Carolina (''foi pro samba/ foi dançar o xeéém/ Carolina hum! hum! hum!''), sucesso na França com a desbravadora Nazareth Pereira (incluída no show), composição que João teria vendido a Zé Gonzaga, irmão de Gonzagão. Anna exalta o homenageado em João nos Vale: ''A vida vale, João/ quanto vale a pedreira/ quanto vale a fogueira/ queimando no coração''.

    Pagode 20

    Ilustres desconhecidos, Zeca Pagodinho, Jovelina Pérola Negra, Mauro Diniz, Elaine Machado e Pedrinho da Flor participaram há 20 anos de um disco coletivo chamado Raça brasileira. Era o início do pagode, que tomaria o país e acabaria gerando uma contrafação ainda mais rendosa. Na celebração da data, Marcos Salles, co-produtor do histórico LP, procurou recriar o clima com arranjos de Mauro Diniz e Márcio Vanderlei. Trouxe convidados próximos dos originais, a começar por Monarco (Coração em desalinho), pai de Mauro, Cassiana (Bagaço da laranja), filha da precocemente falecida Jovelina, e Ircéa, irmã de Zeca Pagodinho. Também pegam o microfone no CD/DVD Raça brasileira 20 anos - O verdadeiro pagode (Som Livre) Beth Carvalho, Wilson Moreira, Renatinho Partideiro, Luiz Carlos da Vila, Almir Guineto, Leci Brandão, Arlindo Cruz e Sombrinha.


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    [27/MAI/2005]


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