Zeca Baleiro já se transformou num dos artistas que mais utilizam a linguagem do DVD, com quatro títulos na agulha. No ano passado saiu seu dueto
Raimundo Fagner e Zeca Baleiro (Indie Records), seguido, em dezembro, por
PetShopMundoCão.
Líricas entrou em março e
Vô imbolá desembarca em setembro, os três últimos pelo selo MZA/Universal, do produtor Mazzola. Amanhã e domingo, Zeca ocupa o Canecão para divulgar os DVDs (cada um já vendeu em média 10 mil cópias). Só no palco, à base de voz & violão, ele desvela também inéditas do próximo CD,
Baladas do asfalto, pela mesma MZA, seu quinto disco. Em paralelo, Zeca está abrindo selo próprio, Saravá Discos, em parceria com a empresária e cantora Rossana Decelso (que gravou um tributo ao sócio,
Mandando bala). Os primeiros lançamentos serão um disco que aborda a obra da recém-falecida poeta Hilda Hilst e o outro traz inéditas do compositor capixaba Sérgio Sampaio, falecido há mais tempo. No show também haverá amostras destes trabalhos.
Homem do Brasil
Praticamente desconhecida, a banda Homem do Brasil estréia na abertura dos shows de Eagle-Eye (irmão da cantora Neneh) Cherry, dias 25, no Credicard Hall paulistano; e 27, no Claro Hall carioca. Formada por Ale Vitali (voz e violão), Gui Vitali (bateria), Samuel Mota (baixo), Marcio Garcia (guitarra) e Marcelo Guanabara (teclados), a HDB regrava a mutante Balada do louco (Rita Lee/ Arnaldo Baptista) e a pós Secos & Molhados Bandoleiro (Luli & Lucina). E manda material próprio, como Bicho estranho, 13º andar e Partida. As duas primeiras já viraram videoclipe. 13º andar originou um filme de ação assinado por Calé Mazza, com Mel Lisboa e Daniel Alvim nos principais papéis. Bicho estranho tem um personagem sem olhos que vai às compras em busca de supérfluos criados pelo capitalismo.
Mora na Melosofia
Precursor da dançante axé music, o baiano Luiz Caldas deriva para o papo-cabeça no CD Melosofia (Independente) com o parceiro jornalista César Rasec. A dupla arquitetou 10 faixas ''para cantar, ouvir, dançar e pensar'', inspiradas no Karl Marx de Luta de classes (''tempos modernos chegam/ e nada de novidade/ por todo o planeta/ o capitalismo selvagem'') ou Além do bem e do mal, de Nietzsche (''aforismo em quantidade/ além do bem e do mal/ super-homem na favela/ espírito livre, afinal''). De O existencialista, de Jean-Paul Sartre (''a minha existência/ precede a essência/ como a idéia que é/ um objeto qualquer''), ao Cético romeno Emil Cioran (''a morte é a coisa/ mais segura e firme/ que a vida inventou'').
Movimentos de Mautner
Outro projeto de Rasec é o livro Jorge Mautner em movimento (edição do autor, rasec1963@terra.com.br) com depoimentos de Caetano, Bethânia, Rogério Duarte, Capinam, Waly Salomão, do novobaiano Galvão e do ministrartista Gil. O livrão de 408 páginas, além de reproduzir letras, lista discografia e bibliografia e reconstitui minuciosamente o trajeto caudaloso de Mautner, incluindo sua polêmica passagem pelo Pasquim. Entre os depoimentos, o mais impressionante é o da ex-guerrilheira Dulce Maia de Souza (irmã do publicitário Carlito Maia, criador do conceito de Jovem Guarda), da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária). Amiga de Mautner desde a juventude, Dulce foi sua companheira no Partido Comunista e planejou uma ida a Cuba com o co-autor de Maracatu atômico em plena época da invasão da Baía dos Porcos, em meados dos 60. O livro encarta um CD com as músicas Kaos, de Luiz Caldas (''galope na linha do tempo/ do Egito à Grécia em pensamento''), e Cordel dionisíaco (Bule-Bule, Bira Paim e Missinho).
Duetos de Sinéad
Estrela pop não domesticada, a irlandesa Sinéad O'Connor abriu mão da carreira, mas sua discografia continua. A antologia Collaborations coleciona participações especiais da ex-cantora careca em discos alheios. Alguns anfitriões: Peter Gabriel (Blood of eden (radio edit), U2 (I'm not your baby), Moby (Harbour), Massive Attack (Special cases (radio edit), Asian Dub Foundation (1000 mirrors), The Edge (Heroine (theme from captive) e Jah Wobble (Visions of you).
Paula canta Jobim
Convidada pela ONG Nature Conservacy, Paula Morelenbaum faz um show acústico especial no Museu de História Natural de Nova York, dia 24, centrado na facção ecologista da obra de Tom Jobim, o homenageado do evento, com direito a toda a família presente. Ladeada por Dudu Trentin (piano), Fernando Caneca (violão), Alex Fonseca (bateria), Alberto Continentino (baixo) e Marcelo Martins (flauta), Paula singra Correnteza, Boto, Águas de março, Sabiá, Água de beber, Forever green e alguns standards. Emenda a estadia nova-iorquina com o lançamento no Joe's Pub, dia 26, de seu Berimbaum, onde eletrifica a obra de Vinicius de Moraes.
A MPB de Jair
Ligado ao samba desde o berço (Triste madrugada, Tristeza e o pré-rap Deixa isso pra lá), Jair Rodrigues, que defendeu a moda de viola Disparada, no Festival da Record de 1966, ficou contente de ser arrolado ao Prêmio Tim de Música na categoria MPB. Aos 43 anos de carreira, ele comprova essa abrangência no CD que começou a gravar, Alma negra. Unindo as presenças da filha Luciana Melo, de Max de Castro (filho de Simonal) e Altemar Dutra Jr. (herdeiro do bolerista), Jair cantará Martinho da Vila, Lula Barbosa, Jair Oliveira e uma inédita parceria entre o veterano hitmaker Evaldo Gouveia e Fausto Nilo, Esquina do Brasil. Entre as releituras, Terra seca (Ari Barroso) e Recado (Paulinho da Viola e Casquinha).
Mariano turbinado
Pedro Mariano tenta incrementar a carreira em gravadora nova, a Universal, já aos 10 anos de rodagem. Co-produzido por Otávio de Moraes (também autor dos arranjos e diretor musical), o CD que leva o nome do solista traz duetos dele com a neo-emepebista/jazzista Sandy no samba É com esse que eu vou (Pedro Caetano) e com Luciana Melo na ensaboada Cai dentro (Baden Powell/ Paulo Cesar Pinheiro). Tal encontro reprisa, através dos filhos, o enlace Dois na Bossa, de Elis Regina (mãe de Pedro) e Jair Rodrigues (pai de Luciana). Sozinho, Pedro recicla o próprio repertório em Voz no ouvido, Pode ser, o de Elis, em Como nossos pais (Belchior) e Aos nossos filhos (Ivan Lins Vitor Martins) e mais inéditas de Frejat, George Israel e Mauro Santa Cecília (Três moedas) e Jorge Vercilo (Quase amor), o primeiro single do álbum.
O duo de Mariano
O pai de Pedro, o pianista Cesar Camargo Mariano lança em DVD neste final de mês Duo, seu encontro com o violonista Romero Lubambo, brasileiro radicado nos EUA. Trata-se de apresentação gravada no Espaço Fasano, em São Paulo, em setembro passado. Inclui making of e um documentário com entrevistas de John Pizzarelli, Maria Schneider, Chico Pinheiro e mais. Junto das músicas gravadas no CD, como Wave (Tom Jobim), Samba dobrado (Djavan) e April child (Moacir Santos/ Livingston/ Evans), entram releituras de No rancho fundo (Ary Barroso/ Lamartine Babo), Samambaia, Curumim e Cristal (todas de Cesar). O trailer do DVD já está disponível no site www.trama.com.br.
Navegar é preciso
Apostando no lado urbano do fado, a cantora lusa Cristina Branco (foto) no disco Ulisses abre o leque do velho gênero até abarcar da canadense Joni Mitchell (numa versão de A case of you) aos brasileiros Moraes Moreira (Sonhei que estava em Portugal) e Braguinha (Anda Luzia). Ela viaja ainda pelo cancioneiro argentino em Alfonsina y el mar (Ariel Ramirez/ Felix Luna) e pela poesia francesa, em Liberté (do poeta Paul Eluard musicada por Custódio Castelo).
Dica de disco
O papa Bento XVI arrenega o rock, entre outras satanices, formando na linha de frente da era Bush. Mas, se Sua Santidade ouvisse Atom bomb (EMI), do lendário grupo The Blind Boys of Alabama, talvez fizesse um ato de contrição em favor do poder de convencimento da música. Mesmo quem não comunga da mesma fé gospel desses incríveis músicos, há seis décadas e meia em atividade, dificilmente deixará de comover-se com seu jogo de vozes a serviço de temas como Faith and grace, Talk about suffering, Moses, New born soul. Reconhecidos no mundo pop, em registros com Peter Gabriel e Ben Harper (o recente There will be a light), os Blind Boys, formados em 1939 no Instituto dos Cegos Negros, na racista Alabama, foram indicados a três Grammy no ano passado. Recriando Eric Clapton (Presence of the Lord) ou endossando uma imagem explosiva na faixa inicial, (Jesus hits like) Atom bomb (Lee V. McCullom), o grupo lapida as raízes da música afro-americana. Que geraram tanto o cultuado jazz quanto o excomungado rock.
TELE GRÁFICAS
Durante a gravação de seu primeiro DVD, no Teatro Municipal de Niterói, na semana passada, Teresa Cristina convidou ao palco sua mãe, Da. Hilda Macedo. Esta surpreendeu num dueto com a filha no clássico Carinhoso, numa cena conhecida dos freqüentadores da Lapa. D. Hilda foi até gravada por Beth Carvalho (Novo endereço). O marido de Teresa, Pedro Miranda, do Grupo Semente, também participou do DVD no samba Calo de estimação (Zé da Zilda/ José Thadeu) e prepara solo pela Deckdisc.
A referida Beth Carvalho celebra 40 anos de carreira no Olimpo da Vila da Penha com participações de Luis Carlos da Vila e Sombrinha, num cenário que evoca a Central do Brasil e os Arcos da Lapa. Em junho e julho, Beth excursiona pela Europa (Paris, Toulouse, Milão, Montreux, Stutgart e Viena) e EUA (Los Angeles, San Francisco, Chicago e New Jersey).
Dia 25, no Carioca da Gema, Luiza Dionízio e o Dobrando a Esquina recebem Walter Alfaiate, antecedidos pelo show do grupo O Roda. No dia seguinte, na mesma casa, os cantores Áurea Martins e Paulo Malta, acompanhados do grupo É Luxo e do conviva Alfredo Del Penho, homenageiam um mestre do fraseado, Cyro Monteiro.
Hoje, no projeto Rio Música, no Largo do Machado, Wanda Sá, Roberto Menescal e Marcos Valle destilam Bossa entre amigos.
O baile do Viaduto de Madureira, reduto soul desde 1990 conhecido por Espaço Cultural Rio Charme, terá festa dia 25 no Circo Voador com entrega do troféu Halley à turma do charme/ hip hop. Sob a mesma lona, o Palco Pernambuco liderado por Lenine abriga na noite seguinte do Cordel do Fogo Encantado a convivas como Junior Lima e Fernanda Abreu.
Após o Mistura Fina e o Rival, a cantora cearense Lúcia Menezes mostra seu disco na Modern Sound, dia 23.
Lui Coimbra apresenta o show Ouro, sol e convidados, recebendo amigos dias 24 (Alceu Valença) e 31 de maio (Oswaldo Montenegro) e em 7 de junho (Zeca Baleiro), no Teatro Rival.
Bia Sion apresenta-se dias 26, 27 e 28, durante o festival de Jazz & Blues, em Rio das Ostras, no Surf Bar do Atlântico Hotel, com o show Na levada do jazz.
Jards Macalé canta amanhã no Songbook Café. Uma rima e uma solução.