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Dinastia Baden


Philippe, o filho pianista do violonista Baden Powell, celebra a obra do pai na sala que leva seu nome, no antigo Cine Ricamar, em Copacabana, dia 3, inaugurando o projeto Terça Instrumental. Nascido em Paris, 26 anos, semifinalista do Montreux Jazz Piano Solo Competition, em 2002, ele já tocou no North Sea Jazz Festival, na Holanda, e no Festival d'Été de Québec, Canadá. Gravou dois discos com o irmão, o violonista Marcel e o pai (Baden Powell e filhos, 1994; e Suíte Afro-Consolação, 1997) e Samba in prelúdio/ Quand tu t'en vas (2001), ao lado do cantor Benjamin (filho do compositor Michel) Legrand. Philippe apresenta-se com seu trio completado por Igor Eça (baixo) e Rafael Maia (bateria). A série segue dia 10 com jazz pelo quinteto do saxofonista Affonso Claudio. No dia 17, une outro sax, o de David Ganc, ao Quarteto Guerra-Peixe e, no dia 24, escala Mulheres em Pixinguinha, formado por Neti Szpilman (voz), Dani Spielman (sax) e Sheila Zagury (piano).

  • Marcel Powell toca seu violão com convidados dia 19 de maio no Leblon Lounge do Rio Design Leblon.

    Dupla de Cazes

    O show de 31 de maio da Terça Instrumental da Sala Baden Powell traz a dupla Henrique Cazes (cavaquinho) e Marcello Gonçalves (violão). Depois do bem-sucedido projeto Pixinguinha de Bolso, eles abordam a obra do violonista Aníbal Augusto Sardinha (1915-1955), o Garoto, fronteiriço entre a tradição e a modernidade. Aos 90 anos de seu nascimento e 50 de sua morte, o duo vai celebrá-lo em Garoto, sinal dos tempos, que vai virar CD. Cazes conseguiu em Jacarepaguá um raro violão tenor dinâmico, de 1946, semelhante ao utilizado pelo próprio Garoto. Em seu recente giro por Nova York, Chicago e New Orleans, Cazes formou outra dupla com o pianista americano Cliff Corman, de larga rodagem brasileira, que já tocou com Paulo Moura. Eles preparam um disco quase didático, Three steps to understand brazilian music, para o mercado americano. Os três passos para entender a MPB, segundo a dupla, são Pixinguinha, Radamés Gnattali e Tom Jobim.

    Bossas de Durval

    O clássico programático Sambop (parceria com Mauricio Einhorn), Sonho de Ipanema (com Regininha) e o tema Os grilos, da dupla de irmãos Marcos e Paulo Sérgio Valle, foram gravados pelo co-autor dos dois primeiros, Durval Ferreira, com seu quarteto (mais Paulo Midosi, Ivo Caldas e Haroldo Cazes) no novo disco da cantora Wanda Sá, a sair no Japão pelo selo Yoshida. No intercâmbio, Durval recebe hoje e amanhã, no JClub, que dirige na Casa Julieta de Serpa, no Flamengo, a cantora japonesa Kate Koyama. ''Ela canta bossa com swing e fez versões para o japonês de Batida diferente, E nada mais e O pato'', informa.

  • Formado em piano clássico pelo Conservatório Musical Carlos Gomes de Campinas, vencedor do Festival da MPB de Tatuí, parceiro de Toquinho e Durval Ferreira, que produziu seu disco, Celso Ricardo de Moraes alia o cargo de presidente da Chocolates Kopenhagen com o interesse musical. Em Bossa nova duets, dueta com Os Cariocas, Leny Andrade, Sylvio Cesar, Carlos Lyra, Wanda Sá, Roberto Menescal e Cris Dellano. O lançamento é dia 9, na Modern Sound, com show dos convidados.

    Dakine é afojazz

    Só a bancada instrumental de primeira já causa impacto. Da ala brasuca, Jaques Morelembau, Arthur Maia, Luiz Brasil e Lincoln Cheib, mais os radicados nos EUA Eumir Deodato (arranjos e orquestração) e Romero Lubambo (violão) e ainda os americanos Omar Hakim (baterista, de Madonna a Sting), Hiram Bullock (guitarrista de Miles Davis e James Brown) e o venezuelano Edsel Gomez (piano). Como se não bastasse, a paulista Dakine (Daniela Procópio), 29, já estréia, em CD, em julho, a bordo de nova fusão, o afojazz, mistura do gênero baiano afoxé com jazz. No cardápio, ela viaja dos baianos Vevé Calazans e Saul Barbosa ao americano Don Grusin, os gaúchos Totonho Villeroy e Gelson Oliveira e até Villa-Lobos.

    Porter pesquisado

    Americano do Kansas, onde estudou teatro no State Teacher's College e línguas na Indiana University, Fred Hines veio para o Brasil nos 70 e passou a pesquisar a MPB. Trabalhou com o compositor e jornalista Sérgio Bittencourt e com o produtor e pesquisador Ricardo Cravo Albin, além de estudar música com o violonista Meira e Nelson Jacobina. Agora ele aborda outra obra que pesquisou, a do ícone americano Cole Porter. Dia 8, no Mistura Fina, mostra Words and music by Cole Porter somando aos clássicos (Night and day, I'vegot you under my skin) temas menos batidos (You'd be son nice to come home to, Cherry pies ought o be you) e duas versões do brasileiro Carlos Rennó: Ser milionário, quem não quer? (Who wants to be a milionaire?) e Eu só me ligo em você (I get a kick out of you).

    Cordel no circuito

    Surgido como espetáculo teatral em 1997, em Arcoverde, sertão pernambucano, o grupo musical Cordel do Fogo Encantado percorre o circuito Trama Universitário enquanto prepara um CD e um DVD. O espetáculo A trajetória da terra é o embrião do novo trabalho, em que devem entrar músicas como Morte e vida Stanley e que pode ser visto hoje na Casa das Caldeiras, em São Paulo. O circuito, que teve 35 apresentações este ano, trocou os campi pelas casas noturnas para atrair alunos de várias instituições. Os eventos são gratuitos para os universitários cadastrados.

    O mundo de Memphis

    A imponente figura de Memphis Slim impressiona no DVD gravado em Londres, em 1986. Live at Ronnie Scott's Club (Indie Records) traz 13 composições do bluesman pianista e uma de Percy Mayfield (Please send someone to love). Dissonante em certos momentos, Memphis (Peter Chatman) destila o humor ferino em pequenas tiradas como esta: ''Trabalhamos com uma terrível desvantagem hoje, estamos sóbrios''. E mais: ''O blues é a única arte que os EUA têm a oferecer ao mundo e ela vem dos negros. Nós devíamos ser pessoas mais orgulhosas por isso e não somos''. Ele demonstra a amplitude do blues da jazzística Stepping out a Rock this house tonight, cujo título diz tudo.

    Dica de disco

    Paulista, ex-integrante do grupo de rock Lara Hanouska e projetada a partir da cena pernambucana do mangue beat, Stela Campos casa eletrônica, rock e MPB no novo disco, Hotel Continental (Outros Discos/ Tratore). Entre loops, samples e uma prosaica escaleta, Edna M vai tocando a vida adiante, ''como uma eterna coadjuvante'', diz a letra de Luciano Buarque, parceiro e marido. Na circular Cassino, sitiada por guitarras, ''nossa vida é uma roleta supersônica/ girando, girando sem parar''. O clima do disco é enfumaçado, vide a fantasmagórica Agosto, oprimida pela corrosão urbana (''o dia mal começou, mas eu já me sinto esgotado''), com excesso de temas lentos. Entre as referências/ homenagens destacam-se Johnny Cash (''nunca tentei achar a razão/ porque sempre me visto de preto'') e The girl form 33, alusão ao seminal Velvet Underground, ambas em inglês. Mas Stela também pratica a bossa pop (Câmera) e injeta balanço e ironia na faixa-título. O disco será lançado hoje no bar d'Hotel Cambridge, em São Paulo.

    ALTA ROTAÇÃO

  • No Top 10 da parada inglesa, o CD duplo Brazilia: The very best of the new brazilian sound, compilado pelo DJ Frank S. para o selo Saifam, reúne entre os brasucas Pingarilho (Samba de luar), Dom Um Romão em duo de bateria e voz com Ithamara Koorax (Mas, que nada), Bossa Nostra (Os grilos) e a dupla Palmira & Levita (Corcovado, A rã).

  • Com vendagem de 585 mil cópias do CD e 120 mil do DVD MTV ao vivo, e após uma turnê de 300 shows, o grupo Jota Quest embarca para Portugal para três apresentações com Ivete Sangalo em Lisboa, Famalicão e Porto.

  • Misturando música erudita e popular, a série Quartetos Internacionais que agita o CCBB nas terças-feiras de maio terá entre suas atrações o trio do pianista Bobby Lyle com o saxofonista Léo Gandelman (dia 10) e o quarteto vocal argentino Opus Cuatro (dia 24), que tem em seu repertório de Astor Piazzolla (Libertango) a Carlos Gardel (Volver) e Chabuca Granda (La flor de la canela).

  • Escolado no rock e blues stoniano, o ''guitarrista cigano'' Bebeco Garcia, pilar da banda oitentista gaúcha Garotos da Rua, vem ao Rio lançar em junho o CD Rio Grande Rio blues (Cultpar/ Universal), com petardos como Prefiro não acreditar, Quando a tempestade passar (atrás do vidro) e Paris Hotel.

    TELE GRÁFICAS

  • Lula Queiroga (foto), parceiro de Lenine na música Sob o mesmo céu, mostra seu disco Azul invisível, vermelho cruel, amanhã, no Circo Voador. Abertura de Nervoso.

  • Noca da Portela samba hoje no Odisséia prefaciado pelo conjunto Língua de Sogra.

  • O guitarrista, compositor e cantor de blues Maurício Sahady arremessa seu Vício valvulado amanhã, no Néctar de Vargem Grande.

  • A bossa nova será o prato principal da casa Chega de Saudade, na Dona Mariana, em Botafogo, a ser inaugurada segunda, pela xará da rua, Mariana (neta de Vinicius) de Moraes.

  • Simone, 59 anos e 32 de carreira, comemora disco de platina na parceria com Ivan Lins Carioca da gema, amanhã, no Claro Hall.

  • Hipercariocas dos Picassos Falsos agita hoje o Quiosque Na Medida, na Lagoa.

  • Antonia (filha do músico Mário) Adnet à frente de uma banda de oito músicos tributa o grande Moacir Santos com a presença do maestro, dia 12, no Rio Design Leblon.

  • O Terço na formação clássica - Flávio Venturini, Sérgio Magrão e Sérgio Hinds - faz um revival dia 4, no Canecão, onde grava o primeiro DVD, antes de começar uma turnê.

  • Até amanhã, o Pagode do Arlindo (Cruz) comemora dois anos de atividades no Teatro Rival com convidados. No mesmo palco, dia 5, é a vez da Jovem Guarda dos Golden Boys. O grupo apresenta Bruno Galvão, filho de um dos integrantes, Mário Correa. Ele gravou seu primeiro CD, Tudo bem, com participação de Luana (filha de Beth) Carvalho, com quem regravou Andança, sucesso de 1968 da hoje sambista acompanhada dos Golden Boys no vocal.

  • Idealizado por seu irmão, o produtor Paulo Assis Brasil, o 1º Festival In Jazz celebra o saxofonista Victor Assis Brasil no espaço que leva seu nome no Parque dos Patins, na Lagoa. Passarão pelo palco, domingo, o Quinteto Victor Assis Brasil, o pianista João Carlos Assis Brasil (irmão gêmeo de Victor) e o Quarteto Luiz Avelar.

  • Especializada no som adulto contemporâneo, a Banda Vermouth toca dia 6 no Iate Clube Jardim Guanabara, na Ilha do Governador.

    Cristina Braga, a voz da harpa

    Primeira harpista do Teatro Municipal e titular quase solitária das intervenções do instrumento na MPB, Cristina Braga exibe sua porção cantora de 10 de maio a 8 de junho (às terças e quartas), no teatro do Sesi, no espetáculo Mãos, dirigido por Caíque Botkay, acompanhada por Ricardo Medeiros (baixo) e Joca Moraes (bateria de bambu). Em julho, ela leva o espetáculo para Alemanha, França e Irlanda.


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    [29/ABR/2005]


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