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Padeirinho sincopado
[15/ABR/2005]
''Numa vasta extensão/ onde não há plantação/ nem ninguém morando lá/ cada pobre que passa por ali/ só pensa em construir seu lar.'' Um dos clássicos do samba, Favela, de 1966, parceria com Jorginho Peçanha, integra a obra de Osvaldo Vitalino de Oliveira, o Padeirinho da Mangueira, cuja dupla biografia já está nas livrarias. Com prefácio de Nei Lopes, Padeirinho da Mangueira - Retrato sincopado de um artista (Editora Hedra, 218 págs.) tem assinatura do especialista Franco Paulino. No final do livro há uma reprodução em fac-símile de As páginas da minha vida, texto autobiográfico, batido a máquina pelo próprio compositor. Um trecho: ''Geralmente quando Geraldo Pereira estava na tendinha cantando seus sambas, a tendinha enchia de gente para ouvir os sambas dele. Ele faleceu e eu herdei o estilo do samba sincopado'', assume. Figura lendária da Mangueira, autor solitário ou com parceiros de outras pérolas como A situação do escurinho, os sambas enredo O grande presidente e Rio, carnaval dos carnavais, Linguagem do morro, Terreiro de Itacuruçá, Samba de improviso, Quando a Mangueira passou, Como será o ano 2000, Padeirinho dialogou até com a bossa nova. Escreveu Modificado, com ''desenho melódico moderno e sedutor e seqüência harmônica requintada'', segundo Paulino. Diz a letra: ''já não se fala mais no sincopado/ desde quando o desafinado/ aqui teve grande aceitação/ e até eu também gostei daquilo/ modificando o estilo/ do meu samba tradição''.
Um dos principais eventos da meca dos festivais de rock, o de Glastonbury, aos 34 anos será retratado num DVD pela EMI, agendado para 15 de maio. Utilizando registros feitos pela TV, ajuda dos fãs e pesquisa nos sites das bandas, o DVD coleta performances de 19 artistas. Alguns escalados: Paul McCartney (Hey Jude), Radiohead (Karma police), Coldplay (Yellow), Chemical Brothers (Hey boy, hey girl), Moby (Why does my heart), Robbie Williams (Angels) e Travis (Driftwood). Nos extras, bastidores, entrevistas, fotos e imagens do marco inaugural de 1971.
Depois de pilotar a Orchestra Santa Massa, o pernambucano Helder Aragão, conhecido como DJ Dolores, desembarca seu projeto Aparelhagem, título do CD que está saindo agora pela Azougue Discos. Ele trilhou no ano passado um circuito europeu de 14 países, incluindo Turquia, Eslovênia e Macedônia, e em 2005 passou por Londres, Bruxelas, Paris, Dijon, Amsterdã e Zurich, promovendo o lançamento do disco pelo selo belga Crammed/ Ziriguiboom. Em novembro, fez parte da coletânea Rip, mash, sample, share, encartada na revista americana Wired, em parceria com o Creative Commons, que discute a flexibilização do copyright, ao lado de fonogramas de David Byrne, Beastie Boys, The Rapture, Gilberto Gil, etc. No repertório de Aparelhagem - Apresentando Isaar, todo comentado pelo autor, há desde a Ciranda da madrugada (''música dos pescadores, desacelerada, porém de pulso marcante para ouvir à beira-mar, sentindo o cheiro do sargaço, misturado à doce fumaça dos cigarros proibidos'') a O medo (''todos esperam que o goleiro não defenda o pênalti. O verdadeiro medo reside no artilheiro que tem que acertar. Sempre me lembro do Zico, no México em 1986'').
Pianista e cantora do neo soul americano revelada aos 21 anos no fulminante Songs in A Minor, cinco Grammys em 2001, Alicia Keys tem sua turnê registrada em DVD. The diary of Alicia Keys (ST2) flagra a cantora em cidades do Oriente Médio, África e mais Espanha, Monte Carlo e Arizona. Também na tecla do soul e vizinhanças, outro DVD, Wyclef Jean all star at Carnegie Hall, exibe o concerto beneficente do ex-Fugees cercado de estrelas em 2001. Sobem ao palco Stevie Wonder (Gone till november), Eric Clapton (Two wrongs), Macy Gray (Wish you were here), Mary J. Blidge (911) e Destiny's Child (Say my name).
Já está na rede numa série de episódios semanais o dia- a-dia das gravações do CD Sujeito homem 2, de Rappin' Hood. Recém-lançado, o disco foi gravado entre Rio e Sampa e contou com convivas como Gilberto Gil, Jair Rodrigues, Caetano Veloso, Arlindo Cruz, Zélia Duncan, Dudu Nobre. A série Diário de um músico - Rapin' Hood pode ser acessada via www.trama.com.br
A era dos festivais vai ser rebobinada no Plaza Shopping de Niterói, a partir de hoje, a propósito dos 40 anos do primeiro evento de repercussão, que em 1965 projetou Elis Regina nos braços de Arrastão (Edu Lobo/ Vinicius de Moraes). Haverá debates com os especialistas Solano Ribeiro (condutor dos festivais mais importantes) e Zuza Homem de Mello (historiador de A era dos festivais); exposições de fotos e material de arquivo; depoimentos de participantes da época, como Beth Carvalho e Jair Rodrigues; além de shows com os sucessos dos festivais repaginados por Bossa Cuca Nova e Roberto Menescal (amanhã), Domenico +2 (dia 18), Mart'nália com Marcelinho da Lua (25).
Produzido de forma independente num homestudio montado pelo próprio grupo Vocalise, Tudo é coisa musical vem acondicionado numa latinha. O título foi tirado da música Chá de panela, de Guinga e Aldir Blanc, em homenagem a Hermeto Pascoal, incluída no repertório ao lado de Música das nuvens e do chão, do próprio bruxo, que também toca no disco, Milagre dos peixes (Milton Nascimento/ Fernando Brant), Choro bandido (Edu Lobo/ Chico Buarque), Faltando um pedaço (Djavan). Participam Chiquito Braga, Carlos Malta, Célia Vaz, Délia Fischer, Daniela Spielman e Marcio Bahia. O lançamento será segunda na Modern Sound.
Brasília não produz só rock. Paulista de São Bernardo do Campo radicada na capital do país há 30 anos, a pianista e compositora Elenice Maranesi mostra em Pé de pequi sua eloqüência autoral em temas como o choro canção Jatiúca e a valsa Desprezada. E mais Shamu, Pé de pequi (num desenho sonoro da planta tortuosa característica da região) e Cenas, com letra de Ana Paula Barreto, parceira no grupo Invoquei o Vocal, onde Elenice transitou além da atividade pedagógica no Núcleo de Música Popular da Escola de Brasília. Atuam no disco, que tem ainda composições de Tom Jobim (Fotografia) e Gaudêncio Thiago de Mello (Missing home), Nelson Faria, Lula Galvão, Beth Ernst Dias e Oswaldo Amorim.
''Vamos viver acuados nessa democracia/ os telefones grampeados pelos agentes da CIA/ Já tem funk no carnaval/ e a Barra só fala inglês/ o que vai ser da gente tomando cerveja quente/ comendo feijão de lata/ chutando bola oval?'' As farpas saem do samba Mundo oval, que fecha o disco Com tradição, do cantor e compositor gaúcho Marcio Faraco, que o co-produziu junto com Patrick Votan e João Carlos Carino. Brasileiro radicado em Paris há mais de uma década, apadrinhado por Chico Buarque na estréia, ele já vendeu 200 mil cópias no mercado europeu e teve apenas seu anterior (Interior) lançado aqui. No novo disco, ele conjuga vocal confidente a um repertório de alto refino que se reparte entre sambas (Apesar da escuridão, Tempestade de verão, Com tradição), canções (Cidade, Dona Déborah) e baiões (Os olhos de uma mulher, Oriente). Tudo cerzido com harmonias requintadas e melodias fluentes. Faraco excursiona com o novo repertório por Poitiers dia 14 de maio, Lille (21), Châlons-en-Champagne (27) e Vichy (28).
Produtor de estrelas da MPB de A(driana Calcanhotto) a Z(eca Baleiro), Marco Mazola celebra 30 anos de atividades em grande estilo. Arremessa um CD duplo com originais produzidos por ele, incluindo os americanos Paul Simon (The rhythm of the saints) e Manhattan Transfer (The jungle pioneer, a Viola violar). Dos nativos, seu ecletismo abrange de Jorge Ben (Taj Mahal) a Belchior (Apenas um rapaz latino americano). De João Bosco (Papel marché) a Chico Cesar (Mama África), Raul Seixas (Gita) e o ministrartista Gil (Realce). De Chico Buarque (As vittrines) a Rita Lee (Menino bonito).
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