No MAM, onde na histórica sala Corpo Som a vanguarda erudita prenunciava a música eletrônica, rolará um evento do atual gênero dia 17. O Rio E-Music Festival importará um duo do segmento
trance, os israelenses Erez e Duvdev, do Infected Mushroom. Eles vêm lançar seu quinto CD,
I'm the supervisor, e gravar o primeiro DVD aqui, já intitulado
Infected Mushroom in Rio. Além deles a empresa produtora Plano A (que já trouxe ao Brasil o
rapper 50 Cents e o Linkin Park) promete 12 horas ininterruptas de som incluindo brasileiros do ramo, como Wrecked Machines, Oxyd, MPA (dos irmãos Mano e Nanique) e mais os DJs Du Serena, Victor Leti, o D-Storm e o carioca Esperança.
Bis dos Ashaninka
Depois de esgotar uma edição de 5 mil cópias produzida pela cineasta e indigenista Nicole Algranti em 2002, os índios Homãpani Ashaninka têm nova tiragem de seu disco lançada com textos em aruak, inglês e francês. Por conta do primeiro disco, a banda de seis a sete elementos da tribo (são 480 pessoas na aldeia Apiwtxa, no Acre, na fronteira com o Peru) esteve no Rock in Rio na tenda Para Um Mundo Melhor e foi aos EUA. O relançamento de mais 5 mil cópias do disco deve render algo em torno de R$ 100 mil para a Associação Ashaninka do Rio Amônia. Entre as 14 faixas, há em Músicas do Kamrãpe 40 minutos dedicados à cura, produzidos após um ritual com ayuasca. A longa balada Katari também é fermentada por uma bebida tirada do aipim. Além de algumas lojas, como a Modern Sound, Letras & Expressões, Livraria da Travessa, o CD pode ser encontrado no e-mail da produtora (taboca@visualnet.com.br), que pretende gravar um disco indígena por ano. A próxima tribo é a Katukina do Campinas, localizada a 60 km de Cruzeiro do Sul, no Acre, perita em flautas transversas.
Jongo na roda
Dez comunidades de jongo do Sudeste aportam no Rio dias 17 e 18 para o 9º Encontro de Jongueiros, produzido pela Associação Brasil-Mestiço. Dia 18, na Fundição Progresso, reúnem-se 500 participantes dos grupos da Serrinha, Quilombo São José, Barra do Piraí, Pinheiral, Angra dos Reis, Santo Antonio de Pádua, Campelo, Miracema, Guaratinguetá e Piquete. Mostrarão os sotaques regionais dessa música dançante que originou o partido alto e tanto contribuiu para o samba. Na edição deste ano será arremessado o CD/Livro do Quilombo São José com músicas gravadas num estúdio montado pela própria comunidade, além da história do Quilombo, instalado há mais de 150 anos na cidade fluminense de Valença. Haverá ainda o 1º Seminário Nacional Sobre o Patrimônio Imaterial do Jongo, com Jorge Wertheim (Unesco), Sérgio Mamberti (do Ministério da Cultura), Tia Maria da Serrinha e outros.
Brasil vira marca
A moda Brasil cresce. O tradicional selo jazzístico Verve aposta nas Brazilian Girls, que não têm nenhum nativo de Pindorama e a única mulher do grupo é a vocalista italiana Sabina Sciubba. Já que nossa capital é Buenos Aires, não poderia faltar um argentino, o tecladista Didi Gutman, ex-Bebel Gilberto. Os dois outros são ianques, o baixista Jesse Murphy, da Califórnia, e o batera Aaron Johnston, de Kansas City. O álbum de estréia, que sai lá em janeiro e aqui em fevereiro com o nome do grupo, teve co-produção de Hector Castilho (também Bebel, Philip Glass) e mixagem de Mark Plati (David Bowie, The Cure, Deee Lite). Eles cantam em italiano, francês, alemão, espanhol e inglês - mas não em brasileiro. Entre os títulos das músicas há Don't stop, Lazy lover (primeiro single) e Pussy, prato cheio para a desinibida Sabina.
Cliff emplaca outra
Desde o schuffle, o veteraníssimo Cliff Richard lança disco novo, Something's goin on, já em sétimo lugar nas paradas inglesas, puxado pelo single I cannot give you my love, de Barry Gibb, dos Bee Gees, que faz participação especial na faixa.
O tempo de Paulinho
O indispensável documentário sobre Paulinho da Viola Meu tempo é hoje (Videofilme), dirigido por Izabel Jaguaribe, chega ao DVD com um bônus de sete músicas inéditas. São elas: Timoneiro (parceria de Paulinho com Hermínio Bello de Carvalho), Coração imprudente (com Capinam), Lenço (Monarco/ Francisco Santana), Esta melodia (Jorge Bubu), Pastora dos olhos castanhos (Horondino Silva, o Dino/ Alberto Ribeiro) e mais Dança da solidão e Sinal fechado só de Paulinho. O filme flagra o recatado sambista na intimidade familiar e com parceiros como Elton Medeiros, além de encontros com Marisa Monte, Marina Lima, Zeca Pagodinho e a Velha Guarda da Portela.
Canecão Hall
O Canecão viverá seu dia de Carnegie Hall na próxima quinta-feira. Bossa nova in concert levará ao palco de Botafogo alguns participantes do histórico concerto de novembro de 1962 em Nova York, como Carlos Lyra e Roberto Menescal, além de grandes ausentes, como os precursores Johnny Alf e João Donato. E ainda Os Cariocas, Durval Ferreira, Peri Ribeiro, Leny Andrade, Wanda Sá, Marcos Valle. E mais os eletrônicos do Bossacucanova, Celso Fonseca e a pianista paulista radicada nos EUA Eliane Elias, que já gravou a obra de Jobim. O apresentador será Miele (que foi parceiro de produções do bossanovista Ronaldo Bôscoli) e os cenários de Nei Madeira e Lidia Kosowski reproduzem o grafismo geométrico das capas de discos do designer Cesar Vilela combinadas com as fotos em alto contraste de Chico Pereira.
Turista aprendiz
Fundado em 1998, o grupo paulista A Barca, dedicado à pesquisa e transcriação dos gêneros musicais brasucas, parte dia 19 para Belém. Viaja num ônibus/estúdio/palco a bordo do projeto Turista aprendiz, financiado pela Petrobras. Inspirados em Mário de Andrade, esses músicos pesquisadores em 55 dias irão a 22 municípios de nove estados (entre eles, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Ceará, Bahia e Minas). Pretendem realizar registros em vídeo e áudio de grupos tradicionais, além de shows, oficinas e vivências que se transformarão em três CDs encartados em libreto de 80 páginas e um DVD documentário.
Norah canta aqui
Chega a ser constrangedora a cena em que a turbinada estrela country Dolly Parton irrompe no palco do tépido show de Norah Jones em Nashville, capital dos caipiras americanos, e rouba a cena. Sob uma catedral de fios oxigenados, roupas transparentes, DP é tão bem-recebida que sai-se com a pérola: ''Tenho certeza que estes aplausos são para o número anterior de Norah.'' Numa competição de egos, Norah seria engolida em seu próprio DVD, And the Handsome Band - Live in 2004. Mas, na gravação, a cantora reafirma sua verdadeira identidade. Apesar de tocar a composição Melancholia, do jazzista Duke Ellington (que ela letrou sob o título Don't miss you at all), sua relação com o gênero é periférica. Norah pratica um country folk de harmonias trabalhadas como também atesta o relançamento de seu atual CD, Feels like home (EMI), com faixas bônus e um DVD gravado na Espanha. Também o disco que gravou com Peter Malick, ainda como desconhecida figurante, aos 21 anos, está sendo relançado em versões remixadas pela Sum Records (New York City The remix álbum), obra dos DJs Strobe, Land Shark e Baston & Burnz. Mas quem quiser conferir o fenômeno (18 milhões do solo de estréia e 8 milhões do segundo CD) terá que pagar o alto preço do longínquo Ribalta, onde ela canta só na terça.
Bala com bala
Caso curioso: empresária de Zeca Baleiro e cantora diletante, a mineira Rossana Decelso faz o primeiro songbook do contratado, o CD Mandando bala. Conta com participações de Moska, Verônica Sabino, Fernanda Takai (Pato Fu), Mathilda Kovak, Chico Cesar, Rita Ribeiro, Suely Mesquita e o próprio Zeca. Garimpa desde uma briga entre os dois que virou canção (Seja meu Deus) ao samba Belzebu de saia e mais, Frank Zappa, Zé Mané e o ácido Mortemor, do verso: ''a morte é como um nu frontal/ não choca mais ninguém''.
DICA DE DISCO
Encarar
logo na primeira
faixa a obra-prima de Caetano
Fora da ordem não é
para qualquer um. Enveredar
pelas elegantes harmonias
de Meia-noite (Edu
Lobo/ Chico Buarque) e
singrar a canção italiana
Estate(dos Brunos
Brighetti e Martino), bossanovizada
em definitivo
por João Gilberto, beira o desvario. Mas a cantora paulistana
Regina Machado, graduada em música pela
Unicamp, professora de canto erudito e popular, mestra
de ninguém menos que Monica Salmaso, vai além.
Também é compositora densa, como demonstra na faixa-
título e na anti-ode ao Rio de Janeiro (“Copacabana
não é mais princesa/ a tua verdade de fato/ é uma boca
banguela/ que medo encantador te desvendar cidade”).
De fora, ainda agrega de k.d.lang (Constant craving)
a Paul Mc Cartney (a valsinha Junk ). Tudo acompanhado
pelo impressionismo minimalista de Mário
Manga (violão de aço, cello e violão tenor), Swami Jr.
(violão de 7), autores dos arranjos, e Itamar Colaço
(baixo). Audácia, precisão e perícia com paixão.
TELE GRÁFICAS
Nos 15 anos do selo
Midsummer Madness, show
com as bandas Casino,
Cigarettes, Enzzo, Jess Saes,
Luisa Mandou um Beijo, Pan
Cake, Pelvs, Pedro P78,
Stellar, Supercordas e
Nervoso, hoje, no
teatro Odisséia, na
Lapa.
Inaugurado com um
CD da Velha Guarda da
Mangueira, o selo Nikita
celebra cinco anos com
shows de Aleh e Tatiana
Dauster, quinta-feira, no
Sobrado Rio, na Lapa.
De hoje a domingo Los
Hermanos fecham a tampa
de Ventura com um conviva
a cada noite: Acabou La
Tequila, Domenico + 2 e
Carne de Segunda. Antes do
show a banda mostra cenas
inéditas do documentário
Além do que se vê, dirigido
por Caito Mainier e Felipe
Abrahão, que integram os
extras do DVD Los hermanos
no Cine Íris, dirigido pelo
cineasta Eduardo Valente,
a sair em janeiro.
Os Titãs escalam o Morro
da Urca, hoje e amanhã, no
Oi Noites Cariocas.
Arlindo Cruz instala seu
pagode dias 13 e 20 de
dezembro, no teatro Rival.
Segunda, Mario Adnet
lança em pocket show novas
edições de seus discos Para
Gershwin & Jobim (1999) e
Pedra Bonita (1994), agora
pela Biscoito Fino.
Vocalista da Orquestra
Imperial, Nina Becker
abre, dia 4, no Sérgio
Porto, o Humaitá Pra
Peixe, seguida pelo
ator/cantor Sérgio
Loroza, com seus medleys
de Djavan, Tim Maia,
Bezerra da Silva, Lenine
e Toni Tornado.
Monarco canta dia 15 no
Carioca da Gema com a
roda de samba Tempero
Carioca.
Hoje Ricardo Imperatore
abre seu BoTECOeletro na
FNAC Barra e, dia 14, na
Melt do Leblon.
Leoni faz show de
lançamento do livro Quem
tem um sonho não dança, de
Guilherme Bryan, sobre os
anos 80, dia 14, na Modern
Sound.
Com intervenção do
rapper Rappin Hood, o
Cidade Negra lança o CD
Perto de Deus, amanhã, no
Credicard Hall, em Sampa.
O Lúdica Música
apresenta-se amanhã no
Madame Vidal de
Botafogo. Participa Rita
Ribeiro.