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Cine Zeca
[06/FEV/2004]
Além de CD, DVD e biografia em livro, Zeca Pagodinho agora chega ao cinema através do curta metragem O jaqueirão do Zeca, de Denise Moraes e Ricardo Bravo, que estréia dia 12 no MAM em sessões fechadas para convidados e integra dia 14 a Mostra do MAM Documentando a música brasileira. O curta tem fotografia do ás do cinema novo Dib Lufti, irmão do compositor e cineasta Sérgio Ricardo. Em 20 minutos, filmados em 35 mm, mostra o processo de escolha do repertório dos discos de Zeca. Captura reuniões musicais de sambistas conhecidos e obscuros ocorridas nas casas do cantor em Xerém e na Barra. Entre eles, o Trio Calafrio (Marcos Diniz, Barbeirinho e Luiz Grande), de Caviar e Comunidade carente, Efson de Hoje é dia de festa, Zé Roberto de Vacilão e Meu modo de ser e Serginho Meriti de Deixa a vida me levar e Lá vai marola.
Documentando a música brasileira rola de 13 a 15 e de 26 a 28 no MAM. Vai de Bahia de todos os sambas de Paulo Cesar Saraceni e Leon Hirzman, de 1996 (com Dorival Caymmi, João Gilberto, Caetano, Gil, Gal, Tom Zé) a Alô, alô carnaval, de Ademar Gonzaga, de 1936 (Aurora e Carmem Miranda, Francisco Alves, Lamartine Babo, Mário Reis, Custódio Mesquita). Passa por dois outros filmes de Saraceni, Natal da Portela (1988) e Banda de Ipanema (2002) e mais Um certo Dorival Caymmi (Aluísio Didier, 1991), Carmen Miranda (Jorge Ileli, 1971), Quando o carnaval chegar (Cacá Diegues, 1972), Cordiais saudações (Gilberto Santeiro, 1968), Nelson Cavaquinho (Leon Hirzman, 1968). E ainda preciosidades como Tudo azul (Moacyr Fenelon. de 1954, comédia musical com Marlene, Dalva de Oliveira, Virgina Lane, Jorge Goulart, Emilinha Borba) e Rio, Zona Norte de Nelson Pereira dos Santos (1958) de quem também é Meu compadre Zé Keti (2001). E outros curtas como Coruja (Simplicio Neto e Marcia Derraik), sobre Bezerra da Silva, O nego está sambando (Alberto Byington, 1939), Maxixe, a dança proibida (Alex Viany, 1974), Pixinguinha, de João Carlos Horta (1969) e a estréia de Os devotos do samba (Maria Claudia Oliveira, 2004)
Influenciado pelo Nirvana, Joy Division e Garotos Podres, o quarteto Sex Noise dispara um CD de sete faixas de título poético, Estrelas que se acendem num bujão de gás (Gongolo Music). No lugar de guitarra, um solo de canário belga atravessa a faixa Cheirando a carpe diem. O grupo é formado por Larry Antha (voz), Mario Jr. (baixo), Alex Dusky (guitarra) e Walan Falcão (bateria) e disponibiliza as letras no site www.sexnoise.cbj.net.
Colocado nas lojas sem alarde no final do ano passado, o pacote de quatro CDs e um CD-Rom Baixo Leblon on the rocks, pilotado pelo poeta multimidia Tavinho Paes esquenta as turbinas para relançamento após o carnaval. A primeira leva saiu da Universal, mas a Indie Records, onde ele montou o selo Totalmente D+, tem distribuidora própria desde o começo do ano e vai recolocá-lo em circulação com festas promovidas por Tavinho, que entre 1974 e 1983 foi o bardo do Baixo, a muvuca de rua fomentada pelos restaurantes Guanabara, Diagonal, Jobi e os extintos Luna e Real Astória, o popular RÁ! No CD-Rom, um e-book com nove contos e uma poesia ''em torno daquele território livre e louco'', como decupa Arthur Dapieve no release. O CD-ROM também se relaciona com a Internet através do site www.totalmentedemais.com.br, que disponibiliza letras, noticias e novas experiências do furacão criador. Na seleção dos CDs, há uma antologia das parcerias de Tavinho em músicas como Totalmente demais (na voz de Caetano), Rumba louca (Gal Costa), Life Gods(Marisa Monte e Gil), Felicidade zen (Ney Matogrosso), Acho que dá (Marina Lima), O homem que sabia demais (Skank) e Rádio blá (Lobão). Nos outros há de uma revisão tropicalista (Batmacumba, Alegria, alegria, Anjo exterminado) a trilhas para os contos do e-book Uma sauna no escuro e Uma festa no motel, que vão de Mintchura (com Neuzinha Brizola, assídua do Baixo) a Porque a gente é assim (Barão Vermelho, de Cazuza, outro residente).
Através da Rob Digital, o selo Putumayo dedicado a world music volta ao mercado brasileiro. Entre os CDs recém lançados, African groove mixa tecnologia e batidas tribais em faixas da americana Thievery Corporation (The Lagos Communique), da Positive Black Soul, do Senegal (Woyouma) de Dady Mimbo, de Camarões (Bouba) e Julien Jacob, do Benin (Kalicom). Já French café faz uma salada mais eclética, misturando Brigitte Bardot (Un jour comme un autre), Serge Gainsbourg (Marilou sous la neige) e a ex-mulher Jane Birkin (Elaeudania Teitéia) e o grupo Paris Combo (Fibre de verre, On n'a pas besoin) de recente agenda brasileira.
Nascidos no Recife, os gêmeos Keops e Raony, de 15 anos, exímios no rap temperado por um rock groove, preparam o CD de estréia pela Sony, ainda sem data de lançamento. Eles exibem sua destreza dia 10 no Madame Vidal, de Botafogo, em petardos como Suor infantil: ''Lugar de criança é na escola/ não é trabalhando, nem cheirando cola (...) o suor infantil/ sustenta o Brasil''.
Os sanfoneiros virtuoses Oswaldinho, Sivuca e Dominguinhos foram reunidos em estúdio pelo produtor José Milton. O resultado do encontro, a sair pelo selo Biscoito Fino, leva o título de uma das faixas onde reina o improviso, Cada um belisca um pouco. José Milton concluiu também Os sambas de Caymmi (Warner), homenagem dos três filhos musicais, Dori, Nana e Danilo, ao patriarca Dorival, no ano em que completa 90 de idade.
Em julho João Donato leva seu piano salseiro para dois festivais na Espanha. O de Jazz de San Javier (dia 2), em Murcia e o de Colado Villalba (dia 5) , em Madrid. Donato ainda planeja entrar em estúdio com Carlinhos Brown (mais a Timbalada), que vem de uma aventura hispânica na pele do personagem Carlito Marron. Donato & Brown já tem oito parcerias inéditas.
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