Fina flor do samba
Selo novo que já começa embalado no universo do samba, Fina Flor, do produtor Marcus Fernando e do músico Ruy Quaresma, promove estréia tripla no final de fevereiro. Além do primeiro solo da portelense da Velha Guarda Surica, repleto de inéditas do baú, saem Choro criolo, solo do saxofonista Humberto Araújo, e o primeiro do quarteto Sururu na Roda, liderado pela bandolinista e cantora Nilze Carvalho. O de Humberto terá participações de Leandro Braga, Claudio Jorge, Henrique e Beto Cazes, Chiquinho Chagas, quarteto de cordas e naipe de sopros e inéditas de Jacob do Bandolim e K-Ximbinho. Formado por Camila Costa (violão), Silvio Carvalho e Fabiano Salek (percussão), mais Nilze, o Sururu interpretará sambas garimpados de Candeia, Noel e Caymmi, além de um pot-pourri de Chico Buarque que terá o autor em A Rita.
Zélia Tira Poeira
Local de predomínio pop, o Ballroom abre as (com)portas para um grupo de choro, o Tira Poeira, em temporada de seis shows, a partir do dia 14. Formado por Caio Márcio (violão), Henry Lentino (bandolim), Samuel de Oliveira (sax), Fábio Nin (violão de 7) e Sérgio Krakowski (pandeiro), o TP receberá convivas, a começar por Zélia Duncan na primeira noite, o que levará para o repertório de Jacob (Santa morena), Chico Buarque & Francis Hime (Atrás da porta) e Nelson Cavaquinho (Caminhando) também os sucessos da cantora Por que não pensei nisso antes e Não tem volta.
O solo de Juarez
Violonista virtuose, compositor e arranjador, o mineiro Juarez Moreira, que já tocou com Maria Bethânia, Paulo Moura, Milton Nascimento e Lô Borges, lança o 7º disco, Solo, dia 16, na Modern Sound. Juarez faz um balanço de suas influências desde que se iniciou no instrumento, aos 12 anos. Vai de Pixinguinha (Lamento) e David Rose (Holiday for strings) a Egberto Gismonti (Salvador, Água e vinho), Nazareth (Apanhei-te cavaquinho) e Laurindo de Almeida (Brazilliance).
Quem matou Cooke?
Figura pouco valorizada no universo do soul, o precursor Sam Cooke tem sua história documentada num DVD definitivo, Legend (Universal). Morto em dezembro de 1964 aos 33 anos, no auge da carreira, em circunstâncias obscuras (esfaqueado por uma mulher num motel), SC antecedeu a Motown na passagem do gospel para o soul/ pop em clássicos como You send me, (What a) wonderful world , Having a party, A change is gonna come e a única de repercussão no Brasil, Twistin' the night away. Ativista da causa negra, ele foi ligado a Malcolm X e Muhammad Ali e teve os Beatles e os Stones como admiradores. No DVD, além de um duo musical entre o cantor e o boxeador, há depoimentos de Aretha Franklin, Lou Rawls, Bobby Womack, Lloyd Price e da família do focalizado.
De Lalá pra cá
No ano do centenário de Lamartine Babo, a gravadora Dabliú Discos lança junto com a Ward Records, no Japão, o CD De Lalá pra cá, da cantora Márcia Salomon. A homenagem é dupla, já que o próprio nome da empresa, com logotipo criado por Millôr Fernandes, foi inspirado na marchinha de Lamartine em parceria com Noel Rosa A, E, I, O, U (''dabliú, dabliú/ na cartilha da Juju, Juju'').
Agitos alternativos
Sucesso na primeira investida, o Pelúcia Fuckcia volta terça ao Teatro do Jockey. O grupo é liderado pela guitarrista do Gerador Zero, escalado para o último Tim Festival, Mary Fê, também vocalista e compositora no PF. Mary toca com uma aplicação de pelúcia na guitarra e a banda interage com um documentário de ficção no telão. Quem levar um bicho de pelúcia reduz o preço do ingresso.
No outro lado da cidade, no mítico Garage, na Praça da Bandeira, dia 24, voltam a bicar-se: Zumbi do Mato e Rogério Skylab. Ambos já trocaram participações nos discos Pesadelo na discoteca e Skylab II e planejam uma parceria completa em Zumbi + Skylab, cujo marco inicial será a música Dá um beijo na boca dele, mostrada no show.
Karnak reencarna
Gravadas diretamente das mesas de som, as performances do grupo que acabou em 2002 e misturava música, teatro e dança, saem no CD duplo Os piratas do Karnak, condensando repertório de três CDs de estúdio e as inéditas O indivíduo, Captain of my soul e Quadrilha do pé quente. Pelo Karnak passaram 11 músicos (e dois atores) liderados por André Abujamra.
Petardos de blues
O guitarrista e cantor Big Gilson (ex- Big Alambik) manda Puro feeling (Top Cat Records), com sua banda Blues Dynamite. Ele comemora dez anos de carreira com um cover do mestre Muddy Waters (Baby please don't go) e o restante de composições próprias, como Mr. Freeze (tributo a Albert Collins) e mais Panos e planos e Não lembre de chorar, que evocam o começo, na banda Emoções Baratas.
Um dos fundadores do Baseado em Blues e do trio acústico Blues ETC, o gaitista Jefferson Gonçalves sai solo em Gréia, com intervenções de Airto Moreira, dos gaitistas americanos Peter ''Madcat'' Ruth e Norton Buffalo e mais Zé da Flauta, Tavares da Gaita e Carlos Malta. No cardápio, totens de Ray Charles (Hard times), Bob Dylan (All along the watchtower) e curiosas fusões em Forró dos amigos, Pifado e Rabeconha blues.
Bossa à parte
Empresário de Igarapava (SP), amante da bossa nova, João Samuel foi à luta e conseguiu patrocínio (da Diebold/ Procomp) e gravou dois discaços do ramo. Um com o instrumental/ vocal Jongo Trio, de Cido Bianchi (piano) e Toninho Pinheiro (bateria), que, reforçado por Karlãum (baixo), Natan Marques (guitarra, violão) e Léa Freire (flauta), singraram preciosidades como Samba de rei, Muito à vontade, Nôa nôa, Amanhã e Baiãozinho. O outro é com o vocal/ instrumental Os Cariocas, hoje integrado por Severino Filho (1ª voz, piano, teclados, arranjos), Elói Vicente (4ª., violão, guitarra, gaita, arranjos), Neil Teixeira (3ª, baixo) e Hernane Castro (2ª, bateria e percussão). No cardápio: Pra você, Pra machucar meu coração, Nanã, Quem diz que sabe, Nada a perder, Valsa de uma cidade. Distribuídos no fim do ano como brindes, os discos estão sendo negociados por João Samuel para lançamento no mercado. Merecem.
Nação em ação
Com abertura do grupo Autoramas, o Nação Zumbi faz show único dia 15 no Canecão com o repertório básico do quinto disco e clássicos (Da lama ao caos, Macô, Rios, pontes & overdrives). O grupo também multiplica-se pelas atividades individuais, como a trilha do filme Amarelo manga, produzida por Jorge Du Peixe (voz e percussão) e Lúcio Maia (guitarra). Pupillo gravou uma faixa do novo disco de Caetano a convite do próprio. O baterista e percussionista administra o selo Candeeiro Records, que lançou CDs de DJ Dolores & Orchestra Santa Massa e o novo do mundo livre s/a. Lúcio, Dengue (baixista) e Pupillo gravaram uma faixa do novo disco de Fernanda Abreu. Os três e Jorge Du Peixe montaram a banda paralela Los Sebozos Postiços das Noites do Ben, com repertório de Jorge Ben dos 70 e similares. O percussionista Gilmar Bola 8 tem atuado como produtor de hip hop. Junto com o DJ Renato L, Du Peixe faz discotecagens sob o nome de Cool Crabs.
TELE GRÁFICAS
O Kid Abelha celebra a maioridade - 21 aninhos! - mais as 550 mil cópias do último CD e 80 mil do DVD no Claro Hall, dias 17 e 18. Paula Toller (voz & vizu), George Israel (violão, bandolim, sax e escaleta) e Bruno Fortunato (violão e bandolim) juntam os sucessos ao repertório do disco e as inéditas Nada sei (Apnéia) e Gilmarley song.
Na primeira semana da série Brasil de todos os sambas, no CCBB, a Bahia estará em foco nas composições do lendário Riachão, 81 anos, autor de Cada macaco no seu galho - que Caetano lançou em sua volta ao Brasil, em 1972 - e Vá morar com o diabo, gravada por Cássia Eller. Ele cantará ainda Quem é o dono dessa mulher com outro autor baiano, Roque Ferreira, o de Samba pras moças, sucesso de Zeca Pagodinho. Também convidada do módulo, D. Ivone Lara entra em Até amanhã, de Riachão, enquanto a cantora baiana Jussara Silveira homenageia outros autores da terra de Batatinha e Dorival Caymmi.
A cantora mineira Ceumar (dos CDs Dindinha e Sempreviva) faz shows dias 15 e 16 no Anexo do Teatro do Conjunto Cultural da Caixa, no Centro.
A banda de rock e dub eletrônico Paralelo 8 toca ao vivo na festa Ronca ronca, dia 14, na Bunker.
O maestro Ricardo Prado faz em Sábados musicais uma série de palestras sobre o piano, desde sua criação até os dias de hoje, no Leblon Lounge do Rio Design Center.
Estréia hoje para o público e vai até o dia 29 de fevereiro, no Teatro do Centro Cultural Correios, Clara, espetáculo que celebra a cantora na voz de Nalanda, direção de Edu Mansur. O diretor musical Roger Henri fez questão que as 18 músicas escolhidas tivessem os arranjos originais, ''para que o público possa reconhecer cada música já na introdução''.
Luiz Carlos da Vila comandará a roda de samba, dia 15, no Rio Claro de Verdade, na Marina da Glória.
[09/JAN/2004]
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