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Excesso de preconceito contra o preconceito


Outro dia estava assistindo a um dos programas chiques do GNT quando apareceu o Nelson Motta. Nelson Motta falava de mulher. Parei pra ouvir. Gosto do Nelson Motta. De graça. Sempre tive uma inveja estúpida de suas conquistas. Mulheres entre elas. Nelson disse que, diferentemente dos homens, que o sensibilizam pela inteligência, é a beleza das mulheres o que mais o atraía num primeiro contato. Achei sincero. Mas uma garota que estava vendo o programa do meu lado mandou na lata: ''Preconceito idiota''. Não fosse minha inaptidão para discutir com garotas, eu teria falado qualquer coisa. Um palavrão, talvez. Não para defender o Nelson Motta. Ele, com certeza, não precisa desse tipo de intervenção a seu favor. Mas para defender o preconceito.

Sou preconceituoso, admito. Não é uma coisa bonita de se contar. Mas, na verdade, ser preconceituoso nem sempre é um defeito tão grave assim. Há um preconceito generalizado contra o preconceito, carácoles! Injustiça. O preconceito nada mais é que um conceito prévio. Uma primeira impressão. Ou uma intuição, vá lá. Para o bem e para o mal. Da mesma forma que simpatizo com o Nelson Motta, antipatizo com o, sei lá, José Dirceu, por exemplo. De graça. Posso estar errado, pode ser implicância minha. Mas é natural. Ou ninguém veria um filme a partir do trailer, nem compraria um livro pela orelha, nem escolheria um time pela camisa. Ninguém se apaixonaria à primeira vista.

O preconceito, quando usado de maneira racional, nos livra de aborrecimentos. É uma questão de amostragem, algo que poderia ser medido pelo IBGE. Implico com gente que ri muito, por exemplo. Nas minhas estatísticas, 70% dos que riem muito não são confiáveis. Os que dizem ''tchau tchau'' no telefone também não: a repetição é a munição dos chatos. Me irrito também com os homens de rabo-de-cavalo, as mulheres com sandálias que deixam um único dedão de fora e com os cachorros de agasalho de lã. Detesto os que falam no diminutivo: chopinho, cineminha, amorzinho, motoca. Motoca é o escambau. Odeio saco plástico de supermercado. E tenho horror ao Darth Vader. Principalmente os Darth Vader de araque.

Guerra nas estrelas nos dá a chance de ser preconceituoso tardiamente. Um pós-preconceito, se é que isso é possível. Não é todo filme que mostra o primeiro episódio depois de exibir os outros cinco. Não vi nenhum deles, não sou trouxa. Não assisto a filmes que misturam bonecos de lata, bichos de pelúcia e filosofia. Mas ouvi falar. Mais que tudo, acompanhei debates sobre a série e vi as filas de espectadores à espera da primeira sessão. Alguns deles, na faixa dos 30 anos, fantasiados. Com espadas na mão. Engenheiros com espada, contínuos com espada, publicitários com espada. É o lado negro da força, sem dúvida. E ainda há gente que reclame do Severino por querer empregar sua própria família. Está certo o Severino: não se pode confiar em ninguém.

É mais ou menos o motivo dos debates em torno do novo Saia justa. Todos acham que possuem a pessoa certa para o cargo. Mas só há três vagas. Só vi um pedacinho do primeiro programa, mas vou emitir opinião assim mesmo. E, ao contrário do que reza o senso geral, acho que vai dar certo. Pode ser que Luana Piovani, Beth Lago e Márcia Tiburi não sejam as substitutas certas para Rita Lee, Fernanda Young e Marisa Orth. Acho até que podem acabar sendo. Pouco importa. Mônica Waldvogel continua por lá. Mônica é uma espécie de Nelson Motta no meu mundo particular das simpatias gratuitas. Com a vantagem de ser mulher e de ter nariz grande. Mulheres de nariz grande transmitem confiança. E me deixam descadeirados. Preconceito meu, pode ser.


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[26/MAI/2005]


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