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O nosso antigo e delicioso guaraná


Até alguns anos atrás não existia produto mais desejado pelos brasileiros morando no exterior do que uma garrafa de guaraná. O guaraná champagne Antártica simbolizava tudo que era nacional - era como se, de repente, você estivesse sentado naquele seu boteco favorito, tomando algo com os amigos e jogando conversa fora; era o gosto de casa. Dizem que a palavra saudade não tem tradução, mas se ela pudesse ser visualizada com certeza seria uma garrafa de guaraná e um bombom Sonho de Valsa.

O Brasil é praticamente o único produtor de guaraná do mundo, num total de cinco mil toneladas por ano e um mercado que movimenta 100 milhões de reais. A planta de guaraná, comum nos estados do Amazonas e do Pará, é cultivada pelos índios há vários séculos. Os Maués a consideravam sagrada e sabiam como cultivá-la e fazer das sementes uma pasta que era utilizada como alimento e também como remédio. As suas propriedades são conhecidas: tem capacidades tônicas, nutritivas, adstringentes e excitantes. O guaraná é também usado para combater o cansaço mental, melhorar a circulação, como moderador de apetite e como afrodisíaco. O processo usado na sua extração é relativamente simples: a semente é torrada, moída e colocada em tanques para se extrair o líquido inicial. Este é então decantado, filtrado e concentrado. Está pronto o extrato que pode ser vendido em forma de pó, xarope, ou em bastão - adoçado ou não. Até hoje é considerado o melhor guaraná do Brasil o que vem da região de Maués. A planta de guaraná precisa de clima quente e úmido, daí seu cultivo quase que exclusivamente no estado do Amazonas.

O termo guaraná foi durante décadas sinônimo do refrigerante feito à base de extrato da fruta pela firma Antártica. O guaraná Antártica se chamava Champagne Antártica e nasceu em 1921 usando exclusivamente os frutos produzidos na região de Maués. Até hoje todo o guaraná feito pela Antártica usa sementes do Amazonas. O Guaraná da Brahma chamava-se guaraná Genuíno e nasceu em 1924. O mercado brasileiro de refrigerantes dobrou nos últimos cinco anos e hoje movimenta 11 bilhões de litros por ano, o que parece pouco se comparado aos Estados Unidos que consome 49 bilhões de litros por ano. Durante décadas o guaraná e outros refrigerantes, a maioria feitos localmente, dominaram o mercado brasileiro. A Coca Cola desembarcou em terras brasileiras em 1942, no Recife, e desde então vem conquistando um espaço impressionante. O Brasil é o terceiro mercado mundial de Coca Cola ficando atrás somente dos Estados Unidos e do México. Os refrigerantes souberam se adaptar às novas demandas da população. Em 1976 a Brahma lançou o litro retornável e em 1988 lançaram a embalagem descartável de 250 ml e também a primeira tampinha de rosca. A linha diet da Antártica foi lançada em 1989 e foi um avanço não somente para os que contavam as calorias, mas uma alegria para os diabéticos. Os refrigerantes hoje estão no centro das batalhas diárias de mães que não conseguem fazer seus filhos beberem suco ou até mesmo água. Isto sem falar na quantidade de açúcar contida - uma lata de refrigerante contém o equivalente de aproximadamente oito colheres de chá de açúcar. O brasileiro hoje consome uma média de 66 litros de refrigerante por ano, enquanto o mexicano consome 137 litros, o australiano 118, o canadense 117, o norueguês 121. O campeão absoluto de consumo de refrigerantes é o americano com uma média de 208 litros por pessoa por ano. Com certeza o brasileiro chegaria a esta marca se as condições econômicas o permitissem. A classe média consome mais de 66 litros por ano, principalmente os adolescentes. Tem gente hoje que mata a sede com refrigerante, não consome água nunca.


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[10/ABR/2005]


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