As festas de Natal já ficaram para trás e já nos esquecemos da correria, dos presentes errados, dos excessos gastronômicos. Agora é hora de pensar na próxima festa: o réveillon.
Enquanto o Natal é religião e família, o réveillon é a festa pagã por excelência. É a celebração da vida. É quando enterramos o que foi ruim no ano que passou e celebramos o que foi bom - festa de amigo, de alegria, de dança. É festa de estar ao ar livre, olhar o céu e ver os fogos - símbolo maior da beleza fugaz, um segundo, um suspiro de tanta emoção e depois só na lembrança.
Desde a sua invenção (ou desde que foi descoberta?), no fim do século 17, o champanhe se tornou o vinho das comemora- ções. Don Pierre Perignon era um frade beneditino que morreu aos 77 anos, em 1715, e é atribuída a ele a descoberta do champa- nhe. Na verdade, já existiam vinhos brancos espumantes, mas sempre conseguidos por acidente. O que Don Perignon fez foi aprimorar a técnica, separando o vinho branco das uvas mais escuras e fazendo uma manipulação mais inteligente das prensas. Ele também foi inovador ao misturar vinhos de diferentes vilarejos da região para criar um só, mais equilibrado. Devemos a ele também a taça em forma de tulipa, chamada de flute, que é a ideal para se servir o champanhe. O mais curioso é que o famoso monge era cego.
Talvez não exista uma bebida tão cercada de histórias e lendas como o champanhe. Desde o começo se tornou a predileta dos reis, rainhas e nobres da Europa. A francesa Madame Pompadour, marquesa ambiciosa e enxerida e uma das favoritas do rei Luís XV da França, só tomava Moët, assim como o Duque de Richelieu. Já Napoleão, que também gostava muito da bebida, levava caixas nas suas viagens e nos campos de batalha. Por volta de 1900, os americanos se tornaram grandes consumidores de champanhe e desde então sua popularidade só cresceu.
Na coroação da rainha Elizabeth II, em 1953, foi servido Veuve Clicquot 1934 e, 25 anos depois, na comemoração do jubileu de prata, foi servido Moët Chandon. Muita gente espera uma ocasião especial para saborear uma garrafa, mas, segundo o famoso escritor inglês Oscar Wilde, só alguém sem nenhuma imaginação não consegue inventar uma razão para se beber champanhe!
Segundo conhecedores, o champanhe é o único vinho com o qual você pode começar e terminar uma refeição. Vai bem do aperitivo à sobremesa.
Para que sua garrafa dure mais tempo, guarde-a em lugar fresco e escuro. Não é recomendado guardar o champanhe na geladeira, pois ele perde um pouco do sabor. O ideal é gelar na hora de servir, colocando a garrafa em balde com metade de gelo e metade de água por 10 a 15 minutos. O champanhe atinge o máximo de equilíbrio entre aroma e sabor quando está a oito graus centígrados. O teor alcoólico varia entre 10 e 15 graus, e existem cinco categorias de champanhe em relação à quantidade de açúcar: brut (muito seco), extra dry (seco); sec (levemente adocicado); demi-sec (doce); e doux (bastante doce). Uma dica: quanto menores e mais numerosas forem as bolinhas, melhor o champanhe.
Somente o vinho espumante produzido na região de Champanhe, na França, e feito pelo método champenoise, que consiste em uma segunda fermentação na garrafa, pode ser chamado de champanhe. Os outros vinhos espumantes, mesmo fabricados pelo método tradicional, devem usar outro nome. Na Espanha é chamado de cava; na Itália, prosecco; no Brasil, espumante; e nos Estados Unidos, sparkling.
O ano de 2004 está acabando e 2005 é uma promessa. É hora de celebrar e agradecer. Nada melhor que uma garrafa de champanhe (o espumante nacional anda ganhando concursos mundo afora e é realmente delicioso) bem gelado enquanto você aprecia as estrelas ou os fogos. Feliz Ano Novo para todos.