O carnaval está aí mesmo, e mãe Iemanjá, que tem muitos filhos cariocas, é a dona do dia 2 de fevereiro. Então, pensando nesta coincidência de datas, resolvi acompanhar meu amigo Chicô Gouvêa em uma visita ao Mercadão de Madureira.
Ninguém precisa pensar que pirei. Encarar Madureira com um calor de 40 graus, no fim das contas, só pode ser coisa de doido mesmo. Mas não é: o Mercadão, depois dos incêndios, tem ar-condicionado digno do finado Metro Copacabana - e quem tem idade para lembrar sabe que foi o melhor clima de montanha deste Rio de Janeiro, numa época em que sistema de refrigeração era coisa para poucos bolsos. Piso de granito, uma quantidade de lojas, uma enormidade de gente, o Mercadão, pode crer, é tudo de bom. E ainda abre aos domingos.
Fantasias há para todos os gostos e tamanhos: do velho Clóvis de guerra G ou GG à ciganinha colorida para menininhas de 1 ano. Perucas coloridas, colares de baiana, panos-da-costa, fantasia de diabo, o escambau. É um barato olhar todas aquelas vitrines e observar as produções carnavalescas que os foliões da hora estão preparando para cair no samba.
Quem quiser homenagear Iemanjá não vai fazer feio: tem barquinhos e barcões, pentes, perfumes, velas, o melhor para as oferendas. É jogar no mar, saudar com um Odoiá, e ter a certeza de que vai agradar à Rainha das Águas. De quebra, para quem gosta de um bom boteco, a Avenida Edgard Romero é bem fornida nos quesitos pastel, lingüicinha, cervejinha gelada. Tudo a ver com o esquenta-folião do carnaval.