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Corpo e alma


Hoje se fala muito sobre uma infinidade de práticas terapêuticas transpessoais, que abordam o indivíduo como um todo, a partir de sua relação personalidade-essência. Através do corpo, podemos observar os diversos aspectos de expressão do ser humano, desde comportamentos mecânicos enquadrados numa sociedade padronizada, onde a palavra estresse já virou vírgula. Segundo o físico Albert Einstein, não devemos ignorar a existência de formas de energia mais sutis, que ainda não podem ser medidas diretamente, mas que são muito poderosas.

Felizmente, podemos observar uma busca crescente por uma maior consciência corporal, adquirida, além do nosso dia-a-dia, por aqueles que procuram caminhos alternativos de desenvolvimento. À medida que nos aprofundamos no estudo da estrutura celular, verificamos que, no nível atômico, o nosso corpo é simplesmente uma massa incomensurável de campos de energia que influem uns nos outros. O corpo físico é apenas uma parte de um mundo muito mais amplo, mesmo que não aparente. É aí que entram as práticas holísticas, procurando sempre buscar um conhecimento da dinâmica pessoal do indivíduo e criar nele uma autonomia para lidar com a sua problemática, de acordo com a sua capacidade e disponibilidade de focalizar seus diversos aspectos de expressão.

Não quero aqui, de maneira nenhuma, questionar os sistemas tradicionais da medicina ocidental, mas sim chamar a atenção para um mundo ainda pouco explorado, e praticamente invisível. Acho até que a medicina acadêmica e a medicina alternativa não são antagônicas, mas complementares.

Para isso, é necessário que o corpo seja encarado da forma mais abrangente possível, a começar por uma análise estrutural ósteo-articular e muscular, a qual servirá de informação sobre nossas limitações e principalmente, nossos potenciais. A partir daí, as terapias holísticas atuam sob um corpo mais sutil como um todo indivisível, como o próprio nome já diz holos = todo. Emoções, intuições, sentimentos reprimidos passam a ser manifestados por meio de mudanças nas ondas cerebrais, nos ritmos de batimentos do coração, pela respiração ou pelas secreções glandulares. Assim, o assunto saúde será encarado como sendo mais do que a simples ausência de sintomas.

Atletas de alto nível ou pessoas que queiram se aprofundar em uma prática esportiva têm aqui a oportunidade de explorar ao máximo seu potencial, diminuindo riscos de traumatismos ou lesões. Através de um programa personalizado de técnicas holísticas, o auto-conhecimento e o equilíbrio emocional ficarão mais claros para cada indivíduo. Seja pelas mãos de um massoterapeuta, seja pelas agulhas de um acupunturista chinês, pontos de energias bloqueadas são desfeitos para que a energia vital, o chi, possa fluir normalmente.

As terapias holísticas são originadas de recursos da medicina tradicional chinesa e da medicina ayurvédica, da Índia, com seus sistemas inspirados no taoísmo e no hinduísmo. A sua expansão para o mundo ocidental aconteceu após algumas descobertas da ciência, no século XX. O grande aval foi dado pela teoria quântica, ao demonstrar que as unidades subatômicas da matéria são abstratas e podem se apresentar ora como partículas, ora como ondas.

Para fechar o tema desta coluna, farei das palavras de Dalai Lama as minhas palavras: ''sempre acredito que somos iguais: somos todos seres humanos. É claro que pode haver diferenças de formação cultural; de estilo de vida; pode haver diferenças quanto à nossa fé; ou podemos ser de uma cor diferente; mas somos seres humanos, constituídos do corpo humano e da mente humana. Nossa estrutura física é a mesma; e nossa mente e nossa natureza emocional também são as mesmas''.


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[06/FEV/2005]


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