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Duas noites imperdíveis para os jazzófilos

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Duas noites imperdíveis para os jazzófilos


Roy Hargrove, 35 anos, é um dos mais renomados e brilhantes trompetistas de jazz. Sua ascensão foi meteórica, desde que apareceu no topo da onda da segunda leva de young lions do neo-bop, no início da última década. Seu mentor foi o grande Wynton Marsalis, responsável pelo revigoramento da moderna mainstream do jazz, logo depois de surgir como estrela dos Jazz Messengers de Art Blakey, no período 1980-82, quando tinha menos de 21 anos.

No último referendo anual dos leitores da revista Down Beat, Hargrove foi o segundo mais votado entre os trompetistas do ano, na cola de Dave Douglas e à frente de Tom Harrell, do próprio Marsalis e de Nicholas Payton. Repetiu o vice-campeonato na mais recente eleição dos leitores da Jazz Times, perdendo somente para o legendário Clark Terry, mas derrotando Douglas e Harrell.

Essas expressivas votações obtidas pelo músico nascido em Chicago e formado no Berklee College of Music de Boston devem-se, em parte, ao sucesso comercial do CD Hardgroove (Verve 651922), gravado em 2003, e que é uma salada mista de jazz, rhythm & blues e hip-hop. Ou seja, fast food musical mecânico, de apelo popular tribal, mas não indicado para paladares mais refinados.

Os apreciadores do trompetista que encantou os verdadeiros jazzófilos, em 1995, com Parker's mood (Verve 527907), em trio com Stephen Scott (piano) e Christian McBride (baixo), tiveram mais uma decepção com o seu último álbum, intitulado Strenght (Verve 3157002) - um ''EP'' de 45 minutos, lançado em setembro, e que é uma mistura de sons eletrônicos e acústicos produzida por tecladistas, percussionistas, baixistas elétricos, vocalistas, rappers e até músicos de jazz.

Mas os cariocas afinados com o jazz de alta qualidade que Roy sabe fazer como poucos vão ter duas oportunidades de ouvi-lo, ao vivo, nas noites das próximas terça e quinta-feiras, no Mistura Fina.

Hargrove passa pelo Rio vindo de Punta del Este, no Uruguai, onde toca neste sábado como uma das atrações da 10ª edição do Festival Internacional de Jazz de Lapataia. Esse festival - cujo diretor-artístico é o saxofonista-clarinetista Paquito D'Rivera - é promovido pela reputada fábrica de laticínios e doces de leite de Lapataia, onde se situa o Tambo del Sosiego.

No mesmo festival apresentam-se conjuntos liderados por músicos excepcionais, entre os quais Tom Harrell, Christian McBride, Lewis Nash e os ''Heath Brothers'' (os lendários Jimmy, sax tenor; Percy, baixo; Al ''Tootie'', bateria). E também o grupo de jazz brasileiro mais respeitado no exterior - o Trio da Paz, formado por Duduka da Fonseca (bateria), Romero Lubambo (guitarra) e Nilson Matta (baixo), todos eles radicados em Nova York há muitos anos.

No dia 18, às 20h, Roy Hargrove vai esquentar a noite da Lagoa Rodrigo de Freitas, no Mistura Fina, na companhia dos também respeitados John Lee (baixo) e Wilie Jones III (bateria), integrantes do atual quinteto do trompetista. O grande pianista Ronnie Mathews, que também faz parte do conjunto de Hargrove, tinha outros compromissos, e não vem ao Rio. Mas o excelente Guilherme Vergueiro assume a banqueta do piano do Mistura.

Para o segundo set da mesma noite, previsto para as 23h, sobe ao palco o Trio da Paz, que vai apresentar certamente os números preparados para o Festival de Punta del Este. O trompetista norte-americano deve associar-se ao trio, numa jam session, no final da noitada.

No dia 20, o show do Mistura Fina inverte a ordem dos sets, mantendo o mesmo esquema.

Assim, os saudosos do som puro e brilhante do Roy Hargrove de discos como The tenors of our time (Verve 523019), de 1994 - que contou com convidados da estatura de Joe Henderson, Johnny Griffin e Branford Marsalis -, não podem perder essa oportunidade. Só em um dos dois festivais internacionais de jazz que o Rio tem abrigado seria possível assistir, numa só noite, num mesmo palco, a reunião de conjuntos formados por músicos da expressão de Hargrove, Willie Jones III, Duduka da Fonseca, Romero Lubambo, Nilson Matta e Guilherme Vergueiro.


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[13/JAN/2005]


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