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Começa a expectativa para o Grammy


Embora o Grammy seja uma distinção de grande repercussão no mundo da música pop - distribuída para mais de 100 categorias nas áreas do rock, rap, rhythm and blues e similares -, o ''Oscar'' da indústria fonográfica não tem o mesmo impacto no planeta bem menos povoado do jazz.

Nos últimos anos, entretanto, as cinco indicações para as categorias dedicadas, respectivamente, aos melhores discos de jazz instrumental (individual ou grupo) e de grandes conjuntos (de oitetos a big bands) têm sido de muito bom gosto, sem vestígios de concessões comerciais. Até por que há, na competição, categorias específicas de pseudo jazz do tipo fast food (instrumental e vocal).

O ano-base do Grammy 2005 foi de 1º de outubro de 2003 a 30 de setembro último. Só discos lançados nesse período concorrem às premiações únicas por categoria, a serem anunciadas no dia 13 de fevereiro, em Los Angeles.

Os cinco CDs indicados para concorrer ao Grammy no setor dos pequenos conjuntos de jazz autêntico foram os seguintes: Bill Charlap (trio)/ Somewhere (Blue Note 94807); Roy Haynes (quarteto)/ Fountain of youth (Dreyfus 36663); Keith Jarrett (trio)/ The out-of-towners (ECM 1900); Branford Marsalis (quarteto)/ Eternal (Marsalis Music 613309); McCoy Tyner (quinteto)/ Illuminations (Telarc 83559).

Os candidatos ao Grammy para o melhor álbum de large jazz ensemble são: Bob Brookmeyer New Art Orchestra/ Get well soon (Challenge 70111); John La Barbera Big Band/ On the wild side (Jazz Compass 1007); David Sánchez com orquestra/ Coral (Columbia 90313); The Vanguard Jazz Orchestra/ The way: The music of Slide Hampton (Planet Arts 100225); Maria Schneider Orchestra/ Concert in the garden (ArtistShare 001).

Os CDs de combos indicados para disputar o Grammy merecem lugar de destaque em qualquer boa discoteca de jazz contemporâneo, principalmente os do quarteto de Roy Haynes e do trio de Keith Jarrett (Gary Peacock, baixo; Jack DeJohnette, bateria).

Haynes, 79 anos, um dos maiores bateristas de todos os tempos, foi eleito para o Hall of Fame pela crítica mundial no último referendo anual (agosto) da Down Beat. A música por ele criada - juntamente com os muito mais jovens Marcus Strickland (saxes, clarone), Martin Bejerano (piano) e John Sullivan (baixo) - nesse mais recente disco, gravado ao vivo no Birdland (dezembro de 2002), é fascinante. Sobretudo no desenvolvimento de temas de Thelonious Monk (Trinkle tinkle, Ask me now, Green chimneys) e de Oliver Nelson (Butch & Butch e Greensleeves).

Alguém poderia dizer que The out-of-towners é apenas mais um CD do trio do insuperável Keith Jarrett. E de fato é. Só que qualquer registro do inefável trio desse mago do piano é sempre um momento único de consistência e inspiração musicais, como é o álbum gravado ao vivo, em 2001, na Ópera de Munique.

O trio de mais de 20 anos de Jarrett interage em cinco temas, entre os quais a assimétrica faixa-título, de quase 20 minutos, I love you (Cole Porter) e Five brothers (Gerry Mulligan). Jarrett divaga solitariamente, durante mais de seis minutos, em torno da balada It's all the game.

Mas não será surpresa se o Grammy para jazz combos ficar com o trio do pianista Bill Charlap, iluminado cultor de melodias dos grandes autores do American songbook. Depois de Stardust (Blue Note 35985) - dedicado a Hoagy Carmichael -, Charlap, o baixista Peter Washington e o baterista Kenny Washington (que não são parentes) lançaram em março Somewhere (gravado em outubro de 2003). Trata-se do melhor álbum em trio de Charlap, recriando, em tempo de jazz, 12 temas de Leonard Bernstein, dos quais quatro de West Side story: Somewhere, Cool, Jump e America.

Quanto às orquestras, os álbuns assinados por Bob Brookmeyer, Maria Schneider e Slide Hampton (na condução da Vanguard Jazz Orchestra) são os preferidos da crítica especializada. Mas o CD Coral, que o notável saxofonista David Sánchez gravou à frente de seu quinteto, inserido na Orquestra Filarmônica de Praga, é o favorito para o Grammy, por ser mais ''confortável'' para um público mais amplo. O disco é um álbum do tipo do célebre Focus, de Stan Getz, com Sánchez solando, com base em arranjos competentes de Carlos Franzetti, a partir de peças de Villa-Lobos (o Coral da Bachiana nº 4), Ginestera (Panambi e Vidala) e Tom Jobim (Eu sei que vou te amar e Matita Perê).


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[16/DEZ/2004]


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