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Autor de canções que inspiram os improvisos do jazz

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Autor de canções que inspiram os improvisos do jazz


Músicos, ouvintes e críticos de épocas e gostos bem diversos concordam pelo menos num ponto: Cole Porter, George Gershwin, Irving Berlin, Jerome Kern e Dick Rodgers escreveram as mais belas páginas do american songbook.

Cole Porter (1891-1964) está em evidência, 40 anos depois de sua morte, em virtude do lançamento do filme biográfico De-lovely, dirigido por Irwin Winkler, com Kevin Kline no papel do compositor bon vivant, cuja homossexualidade não impediu um casamento de 35 anos com a socialite Linda Lee. Embora dela já separado, Porter não escreveu mais nenhuma canção depois da morte de Linda, em 1954.

Na esteira do sucesso do filme de Winkler, a Bluebird/BMG já está distribuindo no Brasil o CD It's de-lovely/ The authentic Cole Porter collection. A coletânea, destinada a gregos e troianos - sobretudo de meia e terceira idades - tem 19 faixas. As duas primeiras revelam a voz do próprio compositor, em 1934, cantando Anything goes e You're the top, com acompanhamento overdubbed, fabricado em maio deste ano, por Vince Giordano e seus Nighthawks, mantendo o som e o espírito dos thirties.

Os amantes da velha música dançante norte-americana vão adorar o Begin the beguine da banda de Artie Shaw (1936), o Night and day original de Frank Sinatra (1942), o brilho de Lena Horne em From this moment (1956) e Just one of those things (1957), o I get a kick out of you da orquestra de Tommy Dorsey (1950), e o You'd be so nice to come home de Dinah Shore (1942).

O jazz - como um modo de expressão musical, e não um tipo de música popular - tem na composição um pretexto para a improvisação, seja na moldura dos acordes de base do tema, seja nos vôos sem bússola do estilo free. E Cole Porter - tanto quanto Gershwin - foi e continua sendo uma das maiores fontes de inspiração melódica dos jazzmen. Se Gershwin inventou ''pontos de partida'' para os músicos de jazz como I got rhythm, The man I love e Summertime, Porter respondeu com What is this thing called love?, Love for sale, Just one of those things, All of you e muitos outros temas constantemente jazzificados.

No CD-tributo a Porter lançado pela BMG, o jazz propriamente dito aparece apenas em quatro faixas: You do something to me, extraído do precioso álbum The bridge, que marcou, em 1962, a volta do grande Sonny Rollins aos estúdios, à frente de um quarteto com Jim Hall (guitarra); I love Paris, contendo um solo majestoso solo de outro gigante do sax tenor, Coleman Hawkins, de um LP de 1956, com arranjos do impecável Manny Albam; It's delovely, do raro LP Collaboration (1954), em que o trompetista Shorty Rogers e o pianista Andre Previn interpretam seus próprios arranjos de seis standards (três para cada um) e criam novas peças baseadas nesses temas; I've got you under my skin, com o sax alto diáfano de Paul Desmond flutuando num tapete de cordas macio tecido pelo arranjador Bob Prince, em 1962.

Assim é que o novo disco-tributo a Cole Porter não tem interesse para os jazzófilos mais exigentes que, certamente, terão em suas discotecas The bridge e Collaboration.

No entanto, neste momento em que Cole Porter é relembrado, em filme e em discos, não se pode deixar de ressaltar a importância de suas composições como matéria-prima de qualidade para o modo de expressão musical que chamamos de jazz. Bastaria uma referência a What is this thing called love? que, reconstruída pelo engenho e arte de Tadd Dameron, gerou Hot house - um dos ''hinos'' do bebop, tema recorrente nas discografias de Charlie Parker e Dizzy Gillespie.

A melhor coletânea de jazz dedicada a temas de Cole Porter ainda é Anything goes/ The Cole Porter songbook (Verve 517168), editada em 1992. Os músicos que lideram conjuntos improvisando sobre 14 de seus temas são, entre outros, Charlie Parker (What's this thing...), Art Tatum (Begin the beguine ), Dizzy Gillespie (My heart belongs to daddy), Roland Kirk (Get out of town), Stan Getz-Bill Evans (Night and day), Clifford Brown-Max Roach (I get a kick out of you), Oscar Peterson (I love You).


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[16/SET/2004]


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