E-mails e telefones
Shopping JB Online
Home
Tempo Real

Colunistas
Coisas da Política
Financiamento de campanha

Informe JB
Estímulo às micros

Cartas
Massacre

Horóscopo

Gente
Balaco de famosos

Charge Online

Marcia Peltier
Bele$a pura

Nas Páginas da História
3 de junho no JB

Informe Econômico
Cavalo-de-pau

Boechat
Executivo

Gilberto Amaral
Valeu Guga

Luiz Orlando Carneiro
O prazer do jazz sem apêndices eletrônicos

Hildegard Angel

 


O prazer do jazz sem apêndices eletrônicos


O guitarrista John Scofield gravou, em 2000, o excelente Works for me (Verve 549281), à frente de um dream team formado por Kenny Garrett (sax alto), Brad Mehldau (piano), Christian McBride (baixo) e Billy Higgins (bateria). Na nota de apresentação do CD, escreveu: ''Foi um tremendo prazer fazer este disco de 'verdadeiro jazz' (real jazz) com esses músicos magistrais''.

É indiscutível que Scofield, 52 anos, é um dos maiores especialistas de todos os tempos no seu instrumento, usando ou não aqueles apêndices eletrônicos capazes de agressivas distorções sonoras tão a gosto dos adeptos da chamada fusão, do rock bate-estaca, do hip-hop e similares.

O próprio ''Sco'' já confessou, em entrevista a Chip Stern (Jazz Times, março de 2000) ser um músico dividido, vivendo em ''algum estranho país híbrido''. Na verdade, o guitarrista fatura alto com sua linha de discos electro funk, em que mais vale o som em estado bruto do que a música - entendendo-se esta como a arte de conjugação da melodia, do ritmo e da harmonia. Mas, de vez em quando, dá-se o luxo de tocar e documentar seu verdadeiro amor - o real jazz.

Works for me foi editado um ano depois do comercial Bump (Verve 543430). Em 2001, ''Sco'' voltou ao mercado do ''som'' com Überjam (Verve 589356) e, logo em seguida, com Up all night (Verve 65596), também na trilha do que alguns críticos chamam de ''funk intelectual''.

Como o bom filho à casa torna, ''Sco'' reaparece agora com um novo álbum de real jazz, intitulado EnRoute (Verve 169902). E é ele mesmo quem explica por que resolveu documentar momentos de uma semana de apresentações no clube Blue Note, de Nova York, em dezembro do ano passado, em trio com outros dois músicos fora de série, companheiros de jornadas anteriores - o baixista (elétrico) Steve Swallow e o baterista Bill Stewart.

''Eu queria fazer um stateman (afirmação, declaração) de verdadeiro jazz improvisado, ao vivo, com dois de meus músicos favoritos. É realmente desafiador. A gente não conta tanto com arranjos, mas sim com o modo de o grupo tocar junto. A gente só se preocupa em tocar bem, sabendo não contar com salva-vidas ou rede de proteção. Isso não acontece com freqüência num estúdio. Acho que a grande diferença é a audiência. Há uma afinidade simbólica entre os artistas e a audiência que gera algo especial.''

Pois Scofield, Swallow e Stewart conseguiram, nesse CD gravado ao vivo, atingir a meta de fazer real jazz, intenso e criativo, ''aqui e agora''. O álbum não vai agradar nem aos fãs do ''Sco'' das jazzfunk jams, nem aos jazzófilos mais conservadores, mesmo quando o tema é tão romântico como Alfie, uma das faixas do disco.

Scofield levou para o Blue Note sua inseparável guitarra Ibanez AS-200 (modelo 1982), um amplificador e um pedal whammy (aquele que distorce o som duas oitavas acima quando aberto). Nada de samplers e de outras trucagens comuns em suas gravações para o mercado do ''som''.

A escolha do clássico tema bop de Denzil Best, Wee, como primeira faixa do CD, desenvolvido em mais de oito minutos de intensa improvisação interativa, é bem significativa. A série de single notes em cascata, amplificada e sutilmente distorcida, aqui e ali, é indício seguro de que ''Sco'' ouviu muito Tal Farlow nos seus anos de formação.

EnRoute tem ao todo mais de 70 minutos de música, divididos em nove faixas. Os blues são particularmente celebrados pelo guitarrista em Bag e Hammock soliloquy. A faixa mais longa (11m15s), Over big top, também a mais funky do álbum, é uma livre recriação pelo trio de Big top (do CD Groove elevation, de 1995). Steve Swallow comparece com Name that tune, tema baseado no ellingtoniano Perdido, de Juan Tizol.

Como anotou muito bem Lloyd Sachs na pequena resenha escrita para o site Amazon, o novo disco de John Scofield destaca-se por ''uma agudeza de foco e uma intensidade entre os músicos que raramente se encontram no cenário das jam-bands - inclusive a sua própria [referência à Überjam band]''.


Aumentar letras Versão para imprimir Diminuir letras Enviar matéria

[03/JUN/2004]


   Home > Colunas > Luiz Orlando Carneiro

Tempo Real | Brasil | Economia | Esportes | Rio | Internacional | Colunas
Internet | Caderno B | Domingo | Programa | Musicalidade | Viagem | Carro & Moto
Idéias | Horóscopo | Especiais | Opinião | Editorial | Charge | Cartas