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Tom Harrell, o mestre do trompete e do flugelhorn


O quinteto de Tom Harrell, 57 anos, mestre do trompete e do flugelhorn, deve ser a atração mais consistente da terceira noite (sexta-feira, dia 7) da parte carioca do Chivas Jazz Festival. Apesar de conviver com um problema de esquizofrenia, a exigir tratamento médico sistemático, Harrell atingiu o ápice de sua carreira - também como compositor e arranjador - em 1999, com o CD Time's mirror (RCA 63524), que chegou a ser editado no Brasil.

De 1996 a 1999, ele foi eleito, no referendo anual dos leitores da Down Beat, o trompetista número um, à frente de Dave Douglas, Nicholas Payton e Wynton Marsalis. Nos quatro últimos anos, Douglas passou a liderar a lista, mas o ex-sideman de Woody Herman e de Phil Woods manteve-se sempre entre os três primeiros na sua categoria.

O grande Tom Harrell vem para o Chivas ao lado de músicos bem mais jovens, dois deles de reputação já firmada: o pianista Xavier Davis e o baixista Ugonna Okegwo, que tocou no trio do pianista Jacky Terrasson. Marcus Strickland, 25 anos, é um saxofonista emergente de quem muito se fala. Quincy Davis (bateria) é o irmão mais moço de Xavier. Muito ''honrado'' com todo o reconhecimento que tem recebido por parte da crítica e dos ouvintes, Tom Harrell se diz grato a seu ex-patrão, o saxofonista Phil Woods, ''que me ajudou a compreender minha identidade musical como instrumentista e compositor''.

- Alguns críticos sentem no seu modo de tocar um inspirado amálgama do sopro de Art Farmer, da pungência de Kenny Wheeler e do senso espacial de Miles Davis. Você concorda com isso?

- É de novo uma honra ser comparado a esses ícones. É verdade que Miles influenciou-me no uso do espaço e no fato de tocar novas melodias, como Woody Shaw dizia que Eric Dolphy fez com relação a ele, ou seja, tornando-o mais aberto melodicamente. O trompete permite inúmeras opções: efeitos de meia-válvula, mutações de registros e até de timbres dentro do registro médio, através de macetes dinâmicos e de microtons. Essas técnicas têm, para mim, forte significado emocional, e podem criar um bocado de paixão. Ouvi recentemente música jamaicana, e só o timbre já tinha bastante emoção. Mas, essencialmente, penso no meu approach com relação à vida e à música como um pan-estilo (pan-style). Tento estar em harmonia com a aldeia global, em face do universo. Os três elementos da música (ritmo, harmonia, melodia) são a base de nossa relação com a comunidade. Para mim, o trompete é um meio de integrar minha alma com o planeta Terra.

- Você vai tocar no Chivas apenas composições e arranjos de sua autoria?

- Estou ansioso para tocar no Chivas e estrear algumas novas composições. Há muitas ainda não gravadas, e a lista só faz aumentar.

- Fale de seus companheiros no quinteto...

- Fico muito feliz de ter esses grandes músicos no meu grupo. A química está no ponto. Eles têm os pés firmes na tradição do jazz, mas são também abertos à exploração de novas avenidas. E são perfeitos para mim, porque estão ligados àquele enfoque pan-estilístico que já mencionei. Vejo o jazz como world music, com todos os tipos de influências diferentes de culturas diferentes.

Tom Harrell considera o pianista Xavier Davis ''a pessoa perfeita'' para interpretar sua música:

- Pode-se ouvi-lo tentando constantemente criar coisas novas em matéria de harmonia, ritmo e melodia. Xavier tem tocado comigo em quinteto, oiteto ou big band desde 1997.

O baixista Ugonna Okegwo acompanha Harrell há sete anos.

- Ugonna - diz o trompetista-compositor - é um estilista único com um senso fabuloso de groove. Ele faz coisas que nunca vi ninguém fazer no baixo em termos de articulação e timing.

O caçula do quinteto, o baterista Quincy, irmão de Xavier, está com Harrell desde 2000 e participou da gravação do mais recente CD do trompetista, Wise children (RCA 53016) - um álbum de apelo comercial, com a adição de cordas e a participação das vocalistas Dianne Reeves, Jane Monheit, Cassandra Wilson e Claudia Acuña, em quatro das dez faixas.

Marcus Strickland, que substitui no conjunto o sax tenor Jimmy Greene é, segundo Harrell, ''um instrumentista formidável, criativo, dono de uma sensibilidade particularmente bela e espiritual''.

O 5º Chivas Jazz Festival acontece simultaneamente, de 5 a 8 de maio, no DirecTV Music Hall, em São Paulo, e na Marina da Glória, no Rio de Janeiro. Informações no site www.chivasjazz.com.br


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[29/ABR/2004]


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