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Coletâneas revelam pepitas de mestres do jazz

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Coletâneas revelam pepitas de mestres do jazz


Antologias e coletâneas de jazz aparecem no mercado fonográfico tão subitamente como somem, tenham ou não valor documental. As séries do tipo The best of... são, em geral, suspeitas. As seleções costumam ser mais oportunistas que exigentes, a começar pelo fato de que os grandes jazzmen gravaram seus melhores discos para etiquetas diferentes, em períodos diversos. Além disso, muito material é colhido em edições piratas.

A Delira Música, um novo selo destinado a ''atender a um público ávido por novidades consistentes e música de qualidade'', vem de distribuir - em embalagens de papelão, de desenho clean, a preços razoáveis - uma coleção de 13 CDs da série Jazz Masters (Ediciones Folio, 1996). Alguns exemplares dessa coleção chegaram a ser vendidos por aqui, em bancas de jornais, anos atrás.

Além de álbuns de Ella Fitzgerald, Billie Holiday e Carmen McRae - três divas do jazz vítimas constantes de abuso comercial -, os outros jazz masters são: Dizzy Gillespie, Duke Ellington, Dexter Gordon, John Coltrane, Miles Davis & Charlie Parker, Bill Evans, Thelonious Monk, Stan Getz, Wynton Marsalis e McCoy Tyner.

Como se pode ver, trata-se de mais uma coletânea da música de mestres do jazz sem maior interesse para quem deles já tem as obras nucleares. Ou até para quem se contenta com a recomendável antologia básica de Ken Burns (catálogos Verve e Columbia), acrescida de alguns The best of da Blue Note e de títulos expressivos da coleção Original Jazz Classics (Prestige, Riverside, Pablo, Contemporary), que a BMG vem lançando no Brasil, em pacotes, nos últimos dois anos.

Mas, como qualquer garimpeiro, o jazzófilo típico está sempre atrás de uma ou outra pedra preciosa (ou semi) que ainda não conhece, ou da qual não se lembrava. E há alguns itens da série da Delira - com apresentação e notas do expert J. D. Raffaelli - que merecem atenção.

É o caso do volume dedicado a McCoy Tyner. Não se trata de uma mistura de registros variados de Tyner, mas de um disco excelente e pouco conhecido do trio do grande pianista, com Louis Hayes (bateria) e Avery Sharpe (baixos acústico e elétrico), gravado na Inglaterra, em 1988 (Live at the Musicians' Exchange, original Kingdom). As avalanches de arpejos e acordes percussivos de McCoy são espetaculares, sobretudo no desenvolvimento de quatro temas de sua pena: Señor Carlos, Port au blues, Island birdie e Hip toe. Há ainda um belo Loverman, em trio, e um pungente What's new, solo.

O disco do saxofonista Stan Getz não enriquece sua extensa discografia. É de um concerto em Cannes, em 1980, lançado pouco depois pelo selo italiano Comet. Getz lidera um grupo com Andy LaVerne (piano, sintetizadores), Chuck Loeb (guitarra), Victor Jones (bateria) e Brian Bomberg (baixo), mais convidados, como Paul Horn (flauta). O tenor de ''Mr.Sound'' está bem mais vigoroso que de costume, sobretudo numa longa interpretação de Billie's Bounce. Mas o fusionismo em voga na época não favorece a sublime arte de Getz.

O CD de Dexter Gordon é de um LP de 1977, intitulado Cute. O álbum - com Lionel Hampton (vibrafone), Hank Jones (piano), Bucky Pizzarelli (guitarra), George Duvivier (baixo) e Candido (conga) - é rotineiro. Não reflete a majestade de Dex, principalmente se comparado ao antológico Homecoming, gravado ao vivo, um ano antes, no Village Vanguard, na volta triunfal do saxofonista a Nova York.

O volume com o quarteto-marco do jazz de vanguarda de John Coltrane tem faixas de um concerto europeu de setembro de 1963, e foi lançado no Brasil pela Imagem, há alguns anos. Os temas são os recorrentes Blue train, Naima, Spiritual e My Favorite things, entre outros. Eric Dolphy aparece em três faixas (sax alto e flauta). O disco pouco acrescenta à discografia fundamental de Coltrane.

A mesma observação é válida com relação aos volumes de Bill Evans, Dizzy Gillespie, Thelonious Monk, Charlie Parker-Miles Davis (a coletânea abriga, contudo, sete obras-primas das sessões Dial, de 1947) e Duke Ellington (um concerto de 1956, anterior em cinco meses ao glorioso ''renascimento'' da orquestra, no Festival de Newport).

O CD intitulado Wynton Marsalis é, na verdade, a segunda parte do álbum dos Jazz Messengers de Art Blakey, gravado ao vivo, no Bubba's (Fort Lauderdale, Florida), em outubro de 1980. A primeira parte foi lançada aqui, tempos atrás, pela Imagem. Como anota J.D. Raffaelli, ''os solos de Wynton (então com 19 anos) anunciavam que um novo astro surgia no firmamento''. O jovem Marsalis contribui com três originais para esse Live at Bubba's número 2: Bitter dose, Jody e Gipsy.


[05/FEV/2004]


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