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Inesquecíveis encontros de gênios do jazz
[20/NOV/2003]
A BMG do Brasil encerra, com um pacotão de 15 CDs, um ano rico em matéria de reedições remasterizadas de LPs gravados nos anos 50, 60 e 70 pelos selos Riverside, Prestige, Contemporary e Pablo - hoje itens da valiosa série Original Jazz Classics, do grupo Fantasy.
Como o presente de Natal antecipado para os jazzófilos é volumoso, vamos abri-lo aos poucos, começando pela avaliação de cinco discos: Cookin' with the Miles Davis Quintet; Thelonious Monk with John Coltrane; Dave Brubeck Quartet/ Jazz at College of the Pacific; Art Blakey & The Jazz Messengers/ Ugetsu; e Art Pepper meets The Rhythm Section.
Cookin' é o primeiro dos quatro últimos álbuns gravados por Miles para a Prestige, numa única sessão, antes de se transferir para a Columbia, em 1956, ao lado de John Coltrane (sax tenor), Red Garland (piano), Paul Chambers (baixo) e Philly Joe Jones (bateria). Os outros foram Steamin', Relaxin' (já reeditados no Brasil) e Workin'.
Essas gravações fixaram o nível de excelência do tipo de quinteto bop que seria a ponte entre o ''classicismo'' do tandem Parker-Gillespie e a ''modalidade'' do grupo de Miles da década de 60, com Wayne Shorter, Herbie Hancock, Ron Carter e Tony Williams.
Cookin' é indispensável em qualquer discoteca básica de jazz. Contém a histórica interpretação de My funny Valentine (Miles na surdina) e do medley excepcional Tune up/ When lights are low (temas de Miles e Benny Carter, respectivamente).
Nenhum jazzófilo pode também passar sem os raros registros da associação Thelonious Monk-Coltrane, em 1957. Naquele ano, de junho a dezembro, o ''eremita do bebop'' e o saxofonista em ascensão tocaram, noite após noite, no obscuro Five Spot, no Bowery, em quarteto com Shadow Wilson (bateria ) e Wilbur Ware (baixo).
Monk e ''Trane'' já haviam registrado algumas faixas para a Riverside, em abril de 1957, e chegaram a ser gravados ao vivo no clube. O CD que a BMG está reeditando tem três faixas exemplares da influência que Monk exerceu sobre ''Trane'' em matéria de ''folhas de som'': Ruby, my dear, Trinkle, tinkle e Nutty.
Coltrane disse uma vez que o trabalho com Monk aproximou-o de ''um arquiteto musical de primeira ordem''. E acrescentou: ''Aprendi muito com ele, em termos de sensibilidade, teórica e tecnicamente''.
Outros dois álbuns especiais do pacote natalino da BMG-Fantasy são os do quarteto Brubeck-Paul Desmond (safra de 1953) e dos Messengers de Art Blakey da época (1963), em que o grupo transformara-se em sexteto, com a adição do trombone de Curtis Fuller.
At College of the Pacific é um dos concerto da série de apresentações em universidades que dariam grande exposição a uma das mais bem sucedidas formações do jazz moderno, aliando uma certa disciplina da música clássica (fuga, contraponto) à arte da improvisação, sem prejuízo do swing. O concerto de dezembro de 1953 não é tão espetacular como o de Oberlin (do mesmo ano), nem tão conhecido como a seleção Jazz goes to college (Columbia, 1954). Mas Brubeck e Desmond estão em estado de graça num All the things you are de mais de nove minutos.
Ugetsu foi gravado pelo sexteto de Blakey, ao vivo, em junho de 1963, no Birdland original. É tão intenso como Free for all (1964) e Three blind mice (1959). A faixa-título é do pianista Cedar Walton. O grupo - que contava ainda com Wayne Shorter (sax tenor), Freedie Hubbard (trompete) e Reggie Workman (baixo) - é, talvez, o melhor da história dos Messengers. O disco valeria, apenas, pela recriação de Ping-pong, de Shorter, e de One by one.
O álbum do sax alto Art Pepper, de 1957, é um registro antológico daquele que foi, ao mesmo tempo, um dos mais cool e intensos músicos do jazz moderno. Morreu em 1982, aos 57 anos, vários dos quais passados atrás das grades ou em tratamento, por conta de sua dependência da heroína.
A seção rítmica do quinteto de Miles Davis (a mesma de Cookin') estava em Los Angeles, e a Contemporary promoveu o encontro com o saxofonista, que estava afastado dos estúdios há seis meses. Revigorado pela fantástica seção rítmica, Pepper perpetuou um dos grandes itens de sua discografia. São ao todo nove faixas, com destaque para Star eyes, Jazz me blues e Straight life. E que codas!
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