Sem desmerecer o pioneiro Harry Carney, o justamente célebre Gerry Mulligan e Serge Chaloff (músico cult, falecido aos 33 anos), Pepper Adams foi o maior saxofonista barítono do jazz - o mais rápido, consistente, contundente e inventivo mestre do pesado instrumento.
Adams (1930-1986) surgiu na orquestra de Stan Kenton, em 1957, e depois fez seu nome em Nova York, em sessões seminais do hard bop, gravadas pelos selos Prestige e Blue Note, com os trompetistas Donald Byrd e Lee Morgan, entre outros young lions da época.
Seu apelido era ''The Knife'' (a faca). Segundo o baterista Mel Lewis, em cuja orquestra o saxofonista tocou muito tempo, ele era assim chamado porque ''quando começava a tocar, o efeito que sentíamos era quase o de uma estocada (slashing effect)''.
O melhor disco de Pepper Adams, na condição de líder, é Urban dreams, gravado em 1981 para a finada etiqueta Palo Alto na companhia de Jimmy Rowles (piano), George Mraz (baixo) e Billy Hart (bateria). O LP tornou-se item raro, mas acaba de ser reeditado, remasterizado em CD, pela Quicksilver - hoje detentora do catálogo de quase 100 álbuns lançados pela Palo Alto no período 1981-85.
Adams aliava à robustez de seu som um discurso melódico-harmônico herdado de Charlie Parker. Como ''Bird'', sentia-se à vontade em tempos muito rápidos, mas também no acariciamento de baladas (geralmente no registro grave do já bem grave sax barítono). Ele foi um dos grandes músicos do período pós-parkeriano a construir uma ponte sólida entre o jazz clássico (Carney, Coleman Hawkins, Ben Webster) e o contemporâneo (James Carter, Hamiet Bluiett, Ronnie Cuber).
Urban dreams - a faixa-título - é da pena de Pepper Adams. Tendo à sua disposição uma seção rítmica invejável, o saxofonista é também arrasador em Dexter rides again, Three little words e Pent up house (de Sonny Rollins). Trentino é um dos mais belos originais gravados por Adams.
Mas a Quicksilver não se limitou a reeditar esse precioso LP, há muito fora de catálogo. Está lançando, entre outros álbuns da Palo Alto: Earth Jones, do polirrítmico baterista Elvin Jones, liderando um quinteto com Terumasa Hino (corneta), David Liebman (sax soprano e flauta), Kenny Kirkland (piano) e George Mraz; One entrance, many exits, um raro quarteto chefiado pelo pianista Mal Waldron (falecido no ano passado), com o grande Joe Henderson no sax tenor; e Tidal wave, gema do brilhante pianista-psiquiatra Denny Zeitlin, tocando solo (Billie's bounce), em duos, trios e em quarteto com Charlie Haden (baixo), John Abercrombie (guitarra) e Peter Donald (bateria). Os dois primeiros álbuns são de 1982. A maioria das faixas do disco do depreciado Zeitlin é de 1983.
Esses CDs já estão disponíveis nos sites das principais redes especializadas, como na J & R (www.jandr.com) e no CD Point (www.cdpoint.com.br).