A oferta de 100 milhões de euros pelo atacante Adriano chamou a atenção de autoridades européias responsáveis pela investigação de suspeitas de lavagem de dinheiro. A ligação entre o futebol e o crime organizado, dadas as grandes somas envolvidas, é notória, mas nos últimos anos proliferaram os intermediários atuando por meio de empresas sediadas em paraísos fiscais. Operações milionárias são liquidadas em países caribenhos do tamanho de Copacabana, como as Ilhas Virgens Britânicas.
No Brasil, a Receita Federal tem na mira diversos clubes, além de dirigentes, empresários, técnicos e jogadores. O caso mais recente a ganhar destaque na mídia é o do Corinthians, que montou um time de estrelas graças ao misterioso aporte de recursos da MSI. Mas há outros exemplos notórios, como o dos empresários Alexandre Martins e Reinaldo Pitta, que já representaram o astro Ronaldinho. Ambos passaram temporada na cadeia sob a acusação de evasão fiscal e outras irregularidades na remessa de recursos ao exterior.
Os auditores cercaram a dupla ao longo de meses, mas as investigações decolaram mesmo quando foi descoberta investigação anterior sobre a dupla, que remontava a 1996. Pitta, ex-gerente do antigo banco BCN, e seu amigo Martins foram acusados de montar um esquema de abertura de contas fantasmas, em nome de grandes empresas, em fins dos anos 80. Os extratos e toda a correspondência eram direcionados ao balcão da própria agência de Pitta, instalada na Rua Rodrigo Silva, Centro do Rio. Sem conhecimento das empresas, a maioria atuante no segmento de comércio exterior, as contas movimentavam grandes somas, na casa dos milhões de dólares.
A fraude foi denunciada por um ex-gerente da mesma agência de Pitta ao Ministério Público, dando origem ao inquérito policial número 2676/90, da Delegacia Fazendária da Polícia Federal do Rio.
Para fontes da Receita, a descoberta deste processo foi crucial para desvendar o modus operandi dos empresários, outrora os mais badalados do mundo da bola. O problema: os auditores sabem que não é um caso isolado. Há muitos negócios obscuros do lado de fora das quatro linhas do gramado. Aqui e no exterior.
Acréscimos
O aumento das verbas de patrocínio do Real ABN Amro serve de alento aos adeptos dos esportes náuticos, órfãos desde que a Petrobras deixou o segmento. Só este ano, o banco desembolsará 20 milhões de euros para apoiar o Volvo Race.
A escolha de Atenas para sediar as finais da Liga dos Campeões em 2007 promete aliviar a ociosidade de parte das suntuosas instalações montadas pela Grécia para a última Olimpíada. Há 11 anos, a principal competição do futebol europeu não passa perto da capital grega. Findos os Jogos, o Estádio Olímpico - a exemplo do que ocorreu em outras sedes de grandes competições - virou um milionário elefante branco.