Os dirigentes dos clubes vêm pedindo ao governo federal mais apoio ao futebol, mas não cumprem as mais elementares obrigações trabalhistas. Apenas 16, num universo de 414, recolheram regularmente as contribuições ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) de seus funcionários e atletas nos últimos 14 meses. Pior: a maioria não entregou a Guia de Recolhimento de FGTS e Informações à Previdência (Gfip) ou forneceu o documento com erros e omissões.
- É um grave problema social. São cerca de 22 mil atletas em todo o Brasil e 93% recebem até dois salários mínimos por mês. Como eles vão se aposentar se os clubes não apresentam os dados corretos? - alerta Sérgio Falcão, coordenador do Grupo de Trabalho do Futebol do INSS. - Reter a contribuição na fonte e não repassá-la à Previdência é crime de apropriação indébita.
Merece citação nominal quem está em dia: São Paulo, Palmeiras, Cruzeiro, Coritiba, Goiás, Paraná, Figueirense, Volta Redonda, Nova Iguaçu, Juventus-SP, Jundiaí, Ituano, Caldense, Corinthians de Alagoas, Sport de Juiz de Fora e Rio Grande do Sul. Nos demais, contribuições irregulares, ao sabor das receitas com bilheterias, transmissão de jogos e patrocínios.
Dados da Previdência estimam em R$ 249,7 milhões o total que deixou de ser arrecadado nos últimos cinco anos nos clubes e nas federações. Nem o Refis, programa de refinanciamento das dívidas federais, serviu de tábua de salvação para todos. Dos 78 clubes que aderiram, 41 foram excluídos por não retomar o pagamento das contribuições. Foi o caso de Flamengo, Fluminense, Santos, São Paulo, Guarani e Goiás, entre outros. Das nove federações, duas (Paraná e Bahia) também foram cortadas.
E a dívida de clubes e federações só cresce. Na época da CPI do Futebol, em setembro de 2000, lembra Falcão, totalizava R$ 218 milhões. Hoje, está em R$ 363,7 milhões, 66,8% maior. Isso apesar do cerco da Previdência, que fiscalizou 215 clubes nos últimos quatro anos, registrando 490 autos de infração e denunciando 129 dirigentes ao Ministério Público por apropriação indébita e sonegação fiscal. Em muitos, não havia sequer livro-caixa.
Falcão avisa que não adianta criar sociedades anônimas livres de dívidas para administrar o futebol. O ministério está preparando uma fiscalização específica sobre estes clubes que deixaram a parte podre com seus sócios.
Acréscimos
nO mapa do tesouro rubro-negro é Volta Redonda. No Estádio Raulino de Oliveira, o Flamengo arrecadou R$ 596 mil em 16 jogos, fora R$ 1,6 milhão garantidos pela parceria com a prefeitura. No Maracanã, sete partidas renderam só R$ 99 mil. Segundo balanço da campanha Eu amo o Fla, a venda de kits de ingressos para empresas, incluindo camisetas ilustradas por Ziraldo e direitos de nomear setores do estádio, foi o filão mais rentável: R$ 529 mil. ''O Flamengo está aprendendo muito com a experiência de Volta Redonda'', comemora João Henrique Areias, que deixou a diretoria de marketing, mas segue como consultor do clube.
nDeu na Meio & Mensagem: a Olimpíada de Atenas promete ampliar em 10% os investimentos em patrocínios esportivos diretos este ano. Ano passado, segundo estudo da Top Sports Ventures, foram R$ 338,7 milhões. Com as verbas para TV, o bolo cresce para R$ 923,5 milhões. Ainda pouco se comparado com os US$ 18 bilhões movimentados em todo o mundo.
nA Unimed-Rio promove almoço de boa sorte para sua seleção olímpica, terça-feira, no Copacabana Palace. Na escalação, Ana Paula e Sandra, do vôlei de praia, Juliana Veloso, dos saltos ornamentais, e a ala carioca da equipe Paraolímpica brasileira.
Musa do tênis entra no time das milionárias
O primeiro milhão, ninguém esquece. Nova musa do tênis, a russa Maria Sharapova, campeã em Wimbledon no último fim de semana, é a terceira no ranking das que mais faturaram este ano na modalidade. Arrebatou nada menos que US$ 1,178 milhão, perdendo apenas para a belga Justine Henin-Hardenne, número 1 do mundo, com US$ 1,36 milhão, e a compatriota Anastasia Myskina, com US$ 1,289 milhão. Como é sua primeira temporada de resultados expressivos, Sharapova, 17 anos - discípula de Nick Bollettieri, cuja academia revelou astros como André Agassi e Monica Seles -, só agora entra no circuito das milionárias do esporte.
Bancada da bola parte para o ataque
Enquanto a Previdência aperta a fiscalização, a bancada da bola no Congresso se movimenta para mudar a legislação tributária em favor dos clubes. Quinta-feira, o presidente do Flamengo, Márcio Braga, e outros dirigentes se reuniram com o ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo, para apresentar propostas que, na prática, levariam a um novo Refis. Paralelamente, na semana passada, presidentes do Vasco, Eurico Miranda, e do Palmeiras, Mustafá Contursi, entre outros, participaram de audiência da Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara, para discutir as dívidas com o INSS.
Contursi disse ao representante do ministério na audiência, Sérgio Falcão, que, se tivesse de escolher entre o bicho dos atletas e o INSS, pagaria aos jogadores. Falcão rebateu com números, mostrando que os clubes já são beneficiados pela legislação, que prevê recolhimento de 5% sobre a receita de jogos e patrocínios, um quinto de outras atividades. A renúncia fiscal, só nos últimos cinco anos, chega a R$ 370 milhões.
- Mais vantagens, só se os clubes virarem filantrópicos. Quem é que paga a conta? Todos nós - ataca Falcão.