Em sigilo, a TV Globo selou, no último dia 7, acordo com a Infront Sports & Media, firma sediada em Genebra, na Suíça, e assegurou os direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2006, que estavam ameaçados por um calote milionário. O contrato, homologado pelo juiz Paulo Sérgio Prestes dos Santos, da 16ª Vara Cível do Rio, estabelece condições de pagamento para exibição, em TV aberta e por assinatura, das partidas de futebol de maior audiência do planeta.
A Globo tinha fechado contrato semelhante com a KirchMedia, mas a empresa alemã faliu e renasceu como Infront. Nesse meio tempo, a controladora da emissora brasileira, Globopar, declarou-se em moratória e a primeira parcela, de US$ 48 milhões, vencida em 1º de julho de 2003, não foi honrada. Além disso, a Globo contestou na Justiça o valor total do acordo, de US$ 240 milhões.
Outra parcela de US$ 48 milhões venceria na quinta-feira passada. A Infront e a Globo, que foi assessorada na renegociação pelo escritório de advocacia Zveiter, não informam se foi paga ou não, alegando cláusula de confidencialidade.
O sigilo é sinal de que não foi grande negócio para ninguém. A Infront salva as aparências e não estimula emissoras de outros países a denunciar seus contratos. E a Globo - que queria desembolsar a metade pelos direitos de transmissão, mas não conseguiu - não revela quanto vai pagar pela Copa, depois do prejuízo no Mundial do Japão e da Coréia do Sul.
Em 2002, a rede desembolsou nada menos que US$ 274,2 milhões pelos direitos de televisionamento. Só que as receitas extraordinárias com publicidade não foram suficientes para cobrir os custos, deixando um rombo de R$ 174 milhões.
Pior, reconhece a própria Globo, seria deixar a transmissão com uma concorrente, o que levaria a uma perda de receita publicitária da ordem de R$ 180 milhões.
Tudo bem que as partidas na Ásia ocorriam de madrugada e que a próxima Copa será na Alemanha, com jogos vespertinos. Mas resta saber se, desta vez, os anunciantes salvarão as contas da rede da família Marinho. Nos gabinetes, a torcida é para que não se repitam as perdas com a Olimpíada de Atenas, onde Diego, Robinho & cia. não desfilarão com a camisa amarelinha.
Números que ajudam a derrubar mitos
Posse de bola e número de faltas não ganham jogo. Estes e outros mitos construídos por cronistas do futebol brasileiro são derrubados na dissertação de mestrado de Rodrigo Aparecido Azevedo Leitão, recém-defendida na Faculdade de Educação Física da Unicamp. Leitão, sob a orientação do professor Antonio Carlos de Moraes, mapeia os caminhos mais fáceis para o gol e mostra que a falta tática só tem eficácia em determinados pontos do campo e de acordo com o momento da partida.
O estudo foi feito a partir da análise de 61 jogos de futebol da Copa do Mundo e do Campeonato Brasileiro de 2002, mas, no fundo, é fruto do trabalho de scout desenvolvido na Ponte Preta desde 1996 por Moraes e o professor Laércio Luis Vendite, do Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica, com o apoio de Leitão. Considerado por muitos cronistas um exercício inútil de estatística, o scout prova seu valor ajudando na trajetória do time de Campinas.
A Ponte estava a cinco jogos de ser rebaixado para a Terceira Divisão paulista quando o trabalho foi iniciado. Escapou e, três anos depois, estava na elite do Brasileiro. De lá para cá, foram mais de 400 partidas analisadas minuciosamente. Da localização dos passes errados ao tempo de duração das jogadas com finalizações.
- O scout, quando feito com profundidade, pode ajudar a orientar o clube não só em termos de resultados, mas também na hora de fechar negócios envolvendo jogadores - defende Moraes, que já levou os resultados do trabalho para seu pós-doutorado na Universidade Técnica de Lisboa, em Portugal. - Um determinado atleta pode ter feito 10 gols num campeonato, mas quantos perdeu?
Acréscimos
Melhor relação custo-benefício da história do marketing esportivo brasileiro: a Coop, rede de supermercados, e a Sinal Ronda, fabricante de semáforos e placas de rua, que desembolsaram valores modestos para patrocinar o Santo André. Ter suas marcas exibidas no Maracanã, em rede nacional, e ainda por cima bater o Flamengo na final da Copa do Brasil, não tem preço.
Deu na Bloomberg News: a última moda nos EUA é comprar ingressos ultra-VIPs, com acesso a técnico e jogadores. Na NBA, o Miami Heat cobra US$ 500 mil por um camarote de seis assentos anexos ao banco de reservas durante toda a temporada de basquete. Será que os treinadores brasileiros de futebol aturariam essa torcida grã-fina?
A Marina da Glória recebe, entre os dias 22 e 24, a Rio Sports Show, uma das maiores feiras de fitness do país, que ano passado movimentou R$ 7 milhões. O Brasil é o quarto mercado mundial, e só o Rio reúne 1.700 academias, faturando anualmente R$ 375 milhões e empregando mais de 140 mil.